terça-feira, março 29, 2011

Viver? Morrer lentamente

"Se você treme de indignação perante a uma injustiça no mundo, então somos companheiros" (Che Guevara)


Se um dia não me indignar com as injustiças do mundo. Daí então não poderia fitar-me no espelho. Não poderei descansar o banal sono dos mortais. Não poderei sentir, não poderei chorar e nem tampouco sorrir. Simplesmente serei mais um pobre cidadão que vaga pelo mundo sem ideologia, sem filosofia, sem ideal.

Se um dia não mais sentir um aperto no peito ao me deparar com a exploração, serei eu também um explorador. Se não mais me incomodar a opressão, serei também um opressor.

Se for pra viver assim, é vida? Fechar os olhos diante das espoliações não nos faz cego, pois o cego é aquele que não pode ver e não o que não quer ver. Este tem outro nome, que não cabe poesia, nem palavras a se ofertar.

É viver? Saber que ao lado mora tanta desigualdade e nada fazer? É morrer lentamente.




arte: Banksy

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Cana de gengibre

Pra quem vai de cachaça com gengibre
Uma dica: se equilibre!
Porque ela derruba cachaceiro e beberrão
E vai te deixar no chão

Essa cana é forte
E é grande o estrago que ela faz
E é melhor não brincar com a sorte
Pois quem cai não se levanta mais

OBS: Esse samba é teu, hein, Alfredão.

A resposta à saudade

Sem esta saudade no peito já posso sentir novamente a vida
Com a sua presença, já posso sorrir, cantar e sorrisos te ofertar
Não falta nada quando tenho a ti
Pois voltaste para aplacar a dor que tanto senti
Sofria calado, resignado e triste
Sem saber que o amor, aos sofredores, às vezes assiste
E após ter, por ti, muito esperado
Fui bem recompensado
Hoje não há ausência e nem carência
Não sofro mais e nem espero a ninguém
Pois tenho em meus braços quem tanto me quer bem

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Idéias de Improviso agora é creative commons.

terça-feira, janeiro 12, 2010

Uma bela cigana

Ontem me encontrei com uma bela cigana
E perguntei a ela se, enfim, me livrarei da solidão
Ela me disse que sim,
Que terei o amor de Mariana
Carolina, Isadora, Manuela e Conceição

Mariana será quem me dará carinho
Para, no frio, me reconfortar
Carolina me dará um apenas um beijo
Para depois sua ausência eu lamentar
Com Isadora e Manuela, sei que terei calor
Para esquentar meu coração
E de Conceição, aquela de quem mais gostava
Nada além de duas semanas de ilusão

Naquele pedacinho de chão que você pisou

Deixei meu coração ali
Naquele pedacinho de chão que você pisou
Dançando com sua saia rodada
Sem imaginar que estava sendo fitada

Naquele instante em que te vi
Meu coração palpitou
Foi mais uma paixão que meu peito brotou
E que por toda minha alma esta luz irradiou

Naquela tarde

Naquela tarde, a primavera inspirava
Mais até do que a lembrança do sorriso dela
Mas eis que ela apareceu
Choveu

Naquele tarde, a saudade eu cantava
De um tempo em que vivia pensando nela
Mas eis que ela apareceu
Um novo samba nasceu

Contentamento

Sinto-me contente, pois vi paixão em teus olhos
Já posso, em versos, te exaltar
Já posso, em samba, te cantar
Sou mais um sambista cuja felicidade veio ao peito morar

Nunca senti tamanha alegria
Pois ainda não provara a sua doce companhia
Não imaginava que esse contentamento
Pudesse ser tão forte sentimento

O poeta

O poeta, com a luz de sua criação
Ilumina outro coração
Que resplandece tal inspiração
Em outros versos carregados de emoção

A música que habita o compositor
Brota majestosa como no jardim, a flor
E aquele poeta com seus versos comoventes
Faz cintilar em outro comovido peito
Sinceros versos plangentes

(Homenagem a Paulo César Pinheiro)

segunda-feira, outubro 26, 2009

Pátria?

Nossa sociedade é medrosa e se esconde atrás de muros para ignorar uma realidade desigual, fruto da cegueira voluntária por parte de uma elite que se recusa a ajudar o outro lado.

O medo permeia tudo. Tememos os marginais que são marginalizados por conta de um sistema social marginalizante. O preconceito social faz com que tenhamos medo destes. Também tememos a nós mesmos e não nos permitimos estender a mão àqueles que são diferentes que nós.

Tememos o próprio amor, pois o egoísmo é algo tão latente nos valores da sociedade contemporânea que nos privamos de compartilhar a felicidade com alguém. Como confiar em alguém? Como se entregar a alguém, se para isso não dependeremos exclusivamente de nosso egoísmo? Eles quiseram, tentaram e conseguiram mercantilizar os sentimentos e emoções.

De tantos temores, nos privamos de viver. Pelo medo de amar, deixamos de nos encantar. Pelo medo de errar, deixamos de tentar. Pelo medo de viver, nos contentamos em apenas sobreviver.

Junto ao medo, andam lado a lado a mentira, a hipocrisia e a falsidade. Condenamos o uso de maconha, apontando o exemplo do tráfico, mas enchemos a cara de uísque e anti-depressivos, drogas legais que rendem boas cifras aos cofres públicos. Proibimos o uso de cigarro nos bares boêmios alegando que este ambiente era insalubre, mas colocamos todos os dias milhões de carros nas ruas, poluindo o ar e acabando com a qualidade de vida dos cidadãos com seus intermináveis engarrafamentos.

Vivemos numa sociedade policialesca e proibitiva. Preocupamos-nos mais com o que não pode fazer do que com as possibilidades valorosas que deixamos de enxergar por conta de uma lente míope que esta presente na armação da maioria dos óculos das brasileiros. São inúmeras as restrições, mas quase não existem direitos e garantias de decência.

Somos educados para temer quem é diferente e não falar com eles. Somos condenados, desde pequenos, a nos resignar e não nos indignar. Aceitamos a pobreza, a corrupção e a pilantragem como quem aceita uma simples derrota de seu time do coração. Vivemos num país onde a honestidade é uma qualidade e não uma naturalidade. E o jeitinho brasileiro, sinônimo de trapaça legalizada, é valorizado.

Crescemos e ensinamos aos nossos pequenos estes valores brasileiros nada nobres: resignação frente a um implacável destino, valorização e banalização da desonestidade, imobilidade e incapacidade de sequer sonhar com um Brasil novo, medo daqueles que são os mais golpeados e massacrados pelo sistema, ao passo que continuamos a votar e colocar no poder os maiores facínoras da nossa nação.

Diante de uma estrutura de poder tão arcaica e de uma sociedade com aspirações e preocupações tão vazias, como falar em Pátria, se ainda nem abandonamos traços e ranços coloniais?

O Brasil é um país com contradições continentais
.

quarta-feira, setembro 23, 2009

Um desabafo sobre a Paulicéia


Paulicéia desvairada. Essa camada cinza de poluição que nos encobre dita o nível de clareza que temos nos relacionamentos humanos que nos circulam. Nada é claro, nada é sincero. Tudo é obscuro, falso. O ar sujo é o que temos para respirar. Acostumamos-nos com tanta sujeira que não sabemos ser transparentes. Honestidade é uma qualidade e não uma naturalidade do cidadão. Quando pensamos em fazer algo da maneira correta, já fomos passados para trás. Essa esperteza, esse jeitinho brasileiro é a triste característica que impera.

Mal consigo ver humildade, mal posso sentir bondade, é raro ver solidariedade. Acostumamos-nos a ver miséria e fome. Deveríamos nos indignar e não nos acostumar. Colocamos um véu para cobrir a desumanidade que impera nas ruas. Temos medo de uma criança de rua, esta sim uma vítima da sociedade. A marginalidade é confundida com bandidagem, mas esquecemos que o homem nasce bom e é sociedade que o transforma em sangue bom ou sangue ruim.

Acredito no amor e na amizade. Trato bem todos sem esperar nada em troca. Gosto de surpreender alguém com atitudes espontâneas que demonstrem carinho. Estendo a mão a todos e, se por ventura, alguém não me oferecer um abraço, respeito, me entristeço e mesmo assim solto meu sorriso. Porque o sorriso é a arma para combater sofrimento, a falta de amor e felicidade. Não um sorriso amarelo forçado, apenas um sorriso sincero. Porque se ele não vier, e sim algumas lágrimas para demonstrar alguma mágoa ou tristeza, deixo rolar. Verto em silencio até secar lágrima por lágrima.

Quando sinto essa tristeza, penso naqueles que me fazem feliz. Penso na pureza de alma de alguns. Aqueles que valem a pena passar alguns momentos da vida. Imagino aquela gargalhada invadindo minha mente. E consigo afugentar a dor.

terça-feira, setembro 01, 2009

Saudade

Saudade é navalha de aço afiada
É vento gelado que maltrata uma criança desabrigada
É foice que aniquila uma história inacabada
E não cicatriza mesmo quando a ferida está curada

Saudade é medo de gozar a felicidade
É fuga, é covardia sem sinceridade
É a falsa sensação de liberdade
Que se desfaz com o pranto da verdade

Saudade é a vida sem amor
É solidão comprometida com a dor
É a natureza de quem vive uma vida sem cor
E não colore de alegria uma paisagem de eterno dissabor

Saudade é ausência
É carência
É penitência
É paciência

sexta-feira, agosto 28, 2009

Num samba curto

Num samba curto
Já falei de dissabores
De tristezas e alegrias
E também de meus amores

Falei de coisas que vivi
E outras que somente desejei
Revivi experiências felizes
E outras que somente almejei

Num samba curto
Coloquei melodias harmoniosas
Não muito rebuscadas
Mas, de fato, caprichosas

Encaixei um tom maior
Na primeira que escrevi
A melodia é sincera
E vem com os versos interagir

Num samba curto
Expulsei a minha mágoa
Foram poucos linhas
Mas encheram meus olhos d’água

Fazendo samba assim
Minha alma até chora
Por isso peço licença e contradigo
O samba do Paulinho da Viola

terça-feira, agosto 11, 2009

Leais sambistas



Que sorte eu tive de ganhar essa parceria. A melodia é do Bigode, a primeira é dele e a segunda é minha (fiz em cima das rimas da segunda original). Na foto, roda de samba: Martinho 87, Boleto, eu, Bigode e a Lata Velha.

Leais sambistas (Piruca/Bigode)

Pastoras, compositores
Baianas, passistas
Músicos e ritmistas
Valores de leais sambistas

Vem chegando a hora
De empunhar o violão
De fazer a marcação
E sambar até a aurora
Quero ver um verso agora
Entoado num terreiro
Não mão, o velho pandeiro
É aqui que o samba mora

segunda-feira, julho 27, 2009

Plangente

Meus versos plangentes saem caprichosos da minha imaginação
Ritmados no compasso da sua sofreguidão
Porque choras tanto em forma de poesia?
Porque vertes tantas lágrimas e se esquece da alegria?
É porque o amor é assim mesmo, não cabe filosofia

Já te vi se acabando em prantos
Chorando pelos cantos
Despida de felicidade
Chora que a tristeza vai embora
Chora e abandona esta dor agora
E não sinta deste dissabor, saudade

quinta-feira, julho 23, 2009

Não tem o que escrever, fica viajando...

E lá vou eu. Brincando com as palavras, minhas fiéis companheiras em todos os momentos da vida. Quando estou triste, escrevo meus desabafos e minhas poesias, que invariavelmente viram samba depois. Quando estou feliz não é muito diferente, apensa troco as palavras: saem aquelas carregadas de melancolia, entram essas repletas de alegria.

Gosto de brincar de rima, me anima bastante. Gosto de prosear, de versar, de soltar as palavras no ar. Gosto de encher o papel de palavras mesmo quando começo a escrever sem ter nenhuma idéia sobre o que falar. Como agora. E se pra quem ler isso, nada tiver sentido... O que tem sentido?

quarta-feira, maio 06, 2009

Sentimento de ilusão

Quando em seus olhos vi tristeza
Senti também a dor, triste dor
Vejo que perdeste a esperança de ter o amor que era seu
Este amor feneceu, nunca mais reviveu

Sei que a razão do seu viver, perdeu
E um sentimento de ilusão no coração...

Deixa para um novo dia
Sorria, será melhor
Bem melhor será se voltar a sorrir...


(morna rasgada que virou samba a partir da melodia do Bigode)

Menino de ouro

Como prova de amizade
Este samba é pra você
Quem é bom, a gente sabe
Traz no peito a cordialidade
A lealdade e o proceder

Continue guardando contigo
A simplicidade que é um tesouro
Ao viver ao seu lado
Sei que se trata de um menino de ouro
Ter um amigo assim é algo valioso
É difícil encontrar
Um ser de luz tão caridoso
Simples como o vento
Leal como o próprio juramento
A fraternidade em forma humana
Cuja bondade, do peito emana

(samba para Martinho)

Cadência do meu samba

Luz da inspiração
Carinho, amor e paixão
Melodia da minha canção
És tu, o esplendor do verão
Rima de minha poesia
Que enche de encanto meu viver
És a cadência do meu samba
Um requinte de prazer
Flor de meu jardim
Aroma de um doce jasmim
És a mais perfeita sintonia
De ternura e fantasia

Escola de bambas

É banalidade
Dizer que na Portela o samba não tem vaidade
É lá, em Oswaldo Cruz
Que a poesia seduz
E com o samba, o compositor atinge a luz

Escola de bambas
Portela, tens o nome gravado na história
E no Carnaval, não há quem tenha mais glória
Não dá para jogar o jogo da vida
Se não existir minha Portela querida
É ali que a felicidade faz morada
Portela, minha escola amada