sexta-feira, novembro 28, 2008

A cruel foice da ignorância imposta e o aniquilamento de sonhos

Um impulso de criatividade é muito comum acontecer em pessoas que têm a mente muito agitada, são curiosas, gostam de aprender, de pesquisar e de ler. Outros tantos, com pouca erudição, mas uma ânsia de saber imensa e profunda percepção sobre a vida, carregam sabedoria suficiente para realizar algo perene, que se mantenha vivo pela imensa emoção carregada dentro de si. Emoção presente durante o processo artístico e que é devolvida em forma de lágrimas àquele que se identifica com aquilo posteriormente.

Esta mente que não pára, e que fica o tempo todo às voltas com pensamentos, como um colibri rodeando as flores, é, indubitavelmente, uma mente fértil por natureza. E é preciso fazer acontecer, não desperdiçar um solo rico cobrindo-o de asfalto.

Muitos não sabem, mas têm este tal rico solo, pronto para que uma flora esplêndida brote e desabroche. Infelizmente, pela pura preguiça e falta de curiosidade pela vida, não reconhecem isso. Navegam pelos mares da ignorância, conduzidos pelas embarcações da televisão alienante e das estapafúrdias regras morais que regem a sociedade, deixando, assim, esvair brilhantes idéias, projetos e inspirações que muito bem poderiam se traduzir numa bela e autêntica obra-prima artística. É a vitória do asfalto sobre a natureza pujante. Quantos versos, melodias e pinturas foram ceifados pela brutal foice da ignorância imposta?

Às vezes, a força da natureza arrebenta o cimento e árvores brotam do próprio asfalto, destruindo-o. É quando a mente se abre para novas percepções, criando um novo espaço criativo. E não pode-se desperdiçar estas oportunidades riquíssimas. Idéias que vem com uma força sobre-humana não podem ser deixadas de lado, por mais malucas que possam parecer a um primeiro momento. Um ato de gentileza ou palavras bonitas ofertadas a alguém são gestos nobres que não podem deixar de serem feitos jamais, mesmo sendo você uma pessoa tímida por natureza.

E que bonito seria se a humanidade praticasse a gentileza. Flores ao invés de metralhadoras, sorrisos ao invés de falsidade, amor ao invés de embargos, solidariedade ao invés de tortura, paz ao invés de guerra.

Essa gente amiga do samba sabe o que ouvir


Uma das minha grandes diversões das últimas semanas é ficar acompanhando o número de pessoas que baixam os discos que eu posto no Prato e Faca. Muitos dos álbuns lá postados o foram feitos através do Rapidshare, que não nos mostra o número de usuários que baixam os arquivos, ao contrário do Mediafire, que utilizei por alguns meses e que voltei a utilizar agora.

Desde que voltei a usar este último hospedador de arquivos, fico sempre de olho no número de downloads que cada disco tem. E o campeão disparado (dentre os discos hospedados no Mediafire) é o Axé! Gente amiga do samba, do Candeia. Há duas semanas, tomei um susto quando vi que, desde abril, oitocentas e sessenta pessoas haviam baixado a obra-prima. Hoje o número já ultrapassou os novecentos... Se levarmos em consideração que o disco é muito difícil de encontrar nos sebos (e caro) e jamais foi relançado em CD (e esse fosse, certamente a tiragem não ultrapassaria o número de mil cópias), isso é algo louvável. Não pra mim, mas pra eles. Estes novecentos brasileiros que foram atrás de um disco impecável, digno da obra do mestre Antonio Candeia Filho.

Eles não compraram o CD do Candeia porque ele não existe. Os antigos selos que lançavam, todos os anos, diversos títulos de extrema qualidade das mais variadas vertentes da Musica Popular Brasileira, hoje pertencem a grandes gravadoras multinacionais que não estão nem um pouco interessadas em relançar álbuns antigos de pouco (ou zero) valor comercial. Eles querem retorno e o que dá retorno é coisa nova, vendável, comercial, que está na boca do povo. Quase sempre isso é lixo, e nosso tesouro fica lá empoeirado em algum sebo, esperando que alguém vá lá fazer uma correria (comprar o disco, limpar, ripar, jogar no computador, transformar em mp3, colocar todas as informações, subir pra rede e, ufa, postar no blog. Isso chama trabalho voluntário socialista.

E graças a essas contribuições de diversos blogs, nossa cultura vai resistindo. Nossa música é de todos. Viva o acesso livre à cultura.

domingo, outubro 05, 2008

Nasce mais um bambinha

"Vem mais emoção, mais um coração a pulsar de alegria..."

Quando soube que você vinha ao mundo, Paulinho, fiz um samba com o teu pai falando da benção que era a sua chegada.

Agora você chegou. Que sorte do teu irmão Pedro que vai fazer as batucadas contigo. Sorte a nossa de ter mais uma boa companhia na vida.

Axé!

Rosa verde e rosa


Da próxima vez
Será uma rosa do Cartola
Verde e Rosa
As cores da nossa escola

Em pleno fogo da paixão
Rosas vermelhas ofertei a ela
Mas aquelas rosas, mentirosas
Não expressaram meu amor à donzela
Não desabrocharam
E murcharam de qualquer maneira
Da próxima vez
Será uma rosa com as cores da Mangueira

terça-feira, agosto 12, 2008

Conselho de sambista

O Mauro Duarte falou para eu ter cautela
O Nelson Sargento e o Marreta me disseram para eu ter cuidado
Mas preferi ouvir o Paulinho e o Elton
Além do Joãozinho da Pecadora
No meio do caminho, me lamentei com um maxixe do João da Gente
E agora, no final das contas, o que restou foi o samba do Monsueto
O partido do Mijinha e o samba do Geraldo Babão.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Palavras

Trato as palavras com carinho
Pois quando estou sozinho
É com elas que vou brincar
Trato com doçura,
Delicadeza e ternura
Para que, nos momentos de amargura
Com elas, possa me confortar

sábado, maio 17, 2008

A vida é um jogo de bola


A vida como reflexo de nossos sentimentos e nossas emoções só poderia ser um jogo de futebol. Com suas sutilezas e adversidades. Com suas glórias e desilusões. Com explosões de alegria. Com momentos de pura amargura, como quando sofremos um gol nos instantes finais de um clássico, proporcionando a vitória do time rival. Na vida também temos momentos de falsa euforia como num gol anulado.


A vida como um espelho de nossos anseios só poderia ter como palco um estádio lotado, com suas bandeiras tremulando e com milhares de pessoas com o coração na mão. Nossos sonhos vão se realizando na medida em que os gols vão acontecendo. Às vezes fazemos belos gols, driblando toda a zaga e só colocando na saída do goleiro. Às vezes acontecem gols contra, furada, e até mesmo cartão vermelho.


Viver é jogar. E existem vários tipos de jogos, como no futebol. Jogos importantes mas não decisivos, como na primeira fase de uma competição. Há momentos na vida em que é preciso matar ou morrer, como nos mata-matas. E existem também, claro, jogos para cumprir tabela. Tudo isso acontece na vida.


A vida que se traduz num gramado é a vida do brasileiro. Porque fora dos campos, em qualquer lugar e em qualquer instante, no imaginário de nossos conterrâneos, a bola rola macia, deslizando mansamente em direção ao gol. E quando, finalmente, toca a rede, gozamos de alegria. É a magia do futebol conduzindo nosso viver.


Foto: Estádio do Nacional A. C., da Barra Funda - O fotógrafo sou eu.

sexta-feira, abril 18, 2008

Versos adversos

Como é grande a diversidade de adversidades na vida
Num momento adverso
Nada como escrever um verso
Para que uma nova versão seja escrita
Então, imerso numa poesia
O sucesso de uma nova investida
Transforma uma lágrima vertida em palavras tão bonitas

Diversas são as formas de se viver feliz
Adversas são as atitudes que te impedem de chegar aonde sempre quis
Conversas com amigo fazem-me lembrar daquela frase que você sempre diz
"É nos momentos adversos que os mais belos versos são escritos
É na diversidade de adversidades que a simplicidade torna-se um lenitivo"

Arte: Denise Carvalho

terça-feira, março 25, 2008

Com um sorriso, derrubo uma tropa inteira...

Pois é, meu caro amigo, conseguiste me emocionar com suas palavras. Palavras sinceras, puras, muito bem colocadas. Palavras que servem de instrumento para a conscientização, palavras que cativam, inspiram, emocionam.

Conhecendo-te bem como conheço, sei da força de tuas palavras. Amo-te, meu irmãozinho. Falas a mesma língua que eu, vives no mesmo universo que eu, respira o mesmo ar que eu. Somos um só.

E como você, também me incomoda tantas coisas neste mundo. “No meu peito, fisga a dor da indiferença, pois percebo que a saúde não se importa com a doença”. Nunca fui indiferente a tantas mazelas que nos cercam. Não vivo em uma redoma, sei das coisas que me cercam. Vive bem aquele que se encontra enclausurado num condomínio de luxo? Certamente vive com medo. Medo de que alguém invada seu mundo e leve aqueles bens que afagam a alma do pobre milionário.

Caríssimo, escrevo estas palavras com lágrimas nos olhos. Como é bonito saber que ainda existe gente como você, como nós. Gente que não se conforma com tudo isso que acontece diante de nossos olhos. Será que um dia “os palácios vão desabar sob a força de um temporal, tudo vai voltar ao seu lugar, afinal”? Meu irmão, que bom saber que tem gente que pensa alto. Nunca deixe de sonhar, porque o sonho é o caminho para nossa libertação.

Tanta coisa invade minha cabeça, sinto que cuspo palavras como uma metralhadora automática. Mas esta não mata, cativa. Se ferir, fere o peito de pessoas hipócritas, falsas, mentirosas. Quando teremos mais compaixão, solidariedade e amor? O mundo precisa disso, mas todos só conseguem enxergar cifrões. “Sentimentos em meu peito eu tenho demais”, mas quem se importa? Não tenho cascalho, nem carro do ano. Aos olhos de um cidadão comum, sou apenas mais um latino-americano subdesenvolvido com uma cultura enlatada na cabeça... Quem me conhece sabe do amor que tenho no peito. “Eu lhe tenho muita amizade, amor no meu peito é mato” É mato, irmão.

“Por isso não adianta estar no mais alto degrau da fama, com a moral toda enterrada na lama”. De que adianta estar lá em cima? Pra fazer merda, se vender. “Não me vendo pra viver. Se tiver que viver assim, morro de fome. Não precisa ter dó de mim, honre meu nome”. Tenho tanta pena deles...

O antídoto para tanta podridão é um sorriso de criança. Isso sim é valoroso. Isto sim funciona como um tapa na cara da bossalidade. Há tantos singelos momentos em nossa vida que valem a pena... Devemos aproveitá-los e relembrá-los com carinho por toda a eternidade.

Sinto que fazemos parte de uma resistência. Sem armas, sem violência. Apenas com amor, solidariedade, humildade, compaixão, e, claro, um sorriso estampado no rosto.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Chega mais, Antonico

Nasceu ontem (dia 13) o Antonio, filho do Té e da Mari. Bem-vindo moleque!!! É mais um que chega pra irradiar de felicidade nossas vidas. Vida longa ao Antonico!!!

terça-feira, janeiro 08, 2008

A paixão é afiada como uma navalha

Tudo aquilo que há de mais belo neste mundo
Só é o mais belo porque vem carregado de emoção
E sendo assim, é capaz de despertar uma chama em um coração
E irradiar por todos os cantos um sentimento profundo

A felicidade bate sem avisar
E entra no peito sem perguntar
As lágrimas começam a rolar
E um suspiro fica pairando no ar

Algumas palavras sussurradas ao pé do ouvido
Deixam o ambiente um pouco mais colorido
Vem, então, cortando como uma navalha, um arrepio
Que quando chega estraçalha e preenche aquele doloroso vazio

É a paixão que começa a se mostrar
Insinuante, provocante, amante
Doce como um favo de mel
Ela cumpre majestosamente o seu papel

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Um desabafo de quem vive apenas para se emocionar e nada mais

Qual o sentido disto tudo? Vivemos numa sociedade hipócrita, cujos valores morais e éticos são pautados pelo dinheiro, pelo poder, pela ganância, pela sem-vergonhice. Os valores morais e éticos de nossa sociedade são imorais e anti-éticos!

Nosso professor, Paulo da Portela já dizia: "Este mundo é uma roleta e nós somos jogadores". Pois bem. E qual é o jogo em questão? O jogo do Paulo era algo mais romântico, que tratava de coisas da vida como o amor, a amizade, etc. O jogo dos bacanas, dos poderosos, é outro. É acumular dinheiro, não importa sob qual pretexto. Passando por cima de tudo e de todos, a única coisa que interessa a eles é enriquecer. Pra quê? Pra se depois se esconderem atrás de
muros e fortalezas, com medo de um marginal que só marginal porque estes bacanas tem dinheiro demais.

As pessoas passam a vida toda gastando saúde para acumular dinheiro e depois gastam todo este dinheiro para recuperar a saúde. Não tem sentido. Joãozinho da Pecadora, com toda sua franqueza, cantou: "O negócio é amor e o resto é conversa fiada. Por que amanhã a gente morre e da terra não se leva nada!". Não leva nada!! O dinheiro acumulado serve para que? Para comprar um caixão bacana?

Vivem infelizes, estressadas, preocupadas, assustadas, com medo. Então pra que viver? Pra que?

Pra acumular mais, pra passar a perna nos outros. São prostitutas legítimas. Muito mais perniciosas do que as legítimas putas, tão inofensivas. Este jogo é desleal. Você deve ser o melhor, não importa os meios. O fim (riqueza acumulada) justifica os meios (trapaça, corrupção, etc).

A sociedade é individualista. Cada um por si e Deus por todos. Isso quando não passam por cima de Deus. Isso quando não colocam Deus no meio da jogada (Universal e Bola de Neve são a mesma coisa: uma bandalheira).

A Esquerda fracassa sistematicamente. E o que falar da Direita?

Revolução é um artigo em liquidação. Vista uma camiseta do Che e pronto, você já é revolucionário. Daqui a pouco vão mudar a frase. "Hasta la victoria, siempre" irá se transformar em "Hasta la Victoria Secret". Lamentável.

O que fazer?

Quem sou eu para dizer? Quem sou eu? Não sou ninguém. Mas acredito nas revoluções pessoais. É nisso que você acredita? Então agarre aos seus ideias. Sonhe, idealize, projete, batalhe, busque, não desista.

Dinheiro? Dinheiro é papel. Apenas papel. E nada mais.

Viva com emoção. Deixe as lágrimas correrem, elas representam o que há de mais puro em nós mesmos.

terça-feira, dezembro 18, 2007

Faça sua revolução!!

Se você não fizer, quem irá fazer?
Pense nisso...

segunda-feira, novembro 26, 2007

O Sol


O Sol que irradia claridade e enche de vida e alegria nossos corações é o mesmo Sol que se esconde atrás de nuvens negras. Sua presença, alegria. Sua ausência, melancolia.

O Sol que brilha para uns, não brilha para outros. Há dias em que procuramos o Sol, há dias que nos escondemos dele. Entretanto, para todos, ele se mostra e se oferece.

Sempre.

Busque o Sol.

segunda-feira, novembro 19, 2007

Do coração

Eis a mais nova parceira Piruca/Bigode... Um sambinha sincopado que eu gostei bastante.

Do coração


Quando eu faço um samba
Vem do coração
Nas asas da poesia
Belas melodias
Feitas com alegria e inspiração
De tamanha emoção
Transbordo prazer
A felicidade invadiu o meu viver

quinta-feira, outubro 25, 2007

Anteontem e depois de amanhã

Pra que deixar de esquecer o passado
Se nem o presente existe?
Pra que fazer planos para o futuro
Se nem o presente está planejado?
Pra que pensar no amanhã
Sem antes ter pensado no hoje
E refletido sobre ontem?
A vida é mais do que hoje, ontem e amanhã
Você já parou pra pensar no anteontem?
Ou no depois de amanhã?

terça-feira, outubro 09, 2007

Homenagem à Velha Guarda da Portela


Eu não direi o que se passou entre nós
Porque este desengano dói
E quanto mais eu ando penando
Mais a tristeza me persegue

Eu fui condenado a viver desprezado
E por isso, os meus olhos vertem lágrimas
Pensar em ti pra que?
Chega de padecer!
Eu, se quisesse penar
Não esperava você me falar em amar
O sofrer é da vida eu aceito
E é por isso que eu vou navegar para nunca mais voltar
E beber para esquecer o nome daquela ingrata que me fez sofrer

Mas repare bem, não é assim
Esse mundo é uma roleta e nós somos jogadores
Eu já lhe disse que não quero mais seu amor
E que você não é não, a dona do meu coração
Você foi uma nuvem que passou e que não volta mais
Vai pecadora arrependida, vai tratar da sua vida
Por favor me deixa em paz

Agora estou resolvido a não amar a mais ninguém
Quero viver como um passarinho
E se queres ser minha, Iaiá, tens que abandonar a orgia
Só assim, alegria tu terás

quinta-feira, outubro 04, 2007

Vida de escritor

Vida de escritor não é fácil, não. Até pode ser, se você escrever esporadicamente. Mas a partir do momento que você têm uma meia dúzia de leitores, tá na lama. Você se cobra porque precisa escrever e seus leitores te cobram porque querem ler seus novos textos: “André, faz tempo que você não escreve nada lá no Idéias de Improviso, né?”. “É, faz tempo...”.

Para escrever é necessária uma idéia boa, que tenha fluência, que tenha vida. Quantas vezes eu sentei na frente do computador ou peguei um lápis querendo escrever algo e nada saiu? Muitas... Outras tantas vezes, tive idéias maravilhosas, mirabolantes, mas nada escrevi porque não era possível naquele momento. Semana passada, estava tomando uma cerveja com os amigos e veio uma idéia sensacional em minha mente. Na hora eu pensei: “Taí, amanhã vou postar isso no Idéias.” Porém, quando acordei... Não lembrava de absolutamente nada (e até hoje não lembro)...

Teve uma época que eu anotava as idéias num papelzinho para desenvolvê-las depois. Mas não é a mesma coisa. A inspiração vem de sopetão. O negócio é aproveitá-la na hora porque depois não é a mesma coisa. O texto pode até sair, mas não tem aquela vivacidade que teria se fosse feito na hora do estalo.

Essa necessidade de escrever fez com que várias vezes eu escrevesse sobre as palavras, sobre a arte de escrever. Outro dia, pensei em postar um texto que eu escrevi no papel, falando sobre como é bom escrever a mão, com lápis ou caneta. Gostei do texto, mas não teria sentido nenhum passar para o computador já que ele só tem sentido se lido no papel.

Pode crer que se você ler algum texto meu falando sobre essas divagações, é porque eu estava sem idéia (como é o caso agora. Não tinha nada pra escrever, mas precisava escrever)...
E veja só como são as coisas... Eu não tinha nada pra dizer, mas já estou no sexto parágrafo e você continua lendo essas mal-traçadas linhas...

A falta de idéias sobre o que escrever fez com que eu escrevesse justamente sobre isso. É papo de louco, mas tem um monte de louco que lê isso aqui e entende essa abrobinha toda... Às vezes, até se identificam...

Vida de escritor é assim.

segunda-feira, agosto 06, 2007

A incrível saga de um jovem farrista

Toda vez que Cláudio saía para a balada, era aquele alvoroço. Seus pais já estavam cansados de tanta farra. Domingo, segunda, terça, quarta... Todo dia era dia para pra Cláudio ir para a gandaia. Mas aquela quinta-feira reservaria algo diferente para este jovem farrista.

Ao sair de casa, passou no cafofo de Juca, e foram ambos tomar uma gelada na birosca do Mathias. Juca estava um tanto ansioso com o encontro que teria com Mariana naquela mesma noite. Cláudio estava tranqüilo. Iria tentar se engraçar com alguma moça que lhe desse mole. No último mês ele, um sujeito um tanto bem-apessoado, tinha ficado com quatro garotas diferentes. Não lembrava o nome de nenhuma delas.

Juca também já teve sua fase galinha. Até que um dia ele conheceu Mariana, uma morena de olhos verdes e cabelos encaracolados. Uma mulher irresistível. Ao conhecê-la, Juca ficou bobo. Faltou-lhe o ar, o coração disparou e suas mãos começaram a suar. Paixão à primeira vista é assim mesmo. Paixão de mão-única, porque Mariana não deu a menor bola para aquele rapaz que tinha fama de cafajeste.

Quem também reparou em Mariana (e quem não reparava?) foi Carlinhos, antigo amigo de Juca. Carlinhos flertou, flertou, flertou, mas nada conseguiu. Na verdade, ninguém conseguira nada com ela. Era uma mulher difícil, orgulhosa... Não era de ficar de rolinhos. Com ela, o negócio era sério. Um beijo não era só um beijo. Nesse ponto, Mariana era uma mulher tradicional.

Como não consegui sequer um olhar de Mariana, Carlinhos desistiu. E abriu caminho para Juca. Ele insistiu tanto que, certo sábado de sol, conseguiu roubar um beijo da linda dama. A partir daí, o romance foi se firmando... Até virar namoro e agora todos invejam a sorte de Juca.

Todos menos Carlinhos, seu fiel companheiro. Este aí já teve em suas mãos mulheres mais atraentes que Mariana. Mas seus encontros nunca passavam da primeira noite. Era uma lei para ele: começava um romance a se firmar, ele pulava fora. Isso até a quinta-feira fatídica.

Na birosca do Mathias, a cerveja rolava solta. O samba esquentava o ambiente e Juca só pensava em Mariana, aquela tetéia. Cláudio não pensava em nada, apenas sorvia aquela cervejinha gelada e deixava-se balançar ao som da gostosa batucada que dominava o ambiente.

Cláudio era um sujeito alto, forte, bom papo e um tremendo pé-de-valsa. Naquela quinta-feira, já tinha traçado suas estratégias para a noite: iria tomar mais algumas cervejas e partiria, juntamente com Juca e Mariana para a festa de aniversário do Batata. Seria mais uma noite comum. Seria...

Estratégia traçada, foram os três para a festa do Batata. Além de seu aniversário, também seria comemorado o retorno ao Brasil de Júlia, após dois anos na Espanha. Para esta turma, qualquer coisa era motivo de festa.

Júlia não tinha a beleza de Mariana. Mas compensava com todo o seu charme e sensualidade. Era daquelas mulheres que transbordavam elegância. Depois de passar uma temporada na Europa, então... Voltou com tudo. Foi o destaque da festa.

Quando os olhos de Cláudio fitaram os olhos de Júlia, algo de diferente aconteceu. Pela primeira vez, em muitos anos, Cláudio não sentiu apenas atração por uma mulher. Agora ele sentia um calor invadir seu peito. Segurou a emoção e fingiu naturalidade. Ele tinha que manter a pose.

Durante algumas horas ele, de fato, manteve a pose. Mas era impossível resistir àquela dama. Ele notou, então, que aquela atração era forte demais. A paixão estava no ar, apesar dele relutar em admitir isso.

E tinha algo que o incomodava. Ele conhecia aquela garota de outros tempos. Mas não tinha idéia de onde. Em sua louca juventude, Cláudio já sofrera diversas vezes de “amnésia alcoólica”, principalmente quando a bebida em questão era a vodka. Assim sendo, muitas mulheres que passaram pela vida dele foram sumariamente apagadas de sua memória.

Ele não sabia, claro, mas Júlia era uma delas. Certa vez, durante uma viagem à Bahia, ele teve um fugaz romance com ela (por fugaz romance leia-se uma noite, ou algumas horas, de intenso amor). Porém, devido ao seu alto grau etílico, ele esquecera completamente dela. Mas ela não esquecera dele...

Júlia não se esquece dos homens que passam em sua vida. Não importa a duração do romance. E Cláudio ficou gravado em sua mente. Naquela viagem à Bahia, ele foi quem mais a encantou. Voltou para São Paulo apaixonada por ele. Paixão esta que logo se dissipou quando ela o viu de mãos dadas com uma jovem colegial na sorveteria (Cláudio era assim: levava as meninas para a sorveteria e as mulheres para o bar).

Ela não se conformara em ser trocada por uma “criança”. Ela ficou, de fato, muito irritada. Com o orgulho ferido, prometeu para si mesma que iria desprezar categoricamente Cláudio.

E foi o que ela fez na festa. Ignorou completamente o rapaz. Ele, completamente fora do ar, não entendeu nada. Ficou tentando chamar a atenção dela a noite toda. Mas não conseguiu nenhum sorriso. E mais, só para provocar Cláudio, Júlia ficou de conversa fiada umas boas horas com diversos rapazes.

Pronto, isto foi o que bastou para Cláudio cair do seu altarzinho imaginário. Ele estava na crista da onda, mas caiu. Era o rei da cocada preta, mas foi desprezado.

No dia seguinte, passou o dia todo em casa. Deixou até de ir beber com os amigos, que acharam tudo isso muito estranho. Juca, que tivera uma noite maravilhosa com Mariana, foi visitar o amigo. Estava preocupado. “Que acontece com você? Nunca te vi assim...” perguntou Juca. “Putz, Juca.... Que foda!! Fiquei caidinho por uma mina ontem na balada. Mas ela me ignorou totalmente. Não sei o que acontece. É a menina que voltou da Espanha... Júlia... Que gatinha!! Tenho a impressão que eu conheço ela de algum lugar, mas não sei onde... Nossa, fiquei apaixonado...”

Juca apenas riu quando ele citou o nome de Júlia. Que tonto! Como alguém podia se esquecer de uma mulher como Júlia? Juca se lembrava muito bem do fugaz encontro que Cláudio tivera com Júlia na Bahia. Mas Cláudio estava inconsolável. Não lembrara de nada e estava apaixonado por aquela dama que o desprezara na véspera.

A verdade, então, começou a vir à tona. “Seu mané! Como você não se lembra dela? Você ficou com ela na Bahia!! Naquela festa que teve na praia! Como você não se lembra?” perguntou Juca. Cláudio se levantou da cama e começou a andar de um lado para o outro. “Como assim? Eu fiquei com ela na Bahia? Não lembro!! Que fase, meu Deus!” disse o desesperado Cláudio.

De fato, ele estava em uma sinuca de bico. Não queria mais saber de gandaia. Queria Júlia! Mas ela era orgulhosa e não tinha a menor intenção de se envolver novamente com aquele canalha.

Durante quase um mês, Cláudio não saiu pra a balada. Seus pais comemoravam. Enfim, o filho deles tinha tomado jeito. Mal sabiam que era apenas uma sofreguidão de amor que o enclausurava em casa. Juca e Mariana estavam preocupados. Hélio, seu primo mais novo (tinha apenas 16 anos) e mascote da turma, também visitava quase todo dia o familiar sofredor. Sabia que o primo sofria por causa de mulher, mas não sabia quem era a culpada e muito menos a razão de Cláudio sofrer tanto. Hélio mal sabia, mas elel mesmo seria um instrumento de vingança nas mãos de Júlia.

Hélio era o contrário de Cláudio: um sujeito pacato, caseiro e decente com as mulheres. Também era boa-pinta. Mas era tímido e isso fazia com que não tivesse muita sorte com as mulheres. Isso até ele entrar no joguinho de Júlia.

Ela estava vibrando em saber que Cláudio sofria por ela. Todos já sabiam a causa da angústia dele. Mas ela ainda não havia terminado sua vingança. Ela queria ficar com um “pivete” na frente dele. Este “pivete” já estava escolhido por ela: era Hélio.

Júlia era meticulosa. Ela esperou baixar a poeira, voltou a conversar com Cláudio e deu bola para ele só para ele pensar que iria conseguir algo. Durante dois meses, Cláudio ficou “pedalando” pra cima de Júlia. Ela sempre esquivava, mas deixava uma esperança no ar. Isto era parte do plano. Esperou a data certa para finalizar com Cláudio.

O dia escolhido foi o Reveillon. Todos muito felizes e cheios de boas-intenções. Hélio era tão devagar que nem percebeu que Júlia o fitava sem parar. Cláudio, claro, percebeu que sua amada dava bola pra seu primo. Mas nem botou fé. Afinal, aquele mulherão era areia demais para o caminhãozinho de Hélio.

Hélio, então, depois de muito tempo, reparou na investida de Júlia. A princípio, não acreditou. O que aquela linda mulher de 25 anos iria querer com um adolescente?

Depois de algumas horas, Júlia foi até Hélio e puxou conversa. Estava linda, com belíssimo vestido florido e uma sandália de dedo. Estava esplendorosa, totalmente irresistível. Se aquela conversa durasse mais 20 minutos ele sucumbiria à tentação. Mas bastaram sete minutos para Júlia tascar um beijão em sua boca, para tremenda decepção de Cláudio.

Dizem que homem não chora, mas Cláudio teve que sair de fininho para não fazer feio na frente de todo mundo. Andou até a praia e chorou. Ficou com raiva de Júlia e com ódio de Hélio. Queria matar seu primo, aquele pivete! Depois de verter muitas lágrimas, ele se endereçou para o primeiro bar. Por coincidência, era a birosca do Hélio.

Lá ele tomou duas batidas de limão, comeu uma porção de torresmo e chorou. Como chorou naquela noite! Nunca mais seria o mesmo farrista. Nunca mais machucaria um coração de uma mulher. Nunca mais seria um canalha. Sua vida amorosa mudaria da água para o vinho. Trataria tão bem as mulheres que elas abusariam dele. A partir dali, não seria mais o Cláudio, “o pegador”. Dali pra frente, sua alcunha seria outra: Claudinho Antena, o maior corno da região.