sábado, abril 14, 2007
Bem-vinda, Tainá
Que desde já você seja abençoada com todo amor do mundo. Vida longa a você, minha queridinha.
quinta-feira, março 01, 2007
Hipocrisia
É impressionante como a hipocrisia é algo que permeia nossa sociedade em várias instâncias.
Os políticos fazem votos de honestidade e depois metem a mão no dinheiro.
As agências de modelos fazem coro anti-aneroxia e depois põe modelos esqueléticas para desfilar.
Os jogadores de futebol juram amor a um clube, mas só se preocupam com o dinheiro.
Os policiais dizem que protegem, mas estão loucos para enquadrar um maconheirozinho qualquer.
Normalmente é assim que funcionam as coisas em nossa sociedade: te oferecem flores mas te apunhalam pelas costas.
Os políticos fazem votos de honestidade e depois metem a mão no dinheiro.
As agências de modelos fazem coro anti-aneroxia e depois põe modelos esqueléticas para desfilar.
Os jogadores de futebol juram amor a um clube, mas só se preocupam com o dinheiro.
Os policiais dizem que protegem, mas estão loucos para enquadrar um maconheirozinho qualquer.
Normalmente é assim que funcionam as coisas em nossa sociedade: te oferecem flores mas te apunhalam pelas costas.
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
Vida
O sol resplandece no céu. As árvores, poucas, mas lindas, balançam suas folhas com a doce brisa que sopra no ar. Recostados numa mureta, dois amantes se beijam. É um beijo sincero, apaixonado.
As andorinhas voam em bando. Sinal de chuva. Que cai, apesar do sol presente. Um arco-íris invade a paisagem.
O pai chega em casa depois de um árduo, mas prazeroso, dia de trabalho. Sua filha pula em seus braços e o beija por um longo minuto. Depois, eles brincam muito. A mãe, feliz, só os observa.
Do outro lado da rua, quatro amigos tomam uma cervejinha. Discutem futebol, contam piadas, falam de mulher. Um deles está apaixonado pela garota que conhecera na véspera. Todos brincam com a paixão do amigo. O bom-humor impera.
A criança chuta a bola. É gol. “Manhê, fiz sete gols hoje!!”. A outra criança bate bafo com seus primos. Ele é o melhor e “rapela” todo mundo. Que alegria!
Ao cair a noite, os boêmios saem à rua. Muitos trabalham de dia. Dormem pouco, mas aproveitam a noite. Outros, nem isso, vivem à noite (e, em alguns casos, da noite). Um chega com o cavaco, o outro com o pandeiro. Logo, estão cantando, felizes da vida. “Garçom, desce mais uma!”.
O carnaval está aí. Gente que sofre o ano todo será rei por três dias. Na quarta-feira, tudo acaba. Mas a lembrança segue por todo o ano.
Um sorriso. É o suficiente para alegrar quem, por algum momento, esteve triste.
Risos, sempre sinceros, nunca sarcásticos, irônicos. Choros, sempre de emoção e alegria, nunca de dor. Solidariedade sempre na boa intenção, nunca por interesse. Amor, em todas as instâncias da vida.
Não sobreviva, viva...
As andorinhas voam em bando. Sinal de chuva. Que cai, apesar do sol presente. Um arco-íris invade a paisagem.
O pai chega em casa depois de um árduo, mas prazeroso, dia de trabalho. Sua filha pula em seus braços e o beija por um longo minuto. Depois, eles brincam muito. A mãe, feliz, só os observa.
Do outro lado da rua, quatro amigos tomam uma cervejinha. Discutem futebol, contam piadas, falam de mulher. Um deles está apaixonado pela garota que conhecera na véspera. Todos brincam com a paixão do amigo. O bom-humor impera.
A criança chuta a bola. É gol. “Manhê, fiz sete gols hoje!!”. A outra criança bate bafo com seus primos. Ele é o melhor e “rapela” todo mundo. Que alegria!
Ao cair a noite, os boêmios saem à rua. Muitos trabalham de dia. Dormem pouco, mas aproveitam a noite. Outros, nem isso, vivem à noite (e, em alguns casos, da noite). Um chega com o cavaco, o outro com o pandeiro. Logo, estão cantando, felizes da vida. “Garçom, desce mais uma!”.
O carnaval está aí. Gente que sofre o ano todo será rei por três dias. Na quarta-feira, tudo acaba. Mas a lembrança segue por todo o ano.
Um sorriso. É o suficiente para alegrar quem, por algum momento, esteve triste.
Risos, sempre sinceros, nunca sarcásticos, irônicos. Choros, sempre de emoção e alegria, nunca de dor. Solidariedade sempre na boa intenção, nunca por interesse. Amor, em todas as instâncias da vida.
Não sobreviva, viva...
Sobrevida
A cratera do metrô engole a lotação, a chuva ácida alagou a cidade, o prefeito xingou o cidadão de vagabundo, os jogos de futebol continuam a começar às 10 da noite, o céu da cidade é cinza e seus prédios também, de tanta sujeira.
O calor sufoca e nem temos praia para nos refrescarmos, a bateria de escola de samba não toca mais samba, o pedestre não atravessa a rua sem ser quase atropelado, as modelos anoréxicas morrem por culpa do padrão de beleza magérrimo que é imposto à elas. Imposto, aliás, que não pára de subir.
A juventude volta à idade das pedras nos primeiros dias de aula nas faculdades. Trote: um bando de babacas com problemas de auto-afirmação pegando pesado com um bando de trouxas que se submetem à humilhação. Nada muda nos quatro anos seguintes: o aluno sai especializado em bebedeiras, festas e futilidades.
Bolivianos já assaltam os paulistanos. Até mulher grávida é alvo. Daqui a pouco, vão entrar para o PCC. A polícia é do mesmo nível: malvada, suja, inescrupulosa. Vivemos no meio de gente mal-intencionada. Confie em seus amigos e em mais ninguém. Ninguém vale o prato que come neste mundo cão.
Os carros poluem. Nossos rios estão sujos e nossos riachos, encanados. Encanado também está o trabalhador, que só se fode na mão do patrão. O empregado mal consegue pagar suas contas. O patrão não esquenta a cabeça. Está passando férias na Costa Brava, Espanha, mesmo lugar onde Cicarelli fez suas travessuras.
Um motoboy tira uma fina de uma senhora, que xinga. Ao seu lado, uma mulher com uma criança no colo quase cai para trás, de susto. Na esquina adiante, cai uma viga, de um prédio em construção, na cabeça de uma criança. Morte, fatalidade. Para o governo é bom, um a menos para alimentar, para dar educação, saúde... Na verdade, se a criança não morresse, iria dar no mesmo: ficaria sem as condições básicas de sobrevivência do mesmo jeito.
Quem não busca a vida, quem não busca viver a vida, de fato, apenas sobreviverá. Neste cenário caótico aqui ilustrado. Agora, se você quiser viver...
O calor sufoca e nem temos praia para nos refrescarmos, a bateria de escola de samba não toca mais samba, o pedestre não atravessa a rua sem ser quase atropelado, as modelos anoréxicas morrem por culpa do padrão de beleza magérrimo que é imposto à elas. Imposto, aliás, que não pára de subir.
A juventude volta à idade das pedras nos primeiros dias de aula nas faculdades. Trote: um bando de babacas com problemas de auto-afirmação pegando pesado com um bando de trouxas que se submetem à humilhação. Nada muda nos quatro anos seguintes: o aluno sai especializado em bebedeiras, festas e futilidades.
Bolivianos já assaltam os paulistanos. Até mulher grávida é alvo. Daqui a pouco, vão entrar para o PCC. A polícia é do mesmo nível: malvada, suja, inescrupulosa. Vivemos no meio de gente mal-intencionada. Confie em seus amigos e em mais ninguém. Ninguém vale o prato que come neste mundo cão.
Os carros poluem. Nossos rios estão sujos e nossos riachos, encanados. Encanado também está o trabalhador, que só se fode na mão do patrão. O empregado mal consegue pagar suas contas. O patrão não esquenta a cabeça. Está passando férias na Costa Brava, Espanha, mesmo lugar onde Cicarelli fez suas travessuras.
Um motoboy tira uma fina de uma senhora, que xinga. Ao seu lado, uma mulher com uma criança no colo quase cai para trás, de susto. Na esquina adiante, cai uma viga, de um prédio em construção, na cabeça de uma criança. Morte, fatalidade. Para o governo é bom, um a menos para alimentar, para dar educação, saúde... Na verdade, se a criança não morresse, iria dar no mesmo: ficaria sem as condições básicas de sobrevivência do mesmo jeito.
Quem não busca a vida, quem não busca viver a vida, de fato, apenas sobreviverá. Neste cenário caótico aqui ilustrado. Agora, se você quiser viver...
quinta-feira, janeiro 18, 2007
Quantos anos de análise?
Parodiando Adão Iturrasgarai:
Puxar um samba e não saber cantá-lo inteiro - 5 anos de análise
Errar um verso de partido alto na roda de samba - 10 anos de análise
Passar uma tarde inteira escutando sambas do Cacique de Ramos - 100000000000000 anos de análise
terça-feira, janeiro 16, 2007
sábado, janeiro 13, 2007
A inspiração
Meu caro amigo
Vou lhe dizer algo do coração
Leve sempre contigo,
E não perca jamais, a inspiração
Porque ela é o nosso sentimento
Em arte transformada
É emoção
Em poesia transfigurada
Ela é para poucos
Deve ser aproveitada
Vem em pequenas doses
Que jamais devem ser desperdiçadas
Inspiração é emoção
Paixão, dor, amor
Derrete o gelo
Queima nosso peito com ardor
Por isso, meu caro amigo,
Aproveite estes momentos
Porque só assim,
Você pode transcrever seus belos sentimentos
Vou lhe dizer algo do coração
Leve sempre contigo,
E não perca jamais, a inspiração
Porque ela é o nosso sentimento
Em arte transformada
É emoção
Em poesia transfigurada
Ela é para poucos
Deve ser aproveitada
Vem em pequenas doses
Que jamais devem ser desperdiçadas
Inspiração é emoção
Paixão, dor, amor
Derrete o gelo
Queima nosso peito com ardor
Por isso, meu caro amigo,
Aproveite estes momentos
Porque só assim,
Você pode transcrever seus belos sentimentos
quinta-feira, janeiro 11, 2007
Nova geração do samba de São Paulo
Meus amigos na roda de samba. Eu sinto que eu tenho uma sorte danada de conviver com essa turma. É muita categoria. Com certeza, essa galera ainda vai dar muito o que falar na música popular brasileira. São eles: Edu Batata, Cacá Sorriso, Cebola, Alessandro Penezzi, Alê do Clarinete, Paula Sanches, Paulinho Timor, Dil Bandeco e Marcelo.
Aqui ainda temos a participação especial de Oswaldinho da Cuíca.
quarta-feira, janeiro 10, 2007
A menina levada e a censura
“Pô, eu uso Youtube para ver gols e lances polêmicos de futebol. Sou jornalista. Por causa de uma trepada de uma sem-vergonha, eu vou ficar privado de usar um site que me auxilia no meu trabalho?”. Como tantos, um amigo meu jornalista também se indignou ao ver o Youtube, site de compartilhamento de vídeos, fora do ar por causa de uma ação movida pelo namorado de Daniela Cicarelli.
Tudo começou quando, Daniela, muito fanfarrona, transou com seu namorado em uma praia da Espanha. Estando em um lugar público e sendo uma personalidade famosa (ela é ex-mulher de um dos maiores ídolos de lá, o nosso Ronaldo Fenômeno), ela estava sujeita às ações de um paparazzi qualquer. E foi o que aconteceu. Um cinegrafista captou as imagens e logo o mundo inteiro via as imagens na Internet.
O namorado da moça, Tato Malzoni, tratou de entrar na Justiça para retirar os vídeos de rede. Algo impossível já que em poucas horas o vídeo já se difundira como um vírus por todo mundo. No começo do ano, o juiz Lincon Antônio Andrade Moura, determinou que todos os sites que abrigassem o vídeo o tirassem do ar. Como no Youtube, isto é impossível, ele determinou que tirassem o Youtube do ar. Ou seja, censurou. Pela primeira vez em nossa história, a Internet foi censurada. Tudo por causa de uma farra de dois jovens inconseqüentes.
A Brasil Telecom e a Telefonica tiraram o Youtube do ar, privando muitas pessoas de trabalharem, como os jornalistas que dependem do Youtube para verem gols... A situação logo voltou ao normal, com o Youtube voltando a funcionar. Mas a polêmica ficou: este ato de censura abrirá novos precedentes?
Para quem não conhece (algo raro nos tempos de hoje), o Youtube é um site onde você pesquisa vídeos. Lá tem vídeo de programa de televisão antigo, trechos de filmes, vídeos amadores, vídeos de situações como a que viveu a apresentadora da MTV... Tem também, muitos e muitos vídeos de futebol. Para quem é boleiro é o paraíso. Você revê aqueles lances históricos do seu time... Vê gols de importantes finais... Vê tudo o que você imagina e tudo o que você nem imagina que vai ver. Outro dia, vi gols de todas as finais da Champions Legue desde 1981.
O Youtube é o site mais acessado do mundo. Tanto é que foi vendido para o Google pela bagatela de 1 bilhão e 650 milhões de dólares. Incomoda muita gente com seus vídeos, principalmente a indústria fonográfica e os estúdios de cinema, que não gostam de ver seus produtos disponíveis gratuitamente. Apesar disso, nenhum outro juiz do mundo mandou censurar o site. E olha que tem coisa bem pior do que o vídeo da Cicarelli por lá. Por exemplo, as imagens da execução de Saddam. Mas nós, brasileiros, por pouco não ficamos privados de ver o site. Tudo por causa de uma menina mimada que não que ninguém veja suas travessuras na praia.
domingo, dezembro 31, 2006
Ano Velho que vai, Ano Novo que vem

Ano velho que vai
Ano novo que vem
Hora de renovar as esperanças
E guardar na mente, só as belas lembranças
Esqueça os dissabores
Porque este ano, irão surgir novos amores
Deixe para trás os preconceitos, os rancores, as inimizades
Pois é tempo de alegria, de amor, felicidade
Que no Ano Novo não repita os erros do Ano Velho
Que os aprendizados do Ano Velho se consolidem no Ano Novo
Que tenhamos uma vida melhor
E um pouco mais de dignidade para o nosso povo.
sábado, novembro 11, 2006
Buraco Quente
Buraco Quente para mim era uma localização do Morro da Mangueira. Ali mesmo, onde começou o bate fundo, o baticundum. Ali onde Carlos Cachaça ensinou para o futuro mestre, então menino, Cartola, o que era o samba.
Mas não, olha que descoberta da vida! Descobri que "buraco quente" também é o nome de um lanchinho, estes sandubinhas de festa que o pão francês é um mini-pão francês. No pãozinho você faz um buraco e enche de carne moída bem temperatinha, com aquele molho esperto. Taí. Um Buraco Quente.
Mas não, olha que descoberta da vida! Descobri que "buraco quente" também é o nome de um lanchinho, estes sandubinhas de festa que o pão francês é um mini-pão francês. No pãozinho você faz um buraco e enche de carne moída bem temperatinha, com aquele molho esperto. Taí. Um Buraco Quente.
segunda-feira, outubro 16, 2006
É melhor viver do que apenas sobreviver
É bem melhor sorrir do que chorar
E cantar a ficar calado
Muito melhor é brincar do que brigar
E se divertir a se emburrar
Não é preferível ser feliz do que ser triste?
Verdadeiro a mentiroso?
Sincero a enganador?
É muito melhor escutar uma boa música
A um barulho qualquer
É também melhor estar entre gente querida
Do que estar entre inimigos
É melhor se emocionar vivendo
Do que viver apenas para ter
É melhor ter uma vida simples e sorrir
Do que estar no ouro e chorar de tristeza
É melhor viver os dias
A se rastejar atrás do dinheiro dia-a-dia
É melhor viver do que apenas sobreviver
E cantar a ficar calado
Muito melhor é brincar do que brigar
E se divertir a se emburrar
Não é preferível ser feliz do que ser triste?
Verdadeiro a mentiroso?
Sincero a enganador?
É muito melhor escutar uma boa música
A um barulho qualquer
É também melhor estar entre gente querida
Do que estar entre inimigos
É melhor se emocionar vivendo
Do que viver apenas para ter
É melhor ter uma vida simples e sorrir
Do que estar no ouro e chorar de tristeza
É melhor viver os dias
A se rastejar atrás do dinheiro dia-a-dia
É melhor viver do que apenas sobreviver
segunda-feira, outubro 09, 2006
Na vitrola do Piruca - Henricão
NA VITROLA DO PIRUCA
Henricão - Recomeço
Não vou começar a escrever sobre este disco sem antes contar como esta obra-prima foi parar em minhas mãos.
Eu já havia escutado alguns sambas ótimos dele nas rodas de samba e aí descolei o CD dele do Ensaio da Cultura. No encarte, li a respeito um disco solo que ele havia lançado. Na hora, lembrei que este disco havia passado pelas minhas mãos num sebo. No mesmo dia, fui ao tal sebo. Cheguei na hora de fechar a casa e tive procurar correndo a preciosidade. Achei. 8 contos.
Chegando em casa, escutei a relíquia. Aí minha felicidade foi completa. Arranjos primorosos, privilegiando a harmonia dos violões e do cavaquinho. O ritmo bem cadenciado com o surdo entrando sempre na hora certa.
As músicas são obras-primas. “Está chegando a hora” é um hino dos estádios de futebol de hoje. Era uma música mexicana (“Cielito Lindo”) que Henricão, sabiamente, adaptou em forma de samba. “Carmelito” é um antigo tango (“Camiñito”) que também virou samba. Estas duas faixas contam com a participação de Carmem Costa, que dividia os microfones com o sambista paulista nas rádios paulistanas nos anos 40.
O samba “Não faça hora”, feito em parceria Caco Velho, eu conheci nas rodas. É um samba paulistaníssimo, que faz referência ao famoso relógio da praça da Sé.
As parcerias mais constantes (inclusive as duas adaptações já citadas) são com Rubens Campos. Mas também assinam parceria com Henricão, os sambistas Raul Márquez e Bucy Moreira, além de José Alcides, Dêdê, Vitor Gonçalves e Caco Velho.
Os sambas são sempre muito cadenciados e diferente dos sambas cariocas. Têm uma característica bem própria as composições dele, inclusive as parcerias com os malandros Bucy e Raul Márquez.
Há no disco, ainda, uma marcha-rancho (“Andorinha”), uma batucada (“Saravá Umbanda”). Porém, o mais surpreendente mesmo, para mim, foi a letra que Henricão colocou, no maravilhoso choro “Sons de Carrilhões” de João Pernambuco. Vale a pena transcrever:
Sons de Carrilhões (João Pernambuco/ Henricão)
“Meu grande amor, eu vou partir
Sei que saudade irá sentir
Pois eu fiz tudo para lhe agradar
Me faz sofrer, me faz penar
Quando distante, eu estiver
Pode pensar o que quiser
Pode dizer que eu fui louco em deixar
Este meu divino lar
Mas pra que viver com quem não quer viver
Eu sempre fui sacrificado em pró do seu pudor
Pelo amor do nosso amor
Mas você sempre fingiu não compreender
O que passou na minha vida
Foi um sonho meu desiludido
O meu amor ardeu”
É isso aí. Paulista também faz samba de primeira.
Henricão - Recomeço
Não vou começar a escrever sobre este disco sem antes contar como esta obra-prima foi parar em minhas mãos.
Eu já havia escutado alguns sambas ótimos dele nas rodas de samba e aí descolei o CD dele do Ensaio da Cultura. No encarte, li a respeito um disco solo que ele havia lançado. Na hora, lembrei que este disco havia passado pelas minhas mãos num sebo. No mesmo dia, fui ao tal sebo. Cheguei na hora de fechar a casa e tive procurar correndo a preciosidade. Achei. 8 contos.
Chegando em casa, escutei a relíquia. Aí minha felicidade foi completa. Arranjos primorosos, privilegiando a harmonia dos violões e do cavaquinho. O ritmo bem cadenciado com o surdo entrando sempre na hora certa.
As músicas são obras-primas. “Está chegando a hora” é um hino dos estádios de futebol de hoje. Era uma música mexicana (“Cielito Lindo”) que Henricão, sabiamente, adaptou em forma de samba. “Carmelito” é um antigo tango (“Camiñito”) que também virou samba. Estas duas faixas contam com a participação de Carmem Costa, que dividia os microfones com o sambista paulista nas rádios paulistanas nos anos 40.
O samba “Não faça hora”, feito em parceria Caco Velho, eu conheci nas rodas. É um samba paulistaníssimo, que faz referência ao famoso relógio da praça da Sé.
As parcerias mais constantes (inclusive as duas adaptações já citadas) são com Rubens Campos. Mas também assinam parceria com Henricão, os sambistas Raul Márquez e Bucy Moreira, além de José Alcides, Dêdê, Vitor Gonçalves e Caco Velho.
Os sambas são sempre muito cadenciados e diferente dos sambas cariocas. Têm uma característica bem própria as composições dele, inclusive as parcerias com os malandros Bucy e Raul Márquez.
Há no disco, ainda, uma marcha-rancho (“Andorinha”), uma batucada (“Saravá Umbanda”). Porém, o mais surpreendente mesmo, para mim, foi a letra que Henricão colocou, no maravilhoso choro “Sons de Carrilhões” de João Pernambuco. Vale a pena transcrever:
Sons de Carrilhões (João Pernambuco/ Henricão)
“Meu grande amor, eu vou partir
Sei que saudade irá sentir
Pois eu fiz tudo para lhe agradar
Me faz sofrer, me faz penar
Quando distante, eu estiver
Pode pensar o que quiser
Pode dizer que eu fui louco em deixar
Este meu divino lar
Mas pra que viver com quem não quer viver
Eu sempre fui sacrificado em pró do seu pudor
Pelo amor do nosso amor
Mas você sempre fingiu não compreender
O que passou na minha vida
Foi um sonho meu desiludido
O meu amor ardeu”
É isso aí. Paulista também faz samba de primeira.
domingo, outubro 01, 2006
Eleições 2006
Daqui a pouco vou lá na PUC votar
Em quem será que eu voto? No sujo, no mal-lavado ou na arrumadinha?
E para deputado? No Partido da Trapaça, no Partido do Trambique ou no Partido da Tramóia?
E olha que quatro anos atrás estávamos eufóricos com o mal-lavado na Presidência.
Agora é só lamentar pois ninguém presta.
quarta-feira, setembro 06, 2006
A gana pela grana
Com esta gana
Você até pode chegar à fama
Vai ter muita grana
Mas seus pés vão ficar atolados na lama
No calor, até com notas de cem, você se abana
E depois as esconde debaixo da cama
É bom ter muita grana
Só tome cuidado com a lama
Seu banco, dinheiro dos outros afana
O poder é tudo que você mais ama
Está atolado em tanta grana
Mas, mais atolado ainda, está na lama
Comprar mansões é como comprar banana
Também compra a mais bela dama
Porém, graças a este amontoado de grana
Não consegue tirar os pés da lama
É corrupto, mas nunca vai em cana
Nem pensa nisto, pois só pensar já é um drama
Você vive iludido com esta grana
E nunca mais vai sair deste mar de lama
Você até pode chegar à fama
Vai ter muita grana
Mas seus pés vão ficar atolados na lama
No calor, até com notas de cem, você se abana
E depois as esconde debaixo da cama
É bom ter muita grana
Só tome cuidado com a lama
Seu banco, dinheiro dos outros afana
O poder é tudo que você mais ama
Está atolado em tanta grana
Mas, mais atolado ainda, está na lama
Comprar mansões é como comprar banana
Também compra a mais bela dama
Porém, graças a este amontoado de grana
Não consegue tirar os pés da lama
É corrupto, mas nunca vai em cana
Nem pensa nisto, pois só pensar já é um drama
Você vive iludido com esta grana
E nunca mais vai sair deste mar de lama
quinta-feira, agosto 10, 2006
Eterno

As palavras vêm para o papel da mesma maneira que uma emoção brota do peito.
Quando um sentimento invade o peito nosso, não há razão que se possa segurar.
Surgem palavras, surgem melodias, trabalhadas com muita inspiração
Para que a eternidade deste sublime momento torne-se perene.
E isso não há quem apague.
Morre o dia, vira a lua, muda-se de estação e esta emoção representada em formas triunfais fica.
E permanecendo em seu estado puro, esta emoção também emociona.
Vivemos para isso.
Poesia, música, arte, emoção.
Isto fica.
Nada é mais recompensador do que cantar um samba feito nas asas da poesia e da linda melodia.
Quando a cuíca chora e a batida do surdo pulsa como um coração, o violão faz o bordão, esperando o floreado do cavaquinho.
Fecho os olhos, canto um samba meu.
Posso morrer no momento seguinte.
A realização é plena e nada é mais gostoso na vida do que isso.
Salve.
foto: http://www.vivabrasil.it/quincas/foto/Pandeiro.JPG
segunda-feira, julho 24, 2006
Chega de brincadeira
A medida que o tempo passa, as coisas vão ficando mais sérias. Acabou o tempo de brincadeiras sem fim. A cada dia, a cada semana, a cada lua, mais você progride ou mais você fica estancado no mesmo lugar.
Viva progressivamente. Aprenda, ensine, compartilhe, viva.
Ficar parado assim, não dá. Reflita e aja. Basta uma atitude. Força. Não se cansa de ver os dias passarem e você ficar aí, no mesmo lugar?
Ah, esqueci. O problema não é apenas se desenvolver. O problema é o dinheiro. Ele faz você se rastejar e se limitar, né? Você deixa de se realizar porque precisa sobreviver de outra maneira.
Pois é. Sem brincadeiras. Vai ganhar dinheiro com o que você gosta. Deve ser bom gostar de ser político corrupto. Ganha dinheiro fácil fazendo o que se gosta.
Talvez seja típico da idade. Juventude. Tempos de felicidade incondicional.
Vai fazer o teu papel neste mundão. Qual é?
Busca a cultura.
Busca o verdadeiro Brasil.
Acho que é mais ou menos isso.
Viva progressivamente. Aprenda, ensine, compartilhe, viva.
Ficar parado assim, não dá. Reflita e aja. Basta uma atitude. Força. Não se cansa de ver os dias passarem e você ficar aí, no mesmo lugar?
Ah, esqueci. O problema não é apenas se desenvolver. O problema é o dinheiro. Ele faz você se rastejar e se limitar, né? Você deixa de se realizar porque precisa sobreviver de outra maneira.
Pois é. Sem brincadeiras. Vai ganhar dinheiro com o que você gosta. Deve ser bom gostar de ser político corrupto. Ganha dinheiro fácil fazendo o que se gosta.
Talvez seja típico da idade. Juventude. Tempos de felicidade incondicional.
Vai fazer o teu papel neste mundão. Qual é?
Busca a cultura.
Busca o verdadeiro Brasil.
Acho que é mais ou menos isso.
quinta-feira, julho 20, 2006
Marcola, Geraldo e outros bandidos
Vivemos num período pós-Copa e pré-eleições.
Neste meio tempo, temos a guerrilha urbana.
O careca fala que é culpa dos vermelhos.
Os vermelhos (um tanto desbotados, quase cor-de-rosa) culpam os verdadeiros culpados.
Culpados estes que governam o estado há tanto tempo.
E essa fase de terror te assusta?
Te deixa amedrontado em casa?
Faz você repensar suas atitudes?
Eu não.
Para mim existem vários tipos de criminosos.
Os do Primeiro Comando da Capital são os mais inofensivos.
Fazem alarde, mas são anjos pertos dos bandidos do Comando da Capital do Brasil.
Fogo no ônibus não é pior do que descaso com educação
Banco metralhado não é pior do que fome generalizada.
O Marcola não é pior do que nossos "honestos" políticos.
Burgusia fétida, tremei de medo.
Vocês vivem enjaulados
Vivem numa ilusão
Vivem de olhos fechados.
Abram logo
Pode ser tarde demais.
Neste meio tempo, temos a guerrilha urbana.
O careca fala que é culpa dos vermelhos.
Os vermelhos (um tanto desbotados, quase cor-de-rosa) culpam os verdadeiros culpados.
Culpados estes que governam o estado há tanto tempo.
E essa fase de terror te assusta?
Te deixa amedrontado em casa?
Faz você repensar suas atitudes?
Eu não.
Para mim existem vários tipos de criminosos.
Os do Primeiro Comando da Capital são os mais inofensivos.
Fazem alarde, mas são anjos pertos dos bandidos do Comando da Capital do Brasil.
Fogo no ônibus não é pior do que descaso com educação
Banco metralhado não é pior do que fome generalizada.
O Marcola não é pior do que nossos "honestos" políticos.
Burgusia fétida, tremei de medo.
Vocês vivem enjaulados
Vivem numa ilusão
Vivem de olhos fechados.
Abram logo
Pode ser tarde demais.
sexta-feira, abril 07, 2006
Jair e as flores
“Quando eu passo perto das flores
Quase eles dizem assim
Vai que amanhã enfeitaremos o seu fim”
É, seu Jair, esse samba seu e do Nelson é antigo. Seu parceiro se foi e teve as flores em vida. Agora você também foi. As flores que enfeitam seu fim alegraram sua vida.
Que honra tive eu de poder te conhecer, Jair. Nunca me esqueço daquele dia em que você me falou sobre a Portela antiga. Pois é, você era o sócio número 1, o mais velho da Velha Guarda, contemporâneo do Mestre Paulo. E ainda assim, atravessou o século, chegando até este fatídico 6 de abril de 2006, o dia em que finalmente as flores enfeitaram seu fim.
Escutei muito você nestes últimos dias. Você já estava internado, mas eu não sabia... Nestes dias escutei muito “Os Cinco Crioulos”. Neste instante mesmo escuto você cantando o samba “Vaidosa” do Herivelto Martins. Estou triste pela sua ida, Jair. Gosto muito dos seus sambas, da sua palhetada (a mais veloz do samba, segundo Jacob do Bandolim), da sua voz...
Você se foi. Mas foi um vencedor. Um negro pobre e suburbano normalmente não consegue se consagrar. Apenas os boleiros e os grandes sanbistas como vocês, da gloriosa Velha Guarda da Portela, que agora está de luto. Você venceu já nos anos 60, quando integrou o “Rosas de Ouro”, o “Voz do Morro” e o “Cinco Crioulos”. Estes conjuntos resgataram o samba e você fez parte dessa época histórica.
Já velhinho, gravou o seu único disco solo. Você e seu cumpádi Argemiro. Ambos esperaram a consagração final antes de darem seus suspiros finais.
Mas tudo bem. Tem muita gente bamba aí com você, aí em cima. Você vai rever o Paulo, o Alvaiade, o João da Gente e toda a turma da Portela, o Nelson, o Cartola, o Mauro, o João Nogueira, o Silas, o Mano Décio... O pagode deve estar caprichado. Vai lá. Pega seu cavaquinho, chega na roda de mansinho, com seu miudinho, e capricha na palhetada. Aqui, as flores enfeitam seu fim e a saudade já é enorme.
Quase eles dizem assim
Vai que amanhã enfeitaremos o seu fim”
É, seu Jair, esse samba seu e do Nelson é antigo. Seu parceiro se foi e teve as flores em vida. Agora você também foi. As flores que enfeitam seu fim alegraram sua vida.
Que honra tive eu de poder te conhecer, Jair. Nunca me esqueço daquele dia em que você me falou sobre a Portela antiga. Pois é, você era o sócio número 1, o mais velho da Velha Guarda, contemporâneo do Mestre Paulo. E ainda assim, atravessou o século, chegando até este fatídico 6 de abril de 2006, o dia em que finalmente as flores enfeitaram seu fim.
Escutei muito você nestes últimos dias. Você já estava internado, mas eu não sabia... Nestes dias escutei muito “Os Cinco Crioulos”. Neste instante mesmo escuto você cantando o samba “Vaidosa” do Herivelto Martins. Estou triste pela sua ida, Jair. Gosto muito dos seus sambas, da sua palhetada (a mais veloz do samba, segundo Jacob do Bandolim), da sua voz...
Você se foi. Mas foi um vencedor. Um negro pobre e suburbano normalmente não consegue se consagrar. Apenas os boleiros e os grandes sanbistas como vocês, da gloriosa Velha Guarda da Portela, que agora está de luto. Você venceu já nos anos 60, quando integrou o “Rosas de Ouro”, o “Voz do Morro” e o “Cinco Crioulos”. Estes conjuntos resgataram o samba e você fez parte dessa época histórica.
Já velhinho, gravou o seu único disco solo. Você e seu cumpádi Argemiro. Ambos esperaram a consagração final antes de darem seus suspiros finais.
Mas tudo bem. Tem muita gente bamba aí com você, aí em cima. Você vai rever o Paulo, o Alvaiade, o João da Gente e toda a turma da Portela, o Nelson, o Cartola, o Mauro, o João Nogueira, o Silas, o Mano Décio... O pagode deve estar caprichado. Vai lá. Pega seu cavaquinho, chega na roda de mansinho, com seu miudinho, e capricha na palhetada. Aqui, as flores enfeitam seu fim e a saudade já é enorme.
quarta-feira, março 29, 2006
O tudo, o nada e o algo
Quando o nada torna-se algo
Este algo torna-se tudo
E tudo para uns
Pode ser nada para outros
Mas nada já é algo
Ao ser alguma coisa
Porque a ausência já não é nada
E sim algo
Algo não muito palpável
Algo não muito sensível
Mas algo
E algo me diz
Que este nada primordial em minha mente
Já virou palavras e mais palavras
Nada me faz parar
Tudo me faz continuar
Até que algo possa me mostrar
Que o tudo e o nada
São a mesma coisa
Nada mais do que
Duas faces da mesma moeda
Este algo torna-se tudo
E tudo para uns
Pode ser nada para outros
Mas nada já é algo
Ao ser alguma coisa
Porque a ausência já não é nada
E sim algo
Algo não muito palpável
Algo não muito sensível
Mas algo
E algo me diz
Que este nada primordial em minha mente
Já virou palavras e mais palavras
Nada me faz parar
Tudo me faz continuar
Até que algo possa me mostrar
Que o tudo e o nada
São a mesma coisa
Nada mais do que
Duas faces da mesma moeda
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