Volto a escrever sobre o carnaval com samba de verdade na TV Cultura. Foi só falar que eu ia escutar um CD da Cristina que ela surgiu. E surgiu no coro da Teresa Cristina. E fez um dueto com ela no samba da Velha Guarda da Portela, Se tu fores na Portela. O arranjo musical do show da Teresa é perfeito: uma roda de samba. Eu não consigo entender de onde vem a idéia de colocar baixo e bateria no samba.
Mas o melhor veio depois. Uma roda de samba típica, com cerveja gelada e tudo, com Zézinho do Morro, Talismã, Zeca da Casa Verde, Geraldo Filme e Silvio Modesto.Só os sambistas dantiga de São Paulo. Linda poesia, linda melodia, energia do samba total. Não se deve levar em consideração a afirmação de Vinicius de Morais de que São Paulo é o tumulo do samba. Ele não sabe muito a respeito de samba. Falou até que o samba era baiano e não carioca. Devia estar um tanto bebo de uísque.
São Paulo tem sambistas de primeira. Como Germano Mathias e Oswaldinho da Cuíca que tocaram depois. Mas logo vieram os malas do Quinteto em Preto e Branco. Se acham muito para o que eles chão. Deviam ficar em seus lugares ao invés de ficar pedindo palmas e coros. Nota-se que suas composições são fortemente influenciadas pelo pessoal do “pagode” do Cacique. Lamentável. Os irmãos brancos, de Santo Amaro, deveriam freqüentar o Morro das Pedras. Preferem ficar nesta de tocar “pagodinho”.
Felizmente a noite de samba seguiu com mais samba de primeira: Dona Ivone Lara e Bezerra em shows recentes do Bem Brasil. Não preciso discorrer sobre estes dois sambistas. São lendas. E com samba se fez mais um sábado de Carnaval.
domingo, fevereiro 26, 2006
No Carnaval
“No Carnaval, não vou mais sair sorrindo...” dizia Elton Medeiros. Com razão. Ainda mais agora que os desfiles das escolas de samba viraram, assim como o futebol, mais um produto da Globo.
O carnaval do luxo e do espetáculo não se faz mais com samba. Existe tudo nos desfiles da Globo, menos samba.
E eu em casa num sábado triste de carnaval encontrei uma programação de samba (o verdadeiro!) na Cultura. Logo de cara, um show da rainha Quelé, nossa grande Clementina de Jesus. Quanta diferença entre um samba da antiga com a esculhambação rítmica que se tornou uma escola de samba. No desfile de São Paulo tinha um puxador que falava “Tira o pé do chão!”. Cartola deve ter remexido no túmulo. Para ele um desfile de escola de verdade era aquele que se escutava o arrastar da sandália na avenida.
“Arrasta a sandália aí, morena”
“Arrasta a sandália aí, morena”
E não “Tira o pé do chão”
Os sambas-enredo foram tomando uma forma absurda. Ele tem de ser bem fácil (pobre) para colar na cabeça. E tem de falar de alguma coisa financiável. A Mangueira ganhou quinhentos mil reais do Governo do Ceará para falar sobre o Rio São Francisco. O problema é que o carnaval local é pobre e quase não teve investimento público.
Isso quando os enredos não chegam ao absurdo de homenagear o Beto Carrero, a Xuxa... A Velha Guarda da Portela deve sentir falta do tempo em que se desfilavam com sambas de improviso na avenida. Uma época em que a festa era pobre, mas era brasileira, espontânea. Hoje é apenas mais um produto na estante da Globo. Um produto para ser passado depois da novela (ou do Big Brother), assim como o Campeonato Brasileiro de futebol e o show dos Rolling Stones.
E ao passo que mais um capítulo da degeneração cultural brasileira se escreve neste carnaval de 2006, vejo na televisão a grande Clementina cantando partido alto. Logo depois veio o Black-Out e o Zé Kéti, a voz do morro, emérito compositor portelense.
Black-Out, ou simplesmente Blecaute, é uma figura que se perdeu nos dias de hoje: o cantador de marchinhas. Hoje em dia os nomes do carnaval são outros. Nada de Ary Barroso, Lamartine Babo, Carmem Miranda, Blecaute... Hoje os nomes são Ivete Sangalo, Daniela Mercury e Chiclete com Banana.
Fizeram até um concurso de marchinhas, mas não adianta. Tem coisa que não se muda de um dia para o outro. Os neo-foliões não querem saber de musica boa. Querem pular. “Tira o pé do chão!”. Não brincam mais no carnaval.
E o samba esquecido então, hein? Gente que é lenda do carnaval está esquecida. Nossas velhas guardas esquecidas e o Bono Vox ovacionado na Bahia. O Paulo da Portela no esquecimento e DJs tocando suas pick-ups em pleno Carnaval de Salvador. Até funk vai tocar no Carnaval... E o samba? Só na TV.
Próximo bloco: Zeca Pagodinho e sua turma do Cacique. Escuto bateria e baixo. Poderia ter passado sem essa, Zeca. Gosto mais quando você faz versos de improviso com Paulinho da Viola.
E por falar no Paulinho, acho que ele só sai amanhã, num especial sobre samba de terreiro que a Cultura vai passar as 20 horas. Já vi este programa e vou ver de novo. Chama-se “Enredos”. Muito bom.
//////////
Agoniza mas não morre. E assim vai sobrevivendo nosso samba, filho do maxixe e do batuque, neto da polca, da habanera e do lundu, primo do jongo e do samba de roda. Nossa maior expressão cultural na área musical encontra-se por baixo. A moda é o funk, o axé, a música eletrônica, o forró universitário e até o reggae...
A indústria cultural chegou tarde para o samba. Encontrou seu filho bastardo, o “pagode” (não confundir com a expressão original, que significa festa de samba), e popularizou o gênero errado.
Infelizmente a moçada conhece o grupo Revelação e não sabe nem quem foi o mestre Candeia. Tampouco sabem que existe um gênio, uma lenda viva da música popular brasileira, chamado Wilson Moreira Serra.
Vou encerrar este lamento e ficar apenas curtindo o meu samba. Esse “pagodinho”do Zeca já está me irritando. Vou escutar um CD da Cristina Buarque até que um samba de verdade voltar a invadir a telinha.
O carnaval do luxo e do espetáculo não se faz mais com samba. Existe tudo nos desfiles da Globo, menos samba.
E eu em casa num sábado triste de carnaval encontrei uma programação de samba (o verdadeiro!) na Cultura. Logo de cara, um show da rainha Quelé, nossa grande Clementina de Jesus. Quanta diferença entre um samba da antiga com a esculhambação rítmica que se tornou uma escola de samba. No desfile de São Paulo tinha um puxador que falava “Tira o pé do chão!”. Cartola deve ter remexido no túmulo. Para ele um desfile de escola de verdade era aquele que se escutava o arrastar da sandália na avenida.
“Arrasta a sandália aí, morena”
“Arrasta a sandália aí, morena”
E não “Tira o pé do chão”
Os sambas-enredo foram tomando uma forma absurda. Ele tem de ser bem fácil (pobre) para colar na cabeça. E tem de falar de alguma coisa financiável. A Mangueira ganhou quinhentos mil reais do Governo do Ceará para falar sobre o Rio São Francisco. O problema é que o carnaval local é pobre e quase não teve investimento público.
Isso quando os enredos não chegam ao absurdo de homenagear o Beto Carrero, a Xuxa... A Velha Guarda da Portela deve sentir falta do tempo em que se desfilavam com sambas de improviso na avenida. Uma época em que a festa era pobre, mas era brasileira, espontânea. Hoje é apenas mais um produto na estante da Globo. Um produto para ser passado depois da novela (ou do Big Brother), assim como o Campeonato Brasileiro de futebol e o show dos Rolling Stones.
E ao passo que mais um capítulo da degeneração cultural brasileira se escreve neste carnaval de 2006, vejo na televisão a grande Clementina cantando partido alto. Logo depois veio o Black-Out e o Zé Kéti, a voz do morro, emérito compositor portelense.
Black-Out, ou simplesmente Blecaute, é uma figura que se perdeu nos dias de hoje: o cantador de marchinhas. Hoje em dia os nomes do carnaval são outros. Nada de Ary Barroso, Lamartine Babo, Carmem Miranda, Blecaute... Hoje os nomes são Ivete Sangalo, Daniela Mercury e Chiclete com Banana.
Fizeram até um concurso de marchinhas, mas não adianta. Tem coisa que não se muda de um dia para o outro. Os neo-foliões não querem saber de musica boa. Querem pular. “Tira o pé do chão!”. Não brincam mais no carnaval.
E o samba esquecido então, hein? Gente que é lenda do carnaval está esquecida. Nossas velhas guardas esquecidas e o Bono Vox ovacionado na Bahia. O Paulo da Portela no esquecimento e DJs tocando suas pick-ups em pleno Carnaval de Salvador. Até funk vai tocar no Carnaval... E o samba? Só na TV.
Próximo bloco: Zeca Pagodinho e sua turma do Cacique. Escuto bateria e baixo. Poderia ter passado sem essa, Zeca. Gosto mais quando você faz versos de improviso com Paulinho da Viola.
E por falar no Paulinho, acho que ele só sai amanhã, num especial sobre samba de terreiro que a Cultura vai passar as 20 horas. Já vi este programa e vou ver de novo. Chama-se “Enredos”. Muito bom.
//////////
Agoniza mas não morre. E assim vai sobrevivendo nosso samba, filho do maxixe e do batuque, neto da polca, da habanera e do lundu, primo do jongo e do samba de roda. Nossa maior expressão cultural na área musical encontra-se por baixo. A moda é o funk, o axé, a música eletrônica, o forró universitário e até o reggae...
A indústria cultural chegou tarde para o samba. Encontrou seu filho bastardo, o “pagode” (não confundir com a expressão original, que significa festa de samba), e popularizou o gênero errado.
Infelizmente a moçada conhece o grupo Revelação e não sabe nem quem foi o mestre Candeia. Tampouco sabem que existe um gênio, uma lenda viva da música popular brasileira, chamado Wilson Moreira Serra.
Vou encerrar este lamento e ficar apenas curtindo o meu samba. Esse “pagodinho”do Zeca já está me irritando. Vou escutar um CD da Cristina Buarque até que um samba de verdade voltar a invadir a telinha.
Samba Sincopado
Viva o samba sincopado. Senão fosse a sincopa, a melodia deste samba estaria comprometida. Arrisco dizer que sem ela, este samba não existiria. Salve Geraldo Pereira!!!
Esta letra foi escrita há algum tempo por mim. Encontrei na minha gaveta e levei na casa do Iuri para fazermos a melodia. Saiu.
Vaguei (André/Iuri)
De tanto esperar, cansei
O que desejava, não alcancei
Agora já não sei
O que quero para mim
Pela estrada do amor, vaguei
Mas no caminho da desilusão, entrei
Tentei voltar, mas tudo que achei
Foi uma tristeza sem fim
Mas com simplicidade
E muita naturalidade
A esperada felicidade, vem
E aquela saudade
Que meu peito invade
Vai embora deixando liberdade
Que muito me faz bem
Esta letra foi escrita há algum tempo por mim. Encontrei na minha gaveta e levei na casa do Iuri para fazermos a melodia. Saiu.
Vaguei (André/Iuri)
De tanto esperar, cansei
O que desejava, não alcancei
Agora já não sei
O que quero para mim
Pela estrada do amor, vaguei
Mas no caminho da desilusão, entrei
Tentei voltar, mas tudo que achei
Foi uma tristeza sem fim
Mas com simplicidade
E muita naturalidade
A esperada felicidade, vem
E aquela saudade
Que meu peito invade
Vai embora deixando liberdade
Que muito me faz bem
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
Rio

Numa cidade linda eu fui parar certo dia. Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Que cenário encantador, que maravilha!
Certa vez me disseram que o Rio de Janeiro continuava lindo e que lá as pessoas respiravam alegria e vida. Mas também me disseram que lá existia uma guerra civil. E aqui em São Paulo não? Nós, cidadãos do Terceiro Mundo vivemos no inferno. Que diferença faz um viver em um inferno feio e um inferno bonito. Eu prefiro viver num lugar perigoso bonito do que num lugar perigoso feio.
Viver em São Paulo tem suas muitas vantagens. Uma delas é estar no umbigo da América Latina. Mas viver em uma selva de pedras é terrível. Eu quero é ir pra praia tomar uma brisa, subir o morro pra entrar numa floresta e meditar...
São Paulo, minha querida cidade, o que fizeram com você? De uma cidadela agradável, virou uma monstruosidade feita de concreto e aço. Depois que eu terminar minha missão aqui, eu vou te deixar. Minha missão é resgatar a história dos velhos sambistas da Paulicéia. Depois eu quero viver um pouco no berço do samba.
Isso me fez lembra de um partido alto que fiz com o Iuri, meu parceiro no samba e na vida, em algum bar das redondezas da faculdade. Era assim: “Se hoje faz frio lá no Sul/ na Bahia, o calor te deixa a toa/ tem o samba da cidade maravilhosa/ mas eu nasci aqui na terra da garoa”.
Rio de Janeiro é onde a cultura floresceu no Brasil. Onde a musica popular se fez. Lá no Rio está nossas raízes bantas. E na Bahia nossas raízes iorubás. Do negro banto se fez a macumba que se dessacralizou-se e deu no samba. Na Bahia, os iorubás fizeram o candomblé, uma religião muito forte assim permanece até hoje.
O Brasil está lá e é por isso que, depois de cumprida minha missão, eu vou partir para lá.
-/-
Na vitrola do Piruca:
Paulinho da Viola / Memórias Cantando
Primeira parte de seu álbum de memórias (o segundo é o Memórias Chorando, só com choros) de 1976. Este disco eu comprei num sebo por dois contos e ficou muito tempo encostado porque eu tinha muitos discos e CDs para escutar. Até que um dia eu coloquei pra ouvir e simplesmente não parei mais de ouvir. Quem me conhece sabe que quando eu bitolo em um disco eu fico meses a fio sem tirar da vitrola.Neste álbum, Paulinho canta músicas que tem um significado especial para ele. Três sambas não são dele. São sambas que ele ouvia quando era criança nas rodas de samba promovidas por seu pai. Sambas lindos com poesias divinas: Pra que mentir (Noel Rosa e Vadico), Nova Ilusão (Claudionor Cruz e Pedro Caetano) e Mente ao meu coração (F. Maltafiano).
Destes três, um é especialmente espetacular.
Nova Ilusão (F. Maltafiano)
É de teus olhos a luz
Que ilumina e conduz
Minha nova ilusão
É nos teus olhos que eu vejo
O amor, o desejo
Do meu coração
És um poema na terra
Uma estrela no céu
Um tesouro no mar
És tanta felicidade
Que nem a metade
Consigo exaltar
Se um beija-flor descobrisse
A doçura e a meiguisse
Que os teus lábios têm
Jamais roçaria as asas breijeiras
Por entre roseiras
Em jardins de ninguém
Ó dona dos sonhos
Ilusão concebida
Surpresa que é vida
Me fez das mulheres
Há no meu coração
Uma flor em botão
Que abrirá se quiseres
Poesia espetacular, não?
As músicas do Paulinho são lindas como todas as outras deste gênio da musica popular brasileira. E não só do samba. Aliás, eu não sei como o Paulinho não tem o mesmo reconhecimento dos grandes da MPB. Mas isto é assunto pra outro momento.
Vou deixar a letra de uma pérola sua deste disco.
Cantando (Paulinho da Viola)
Lembra daquele tempo
Quando não existia maldade entre nós
Risos, assuntos de vento
Pequenos poemas que foram perdidos momentos depois
Hoje sabemos dos sofrimentos
Tendo no rosto, no peito e nas mãos
Uma dor conhecida
Vivemos, estamos vivendo
Lutando pra justificar as nossas vidas
Cantando um novo sentido, uma nova alegria
Se foi desespero, hoje é sabedoria
Se foi fingimento, hoje é sinceridade
Lutando, ‘que não há sentido de outra maneira
Uma vida não é brincadeira
E só deste jeito é a felicidade
Há um partido alto (Perdoa) versado com seu grande e genial parceiro Elton Medeiros que tambem assina a parceira do samba Dívidas na faixa 4 do lado A. Destaque para a maluca parceira com Sérgio Natureza (Vela no Breu) e para a nova versão de seu samba Coisas do mundo minha nega, considerada por ele seu melhor samba.
Os músicos também são de primeira. Nos violões, César Faria, seu pai, e Cristóvão Bastas. No cavaquinho, próprio Paulinho do Cavaquinho. No baixo, Dininho, filho do mestre Dino 7 Cordas. Na bateria, Hércules. Na flauta, Copinha. No bandolim, seu irmão mais novo, Chiquinho. E no ritmo, Elton Medeiros, Rafael, Chaplin, Jorginho, Elizeu, Marçal, Dazinho. E não pense que a bateria e o baixo descaracterizaram o samba, porque o Pulinho sempre gravou com eles e sempre ficou bom. Este é um timaço.
Um disco cativante, que já está na minha vitola há dois meses.
segunda-feira, fevereiro 06, 2006
Alegria me invade
Aí vai o primeiro sambinha de 2006.Toda vez que eu canto um samba
Alegria me invade
Que felicidade
Improvisar com os meus cumpádis
A mocidade feliz
E a batucada caprichada, anima a rapaziada
Põe todo mundo a cantar
Antigamente não era diferente
O samba é uma corrente
Que nunca vai se quebrar
__
Poucas coisas são tão emocionantes como estar em uma roda de samba. Cantar com gosto, soltar a voz, batucar e sambar. Improvisar nos versos, fazer aquele coro bonito... Como é bonito o violão fazendo o bordão e o cavaquinho segurando a cozinha... As baixarias do violão e o floreado do cavaco, isto é o fino da música popular universal.
A cozinha é a alma. Tamborim e agogô. Pandeiros. O surdo, o coração do samba. A cuíca, o diferencial. O atabaque, que nos traz às raízes do batuque, às raízes africanas. O ritmo brasileiro é mágico, tem feitiço.
É por isso que eu vivo no samba.
E relembrando Paulinho, “Eu canto samba porque só assim eu me sinto contente, eu vou ao samba porque longe dele eu não posso viver...”
Ilustração: Denise Carlos Pereira de Carvalho
Um pequeno texto revoltado de um louco habitante deste mundáo maluco
A embriaguez alivia, faz esquecer e tornam as dificuldades simples bobagens. O estado torpe é ideal para uma fuga. É muito fácil e gostoso ficar louco e deixar tudo para trás... Não é o que a sociedade prega, mas será que valeria a pena viver sem as alterações de consciência?
O mundo já não é rude demais? Não devemos fugir, mas também não devemos viver com seriedade demais. Pra quê? Para se estressar? No fim todos se igualam debaixo da terra?
Não devemos entrar no jogo do politicamente correto. Isso é para medrosos que vivem como a regra do jogo manda. E são tão infelizes... Têm tanto medo!
De que adianta entrar no jogo, ganhar milhões e ter medo? Com medo de viver, medo de sair de casa, medo do próximo... Foda-se o dinheiro, as tradições familiares, o direito a propriedade, a moral católica, a direita reacionária, a esquerda vendida e todo o status quo vigente. Pro inferno todos as instituições que amarram a sociedade neste sistema sujo.
Viva as coisas simples da vida, o amor, a paz, a amizade e a felicidade. Isso vale a pena. Isso deve ser levado em conta nesta fugaz vida.
O mundo já não é rude demais? Não devemos fugir, mas também não devemos viver com seriedade demais. Pra quê? Para se estressar? No fim todos se igualam debaixo da terra?
Não devemos entrar no jogo do politicamente correto. Isso é para medrosos que vivem como a regra do jogo manda. E são tão infelizes... Têm tanto medo!
De que adianta entrar no jogo, ganhar milhões e ter medo? Com medo de viver, medo de sair de casa, medo do próximo... Foda-se o dinheiro, as tradições familiares, o direito a propriedade, a moral católica, a direita reacionária, a esquerda vendida e todo o status quo vigente. Pro inferno todos as instituições que amarram a sociedade neste sistema sujo.
Viva as coisas simples da vida, o amor, a paz, a amizade e a felicidade. Isso vale a pena. Isso deve ser levado em conta nesta fugaz vida.
sexta-feira, janeiro 20, 2006
Minha História Oral de Nosso Tempo - Cap. I
Em 2005, li o livro “O Mistério de Joe Gould” de Joseph Mitchell. Fiquei fascinado com a idéia de um livro que contasse a história da humanidade através das conversas cotidianas de anônimos. Já que o mendigo Joe Gould não escreveu, resolvi eu mesmo fazer a minha História Oral de Nosso Tempo particular. Obrigado pela idéia, Joe.
Minha História Oral de Nosso Tempo. Capítulo 1
19/01/2006
— As mulheres têm regalias que não devem ser desperdiçadas.
CONTEXTO:
Era noite, e saí da casa de minha mãe puto da vida porque o Santos tinha perdido. Parei num bar ali perto e pedi uma cerveja. Era um bar freqüentado pelo pessoal da Escola de Sociologia e Política. O pessoal que estava na mesa da frente não me era estranho, deviam ser conhecidos da Stela, amiga minha que estuda lá.
O papo da mesa deles tava altamente filosófico, típica conversa de botequim. Falaram de amor, sociedade, política... Era um cara e duas minas. Até que ele me soltou esta frase e justificou falando que uma mulher bonita e gostosa consegue tudo. Coitadas das meninas da mesa que não eram nem uma coisa nem outra...
MINHA INTERPRETAÇÃO
Uma mulher bonita e gostosa consegue tudo. Um marido rico, um bom emprego, muitas vantagens. Basta ela soltar aquele sorriso encantador e cruzar as pernas de uma maneira bem elegante que está tudo acertado. Uma mulher assim tem as chaves para as portas do sucesso. Estas são as regalias que estas mulheres têm. Foi isso que eu entendi.
Mas nem tudo é tão belo assim. Uma mulher escultural não deve ter sossego algum na rua, no ônibus, na praia e na balada... Ela escolhe quem e o que ela quiser mas ela não terá sossego. Será fortemente assediada. Isto deve ser um saco.
E nosso amigo disse que as regalias não devem ser desperdiçadas. Um convite indecente não deve ser recusado. Presentes e dinheiro sujo de pessoas repugnantes também não devem ser recusados? Talvez as regalias que estas mulheres maravilhosas deveriam aproveitar seriam as festas estonteantes que somente os VIPS podem ir.
Mas eu acho que conseguir as coisas somente por causa da aparência é uma tremenda putaria. No sentido literal da palavra.
Em nossa sociedade, imagem é tudo. Como já dizia o poeta, “as feias que me perdoem mas beleza é fundamental."
Minha História Oral de Nosso Tempo. Capítulo 1
19/01/2006
— As mulheres têm regalias que não devem ser desperdiçadas.
CONTEXTO:
Era noite, e saí da casa de minha mãe puto da vida porque o Santos tinha perdido. Parei num bar ali perto e pedi uma cerveja. Era um bar freqüentado pelo pessoal da Escola de Sociologia e Política. O pessoal que estava na mesa da frente não me era estranho, deviam ser conhecidos da Stela, amiga minha que estuda lá.
O papo da mesa deles tava altamente filosófico, típica conversa de botequim. Falaram de amor, sociedade, política... Era um cara e duas minas. Até que ele me soltou esta frase e justificou falando que uma mulher bonita e gostosa consegue tudo. Coitadas das meninas da mesa que não eram nem uma coisa nem outra...
MINHA INTERPRETAÇÃO
Uma mulher bonita e gostosa consegue tudo. Um marido rico, um bom emprego, muitas vantagens. Basta ela soltar aquele sorriso encantador e cruzar as pernas de uma maneira bem elegante que está tudo acertado. Uma mulher assim tem as chaves para as portas do sucesso. Estas são as regalias que estas mulheres têm. Foi isso que eu entendi.
Mas nem tudo é tão belo assim. Uma mulher escultural não deve ter sossego algum na rua, no ônibus, na praia e na balada... Ela escolhe quem e o que ela quiser mas ela não terá sossego. Será fortemente assediada. Isto deve ser um saco.
E nosso amigo disse que as regalias não devem ser desperdiçadas. Um convite indecente não deve ser recusado. Presentes e dinheiro sujo de pessoas repugnantes também não devem ser recusados? Talvez as regalias que estas mulheres maravilhosas deveriam aproveitar seriam as festas estonteantes que somente os VIPS podem ir.
Mas eu acho que conseguir as coisas somente por causa da aparência é uma tremenda putaria. No sentido literal da palavra.
Em nossa sociedade, imagem é tudo. Como já dizia o poeta, “as feias que me perdoem mas beleza é fundamental."
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terça-feira, novembro 22, 2005
Sobrevivência

Uma selva de pedra me cerca
Não posso ver o horizonte
Não vejo o sol
E nem a serra
O céu é cinza
E o ar e impuro
Carros passam em minha frente
Sem parar
A calçada é nossa areia
E a rua é o mar
Árvores cansadas da poluição
Envelheceram e desapareceram
E poucas vão para seu lugar
O sol bate no asfalto
E esquenta o dia
Mais do que poderia esquentar
Não sinto a terra sob meus pés
A areia entre meus dedos
Não sinto o cheiro da natureza
Flores em vasos
Pássaros em gaiolas
Pessoas com a mente enjaulada
Lutando por miséria
Apenas para sobreviver
Escravos do sistema
A felicidade existe
Mas é restrita
Talvez se vendendo
Você possa fazer parte do clubinho.
O poder das palavras

A tela está em branco. O papel ainda não foi escrito. As palavras vão construindo a realidade. Vão inventando uma nova dimensão. Você já pensou em ser Deus? Construir o mundo do jeito que você quer? Pois saiba que você pode brincar disso.
As palavras têm o poder de criar, modificar, modular, transformar, ajeitar... Sejam palavras proferidas ou palavras escritas como esta que vos escrevo. Todos que criaram algo, por algum momento, brincaram, de Deus. Bom, primeiramente, eu preciso dizer que este Deus que eu estou falando é o Deus folclórico, de barba branca. Que criou o mundo em sete dias e tudo mais. Porque, para mim, o verdadeiro Deus existe dentro de nós. Mas esta é outra história...
Eu dizia a respeito da criação do mundo através das palavras. Pois bem, vejam como é incrível o poder das palavras. Quando eu escrevi as primeiras (“A tela está em branco”), nem imaginava sobre o que escreveria no resto do texto. Agora já estou discorrendo a respeito de um assunto todo complexo.
Quantos lindos versos já não foram escritos em momentos de pura inspiração? É o poder da criação que transforma emoções que nos invadem em obras-primas. Sem emoção, as palavras são comuns, sem feitiço. Certa vez, um sambista foi desafiado a fazer um samba sobre uma garrafa. Ele respondeu que era impossível pois ele não sentia nada pela garrafa.
As palavras podem ser tiros disparados por uma metralhadora ou flores ofertadas. Podem causar riso, provocar paixão e podem machucar, magoar e dilacerar corações. Portanto, cuidado com o que você fala.
As palavras têm o poder de criar, modificar, modular, transformar, ajeitar... Sejam palavras proferidas ou palavras escritas como esta que vos escrevo. Todos que criaram algo, por algum momento, brincaram, de Deus. Bom, primeiramente, eu preciso dizer que este Deus que eu estou falando é o Deus folclórico, de barba branca. Que criou o mundo em sete dias e tudo mais. Porque, para mim, o verdadeiro Deus existe dentro de nós. Mas esta é outra história...
Eu dizia a respeito da criação do mundo através das palavras. Pois bem, vejam como é incrível o poder das palavras. Quando eu escrevi as primeiras (“A tela está em branco”), nem imaginava sobre o que escreveria no resto do texto. Agora já estou discorrendo a respeito de um assunto todo complexo.
Quantos lindos versos já não foram escritos em momentos de pura inspiração? É o poder da criação que transforma emoções que nos invadem em obras-primas. Sem emoção, as palavras são comuns, sem feitiço. Certa vez, um sambista foi desafiado a fazer um samba sobre uma garrafa. Ele respondeu que era impossível pois ele não sentia nada pela garrafa.
As palavras podem ser tiros disparados por uma metralhadora ou flores ofertadas. Podem causar riso, provocar paixão e podem machucar, magoar e dilacerar corações. Portanto, cuidado com o que você fala.
Alegria
Alegria contagiante
Aquece nossos corações
Tira nossas desilusões
E encontra novas soluções
Sem saber que o bem está fazendo
O sorriso cativa, resplandecendo
Refletindo o brilho no olhar feliz
Que lágrimas vertem
E se perdem
No meio da felicidade inebriante
E como é tão bom sentir este momento
Em que um simples cantar da passarada
Faz com que do peito
Brote este nobre sentimento
_______
A alegria está em todos os cantos
Busque e aproveite
Ou então fique lamentando o sistema
Afinal como dizia o poeta
Num verso muito prático
Quem gosta de problema
É matemático
Aquece nossos corações
Tira nossas desilusões
E encontra novas soluções
Sem saber que o bem está fazendo
O sorriso cativa, resplandecendo
Refletindo o brilho no olhar feliz
Que lágrimas vertem
E se perdem
No meio da felicidade inebriante
E como é tão bom sentir este momento
Em que um simples cantar da passarada
Faz com que do peito
Brote este nobre sentimento
_______
A alegria está em todos os cantos
Busque e aproveite
Ou então fique lamentando o sistema
Afinal como dizia o poeta
Num verso muito prático
Quem gosta de problema
É matemático
segunda-feira, outubro 17, 2005
Bala Perdida
Uma bala perdida
Cumpriu sua missão
Não acertou a cabeça de um
Mas em outro, acertou o coração
Bala perdida é aquela
Atirada na largada
No tronco da árvore
Ou no nada
A bala não foi perdida
Quando acertou alguém
Uma bala nunca sai das mãos
De uma pessoa de bem
Uma bala é sempre certeira
Porque destrói sonhos
Nunca faz ninguém feliz
Apenas tristonho
Mama Africa

Itália, 1990. A seleção de Camarões bate a Argentina de Maradona no primeiro jogo do Mundial. Depois de mostrar um futebol ousado, comandado pelo veterano Roger Milla, a seleção africana é eliminada, na prorrogação, pela Inglaterra.
EUA, 1994. Novamente Camarões vai para a Copa. Desta vez vai mal, e cai na primeira fase. Já outro país africano, a Nigéria, cai somente na prorrogação das oitavas de final, contra a Itália. Por questão de um minuto, a Itália não foi para a casa mais cedo.
França, 1998. A Espanha cai na primeira fase da competição. O carrasco: o técnico esquadrão nigeriano, que terminou em primeiro do grupo. Nas oitavas de final, entretanto, a Dinamarca arrasou os africanos. Camarões estava em sua terceira Copa seguida, mas novamente não foi bem.
Japão/Coréia do Sul, 2002. Nigéria em sua terceira e Camarões em sua quarta copa seguida não foram bem. Já a estreante seleção de Senegal bateu a França na estréia e, praticando um belíssimo e envolvente futebol, por pouco não alcançou uma inédita semifinal. O gol de ouro turco nas quartas de final acabou com o sonho.
Alemanha, 2006. A Tunísia bate Marrocos pelas Eliminatórias e fica com uma vaga africana. Habitualmente, uma seleção africana árabe sempre garante uma vaga. Ou vai Marrocos, ou vai Tunísia ou vai Egito. Desta vez deu Tunísia. Já as tradicionais seleções de Camarões e Nigéria, ficaram de fora. A sensação da última Copa, Senegal, também não vai. Togo, Costa do Marfim, Gana e Angola estarão lá.
Gana é uma seleção que tem tradição nas categorias de base e no continente africano. Esta classificação já era aguardada há tempos. Costa do Marfim se amparou no talento do atacante Drogba, que atua no Chelsea e impediu a quinta Copa seguida de Camarões, que também tem um astro internacional, o atacante do Barcelona, Samuel Etoo.
Togo foi uma grande surpresa. É um país pequeno, pobre e inexpressivo mas a seleção local fez bonito, deixou o bom time do Senegal para trás e fez a alegria de sua população.
Mas bonito mesmo é ver Angola na Copa. Um país que sofreu com a colonização portuguesa e com uma sangrenta guerra civil que devastou o país. Após poucos anos de relativa paz, a alegria maior: a classificação para a Copa, que, pela primeira vez a Copa terá três países lusófonos.
Brasil, Portugal e Angola se encontrarão na Alemanha em 2006. O Brasil vai atrás do hexacampeonato, Portugal, de um lugar ao sol. Angola, assim como todos os africanos estreantes, já está no céu.
Fique de olho no apito
“Fique de olho no apito/Que o jogo é na raça e uma luta se ganha no grito/ E se o juiz apelar, não deixe barato,/ Ele é igual a você e não pode roubar”. Esta música de Carlinhos Vergueiro já nos alertava para ficarmos de olho no juiz. E nós já ficávamos. Desde que o futebol existe, existe a odiada figura do árbitro (que deveria apenas arbitrar, não julgar). Nas arquibancadas, o único momento em que as duas torcidas gritam juntas é no momento em que o “homem de preto” (hoje em dias colorido) entra no gramado. O coro é um só: “filho da p...”.
Hoje em dia, quando um juiz comete um erro (será mesmo apenas um erro?) a torcida grita: “Edílson, Edílson”. Serão todos os juízes como Edílson Pereira de Carvalho? Desde quando existe esta robalheira no futebol? Não dá pra saber, mas levando em consideração que antigamente o futebol era muito mais amador, acredito que a roubalheira deslavada vem de muito tempo atrás.
Edílson Pereira de Carvalho era um árbitro da FIFA. Ganhava 2500 reais cada jogo apitado. Entrou em um negócio de apostas para ganhar mais dinheiro ainda. Ele fabricava os resultados, ganhava uma comissão e apostadores ganhavam uma bolada. E assim estava ele agindo no Brasileirão. Tinha apitado 11 partidas e feito o resultado em algumas delas. Outras ele não conseguiu. Santos e Corinthians, o último clássico disputado por Robinho era um desses jogos que o juiz não conseguiu roubar. Ele mesmo assumiu.
Eis que surge a nefasta figura de Luis Zveiter, presidente do Supremo Tribunal de Justiça Desportiva e resolve, por conta própria, anular todos os 11 jogos. Um absurdo. Times que tiveram que se desdobrar para ganhar de 12 jogadores (o time adversário mais o juiz), saíram prejudicados.
A arbitragem seguiu errando (ou fazendo placares?) e a cada erro surgia a dúvida: Será que meu time está sendo roubado? Isto sempre existiu, mas existia uma lenda em torno do juiz ladrão, pois nunca se provara nada. Mas agora a história é diferente. Todos os juízes estão sob pressão. Não podem mais errar, o que é humano. Apitam pressionados. Tudo por causa de um (será só ele?) nome: Edílson Pereira de Carvalho.
Onze jogos. Alguns comprovadamente fraudados, outros comprovadamente limpos. Não houve distinção: todos foram anulados por Luiz Zveiter, que como antigamente se fazia na França, reina absoluto e decide, sozinho, o futuro do campeonato.
O campeonato acabou. Tinha tudo para ser ótimo. Casa cheia em muitos jogos, alta média de gols, vários times brigando pelo título... Tudo isso não vale mais. O Corinthians, provavelmente, iria ser campeão. Agora vai ser campeão conquistando pontos que não deveriam ser disputados de novo.
A bola não pára. O campeonato vai acabar, e daqui a 20 anos o nome do campeão estará na história. Mas a história não ira esquecer da vergonha que foi este Brasileirão-2005.
Hoje em dia, quando um juiz comete um erro (será mesmo apenas um erro?) a torcida grita: “Edílson, Edílson”. Serão todos os juízes como Edílson Pereira de Carvalho? Desde quando existe esta robalheira no futebol? Não dá pra saber, mas levando em consideração que antigamente o futebol era muito mais amador, acredito que a roubalheira deslavada vem de muito tempo atrás.
Edílson Pereira de Carvalho era um árbitro da FIFA. Ganhava 2500 reais cada jogo apitado. Entrou em um negócio de apostas para ganhar mais dinheiro ainda. Ele fabricava os resultados, ganhava uma comissão e apostadores ganhavam uma bolada. E assim estava ele agindo no Brasileirão. Tinha apitado 11 partidas e feito o resultado em algumas delas. Outras ele não conseguiu. Santos e Corinthians, o último clássico disputado por Robinho era um desses jogos que o juiz não conseguiu roubar. Ele mesmo assumiu.
Eis que surge a nefasta figura de Luis Zveiter, presidente do Supremo Tribunal de Justiça Desportiva e resolve, por conta própria, anular todos os 11 jogos. Um absurdo. Times que tiveram que se desdobrar para ganhar de 12 jogadores (o time adversário mais o juiz), saíram prejudicados.
A arbitragem seguiu errando (ou fazendo placares?) e a cada erro surgia a dúvida: Será que meu time está sendo roubado? Isto sempre existiu, mas existia uma lenda em torno do juiz ladrão, pois nunca se provara nada. Mas agora a história é diferente. Todos os juízes estão sob pressão. Não podem mais errar, o que é humano. Apitam pressionados. Tudo por causa de um (será só ele?) nome: Edílson Pereira de Carvalho.
Onze jogos. Alguns comprovadamente fraudados, outros comprovadamente limpos. Não houve distinção: todos foram anulados por Luiz Zveiter, que como antigamente se fazia na França, reina absoluto e decide, sozinho, o futuro do campeonato.
O campeonato acabou. Tinha tudo para ser ótimo. Casa cheia em muitos jogos, alta média de gols, vários times brigando pelo título... Tudo isso não vale mais. O Corinthians, provavelmente, iria ser campeão. Agora vai ser campeão conquistando pontos que não deveriam ser disputados de novo.
A bola não pára. O campeonato vai acabar, e daqui a 20 anos o nome do campeão estará na história. Mas a história não ira esquecer da vergonha que foi este Brasileirão-2005.
quarta-feira, setembro 21, 2005
Campanha de Desarmamento Mata Pobre Brasil

Estava participando de uma discussão sobre o desarmamento e um amigo meu mandou uma sugestão. Já que brasileiro gosta tanto de arma... Reproduzo aqui, sua proposta:
ESTOU APROVEITANDO O MOMENTO PARA DIVULGAR A NOVA CAMPANHA CONTRA O DESARMAMENTO...
MATA LADRÃO BRASIL !!!!! (ou seria melhor MATA POBRE BRASIL!!!!)
MINHA PROPOSTA DE LEI É A SEGUINTE...
ARTIGO 1 - NUNCA TIRAREMOS POLÍTICOS COORUPTOS DO PODER (tirando-os estariamos desarmando a população brasileira de sua mais poderosa ARMA contra o pobre).
ARTIGO 2 - SÓ É PERMITIDO O USO DE ARMAS DE FOGO CONTRA OS QUE GANHAM MENOS DE 2 SALÁRIOS MÍNIMOS.
ARTIGO 3 - AO CONTRÁRIO DAS CRIANÇAS CARENTES, AS ARMAS DE FOGO BRASILEIRAS DEVEM ESTAR SEMPRE BEM ALIMENTADAS. E COM BALAS DE PRIMEIRA QUALIDADE.
ARTIGO 4 - É PROIBIDA A MATANÇA DESENFREADA SEM SILENCIADOR APÓS AS 22:00 HORAS.
ARTIGO 5 - DEVIDO A REGRAS INTERNACIONAIS DA ONU, FICAM DESDE JÁ OS MORROS E FAVELAS COMO ÁREA DE PROTEÇÃO DA FAUNA NEGRA DO BRASIL. É PORTANTO PROIBIDO O USO DE ARMAS DE FOGO NESSES LOCAIS. DEVE-SE ESPERAR QUE O POBRE VENHA À CIDADE PARA QUE O EXTERMÍNIO SE LEGITIME E O BURGUÊS TENHA DIREITO AO CHBSB (Comprovante de Homicídio Benéfico à Sociedade Burguesa)
ARTIGO 6 - CADA CHBSB RECEBIDO PELO CIDADÃO BRSASILEIRO DÁ DIREITO A ESTE A ABATER 2% DE SEU IMPOSTO DE RENDA (Já que cada um dos assasinatos reduz o gasto do governo com o povo)
ARTIGO 7 - FICA TERMINANTEMENTE PROIBIDO, DEVIDO À SUA INOFENSIVIDADE, O USO DE BALAS DE FESTIM NAS ARMAS DE FOGO BRASILEIRAS. BALAS DE BORRACHA SÃO PERMITIDAS SE UTILIZADAS CONTRA ESTUDANTES DO ENSINO PÚBLICO. ARMAS DE BOLINHA PODEM SER UTILIZADAS CONTRA POMBOS, GATOS E RATOS, AMEAÇAS CONSTANTES À INTEGRIDADE DA BURGUESIA NACIONAL.
ARTIGO 8 - PARA SE MANTER DEVIDAMENTE CADASTRADA, TODA ARMA DEVE TER ANUALMENTE RENOVADO SEU CHBSB COM AO MENOS UM HOMICÍDIO DOLOSO.
______
quarta-feira, setembro 07, 2005
O país do mensalão - II
Um mar de lama envolve Brasília
Sujando cada vez mais a todos
Somos todos uns coitados
Na mão desses deputados
Que vivem às custas do mensalão
E enquanto tanta gente padece
Esta corja enriquece
Sofremos tantas dores
Na mão desses senadores
Que vivem às custas do mensalão
E os empresários, doleiros e agiotas
Fazem de todos idiotas
E os especuladores, fazendeiros e donos de empresas
Colocam caviar em suas mesas
Às custa do mensalão
E foi um tristeza ver toda uma esperança
Que até emociona na lembrança
Se transformar nesta decepção
Nesta facada no coração
Que é o mensalão
É triste escrever estas palavras. O presidente da República não é o salvador da pátria. Este operário que chegou no poder não é o líder sindicalista de outrora. É apenas mais um que fez de tudo para chegar ao poder e, ao chegar lá, se perdeu.
Eu não gostei quando ele se aliou a gente podre. Vimos que assim não vai. É nojento ver pessoas do PT que eram de combate à ditadura, guerrilheiros, nesta situação.
O PT morreu. A esquerda foi golpeada e eu não quero nem imaginar o que vai ser do Brasil nos próximos anos
Sujando cada vez mais a todos
Somos todos uns coitados
Na mão desses deputados
Que vivem às custas do mensalão
E enquanto tanta gente padece
Esta corja enriquece
Sofremos tantas dores
Na mão desses senadores
Que vivem às custas do mensalão
E os empresários, doleiros e agiotas
Fazem de todos idiotas
E os especuladores, fazendeiros e donos de empresas
Colocam caviar em suas mesas
Às custa do mensalão
E foi um tristeza ver toda uma esperança
Que até emociona na lembrança
Se transformar nesta decepção
Nesta facada no coração
Que é o mensalão
É triste escrever estas palavras. O presidente da República não é o salvador da pátria. Este operário que chegou no poder não é o líder sindicalista de outrora. É apenas mais um que fez de tudo para chegar ao poder e, ao chegar lá, se perdeu.
Eu não gostei quando ele se aliou a gente podre. Vimos que assim não vai. É nojento ver pessoas do PT que eram de combate à ditadura, guerrilheiros, nesta situação.
O PT morreu. A esquerda foi golpeada e eu não quero nem imaginar o que vai ser do Brasil nos próximos anos
O país do mensalão - I
Vivemos no país do "mensalão". A palavra e a crise são recentes, mas o hábito é antigo. Quando os portugueses aqui chegaram, os índios foram comprados pelo "escambão". Espelhos e outras bugigangas foram os primeiros instrumentos corrompedores na Terra Brasilis.
Com o passar dos anos, foi se formando esta raça brasileira, esperta, malandra. O nosso jeitinho é uma marca nacional. Quem é honesto fica para trás e quem é corrupto anda pra frente.
É propina pra todo lado. Engana-se quem acha que a corrupção está restrita à política. Outro dia presenciei um exemplo banal de corrupção: um garçom de um bar pediu dez reais por fora para abastecer a mesa de cerveja. É só um exemplo entre tantos.
O mensalão nada mais é do que um filho bastardo do capitalismo selvagem. A elite que se escandaliza com isso não vê problemas em lucrar milhões às custas da miséria alheia. Escandaliza-se com as malas de dinheiro, mas compra bolsas caríssimas na Daslu. Os banqueiros que lucram com a política econômica do governo Lula devem estar apavorados. Já pensou se a crise vira econômica e eles perdem a boquinha?
Esta busca insana pelo dinheiro acaba produzindo esta sociedade corrupta. Para que ser honesto e passar dificuldades se você pode tirar um dinheirinho por fora? O jeitinho brasileiro é a nossa eterna desculpa... Brasileiro é assim mesmo... É assim e sempre será. E voltaremos a acompanhar a TV Senado como uma novela das 8.
A opção é de cada um. Se vender ou não. Eu já fiz a minha opção:
"Não me vendo pra viver.
Se tiver que viver assim,
Morro de fome.
Não precisa ter dó de mim,
Honre meu nome."
Com o passar dos anos, foi se formando esta raça brasileira, esperta, malandra. O nosso jeitinho é uma marca nacional. Quem é honesto fica para trás e quem é corrupto anda pra frente.
É propina pra todo lado. Engana-se quem acha que a corrupção está restrita à política. Outro dia presenciei um exemplo banal de corrupção: um garçom de um bar pediu dez reais por fora para abastecer a mesa de cerveja. É só um exemplo entre tantos.
O mensalão nada mais é do que um filho bastardo do capitalismo selvagem. A elite que se escandaliza com isso não vê problemas em lucrar milhões às custas da miséria alheia. Escandaliza-se com as malas de dinheiro, mas compra bolsas caríssimas na Daslu. Os banqueiros que lucram com a política econômica do governo Lula devem estar apavorados. Já pensou se a crise vira econômica e eles perdem a boquinha?
Esta busca insana pelo dinheiro acaba produzindo esta sociedade corrupta. Para que ser honesto e passar dificuldades se você pode tirar um dinheirinho por fora? O jeitinho brasileiro é a nossa eterna desculpa... Brasileiro é assim mesmo... É assim e sempre será. E voltaremos a acompanhar a TV Senado como uma novela das 8.
A opção é de cada um. Se vender ou não. Eu já fiz a minha opção:
"Não me vendo pra viver.
Se tiver que viver assim,
Morro de fome.
Não precisa ter dó de mim,
Honre meu nome."
terça-feira, setembro 06, 2005
O samba de terreiro
A primeira escola de samba surgiu no Estácio de Sá em 1929. Foi A Deixa Falar, fundada por Ismael Silva, Alcebídes Barcellos entre outros. Nesta época, já existiam outros agrupamentos, mas estes não eram organizados. O nome “escola de samba” surgiu no Estácio porque este pessoal (que fez do samba sincopado e deu a ele as características que conhecemos hoje) eram os professores do samba, os mestres, assim como na Escola Normal do Rio de Janeiro (também situada no Estácio) saíam professores. Eram eles os professores, a turma que foi precursora do samba.Existe até um samba (A primeira escola) de Pereira Matos e Joel de Almeida que comprova isso: “A primeira escola de samba surgiu no Estácio da Sá/ Eu digo isso e afirmo, e posso provar/ Porque existiam naquele tempo, os professores do lugar...” O próprio Cartola de Mangueira tirava o chapéu para os professores.
Nos anos 30, as escolas desfilavam cantando sambas quaisquer (só a primeira parte) e os melhores versadores improvisavam na segunda parte. Estes sambas saíam do terreiro das escolas (hoje, quadra). O samba de terreiro era, portanto, o que dava sustentação a escola de samba. Era praticado durante todo o ano e em fevereiro saía para a Praça 11 (local dos desfiles).
Este samba escolhido não tinha nada a ver com o enredo. Por exemplo: o desfile a Mangueira tinha um tema, todos iam fantasiados neste mote mas o samba era um samba de amor. Paulo da Portela, fundador da famosa agremiação de Oswaldo Cruz, foi o primeiro a cantar um samba que tinha relação com o enredo. Pelos idos de 30, ele cantou um samba assim: “Vou começar a aula perante a comissão, muita atenção que eu quero ver se diplomá-los posso/ Salve o ‘fessor’, dá nota a eles senhor/ Quatorze com dois doze, noves fora tudo é nosso”. Na pista, os portelenses iam vestidos de aluno...
Este formato de samba enredo (usando os sambas de terreiro no desfile) acabou quando Getúlio Vargas baixou uma norma obrigando os sambas enredo a terem uma temática histórica. Aí o samba de terreiro ficou restrito ao próprio terreiro e deixou de ser cantado em fevereiro. Nesta mesma época, Vargas passou a censurar os sambas com a temática da malandragem. Surgiu, então, o ‘malandro regenerado’.
Com o passar dos anos, os sambas de terreiro começaram a tocar nas rádios e serem gravados. Aí surgiu uma contradição: ao mesmo tempo que profissionalizava compositores, a ida destes sambistas para o rádio e para o disco desvirtuava o ritual das escolas. Já nos anos 30, Zé com Fome (depois Zé da Zilda), sambista de Mangueira, foi proibido de cantar um samba seu porque estava tocando nas rádios.
Porém, enquanto as escolas preservaram suas características, o samba de terreiro foi preservado (mesmo tendo virado samba de quadra). A partir do momento, entretanto, em que as escolas viraram “Super Escolas S.A.” e os sambistas perderam seus espaços dentro de casa, o samba de terreiro desapareceu. Aluízio Machado e Beto sem Braço cantaram em 1982: “Super escolas de samba S.A./ Super alegorias/ Escondendo gente bamba/ Que covardia”.
Seu Jair do Cavaquinho, 85 anos, fundador e sócio número 1 da Portela: “O samba de terreiro não existe mais. Os jovens da escola não tem mais o espírito que nós tínhamos. Eles só querem saber de fazer um samba para gravar e ganhar dinheiro”.
Cartola e Carlos Cachaça, dois dos maiores nomes do samba e que fizeram muitos sambas para a Mangueira desfilar, viram com muita tristeza a deturpação do samba (tanto na quadra como na avenida). Um samba enredo derrotado deles, “Tempos Idos”, já falava: “... e muito bem representado com inspiração de geniais artistas, o nosso samba, humilde samba, foi de conquistas em conquistas/... já não pertence mais à Praça, já não é samba de terreiro, vitorioso ele partiu para o estrangeiro...”
Hoje em dia, o samba de terreiro sobrevive nas rodas de samba. Em algumas quadras de escola, em bares, em quintais...
Homenagem aos Bambas - I

Cantando e tocando um samba
Comecei a relembrar tanta gente bamba
A começar pelo mestre Cartola
Que tanta fez escola
E Carlos Cachaça
Duvido que samba como ele alguém faça
E na Estação Primeira de Mangueira
Partideiro não toma rasteira
Bate pandeiro e toca cavaco
Fazendo no terreiro o maior balacobaco
E ainda tem Cícero, Helio e Padeirinho
Preto Rico, José Ramos e Nelson Cavaquinho
Indo pra Oswaldo Cruz
Onde o samba tanto seduz,
Chegamos a Portela
Que coisa mais bela!
A escola de Paulo e Claudionor
Este é o meu amor!
E se o meu coração não me engana
Lágrimas derramarei ao ouvir Chico Santana
Principalmente se no samba for parceiro
Argemiro do Pandeiro
Sei que no pagode da Vicentina e da Surica
A mulata sassarica
E dançando o miudinho
Vai o Seu Jair do Cavaquinho
E o Monarco vai versando com o Wilson Moreira
Parceiro de Nei Lopes em sambas de primeira
E se Paulo é o professor
Sabemos que o Paulinho é o sucessor
quarta-feira, julho 13, 2005
Você se vende...

Você vive rastejando atrás do dinheiro
Se vendendo para conseguir ter mais e mais
E quando consegue, seus olhos brilham de alegria
Comprar te proporciona um sentimento tão bom, não?
Como é gratificante ter a carteira forrada de dinheiro para poder gastar a vontade...
Pode desfilar com um carrão e dar festas maravilhosas em sua mansão
Pena que tem tanto medo da sociedade que te cerca
Muros altos com cerca eletrificada te protegem de invasores
Vidros blindados servem para que trombadinhas não se aproximem de você
Afinal, você quer distância desta gentinha, não é mesmo?
Essa gente não faz parte do seu universo
A não ser quando são seus empregados, submetidos a você
No fundo, você tem uma terrível decepção por não ter nascido na época da escravidão
Ah, que bom seria poder ordenar a vontade
Mas hoje você tem medo dos marginais, herdeiros do peso da escravidão
Gente que não tem nada a ganhar e nada a perder
Gente que não ganha em um ano o que você gasta naquele relógio
E você acha bonito viver neste luxo, nesta ostentação
Conseguiu chegar ao alto da fama
Se vendeu só um pouquinho? Quanto?
O suficiente para se enterrar na lama
No fundo você não passa de uma prostituta
Daqueles que se vendem sem o menor pudor
Afinal, o dinheiro que entra apaga qualquer dilema moral, não?
Apaga tudo
E é muito fácil apagar
Basta comprar, comprar e comprar
Com este dinheiro sujo você compra roupas, flores e perfume para sua mulher interesseira
Compra terno, caviar, uísque 18 anos, skank, cocaína pura, direto da Bolívia
Pra que se importar com a pobreza, com a fome?
Elas estão longe, do outro lado do muro
Como é nojento ver pessoas como você
Cheio de cifrão nos olhos, consegue enxergar dinheiro em tudo
Por causa de suas mordomias, muitos padecem
Derrube os muros, abra os vidros de seu carro
Dê a cara para bater, pare de roubar milhões por baixo do pano
Encare frente a frente a sociedade seu porco capitalista
E aí eu quero ver se vai continuar com este sorriso sujo no rosto
Ou então continue assim
Fugindo, com medo, fingindo que é feliz
segunda-feira, julho 04, 2005
E o torcedor sofre...

Mesmo sendo santista, domingo eu estive no Morumbi comprando um ingresso para final da Libertadores. Era um favor (e que favor!!) que eu estava fazendo para um amigo meu. Chegando lá, às 11 da manhã, encontrei uma fila imensa que não andava e um tumulto generalizado nos guichês.
Os malandros e os cambistas furavam fila sob a vista grossa da polícia. Quem estava na fila tinha que ficar penando horas e horas sob o sol escaldante. E quando a fila andava, era uns três passos. Um tormento.
Quem chegava cedo e pegava fila se dava mal. Quem chegava tarde e furava fila se dava bem. E a polícia não fazia nada. Viam os cambistas agirem e nada... Viam gente furando fila e nada... Não sei nem para que eles estavam lá.
Depois de oito horas na fila, já de noite, cheguei ao guichê. Nesta hora, os policias agiam com firmeza para
organizar a fila. Não sei porque não fizeram antes. Tinha 25 contos para comprar uma meia entrada. Não tinha mais ingresso. Fiquei lá mais uma hora até surgir, do nada, novas meias-entradas. Peguei uma e fui embora.
Os cambistas faziam a festa. Antes mesmo dos ingressos começarem a ser vendidos, eles já tinham muitos na mão. A diretoria do São Paulo (timinho safado) também é muito espertona. Põe um ingresso a preços abusivos. Preços absurdos. Um trabalhador que ganha um salário de trezentos reais vai pagar cinquentão por um ingresso?
É sempre assim: todos se dão bem e o torcedor paga o pato.
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