sábado, maio 17, 2008

A vida é um jogo de bola


A vida como reflexo de nossos sentimentos e nossas emoções só poderia ser um jogo de futebol. Com suas sutilezas e adversidades. Com suas glórias e desilusões. Com explosões de alegria. Com momentos de pura amargura, como quando sofremos um gol nos instantes finais de um clássico, proporcionando a vitória do time rival. Na vida também temos momentos de falsa euforia como num gol anulado.


A vida como um espelho de nossos anseios só poderia ter como palco um estádio lotado, com suas bandeiras tremulando e com milhares de pessoas com o coração na mão. Nossos sonhos vão se realizando na medida em que os gols vão acontecendo. Às vezes fazemos belos gols, driblando toda a zaga e só colocando na saída do goleiro. Às vezes acontecem gols contra, furada, e até mesmo cartão vermelho.


Viver é jogar. E existem vários tipos de jogos, como no futebol. Jogos importantes mas não decisivos, como na primeira fase de uma competição. Há momentos na vida em que é preciso matar ou morrer, como nos mata-matas. E existem também, claro, jogos para cumprir tabela. Tudo isso acontece na vida.


A vida que se traduz num gramado é a vida do brasileiro. Porque fora dos campos, em qualquer lugar e em qualquer instante, no imaginário de nossos conterrâneos, a bola rola macia, deslizando mansamente em direção ao gol. E quando, finalmente, toca a rede, gozamos de alegria. É a magia do futebol conduzindo nosso viver.


Foto: Estádio do Nacional A. C., da Barra Funda - O fotógrafo sou eu.

sexta-feira, abril 18, 2008

Versos adversos

Como é grande a diversidade de adversidades na vida
Num momento adverso
Nada como escrever um verso
Para que uma nova versão seja escrita
Então, imerso numa poesia
O sucesso de uma nova investida
Transforma uma lágrima vertida em palavras tão bonitas

Diversas são as formas de se viver feliz
Adversas são as atitudes que te impedem de chegar aonde sempre quis
Conversas com amigo fazem-me lembrar daquela frase que você sempre diz
"É nos momentos adversos que os mais belos versos são escritos
É na diversidade de adversidades que a simplicidade torna-se um lenitivo"

Arte: Denise Carvalho

terça-feira, março 25, 2008

Com um sorriso, derrubo uma tropa inteira...

Pois é, meu caro amigo, conseguiste me emocionar com suas palavras. Palavras sinceras, puras, muito bem colocadas. Palavras que servem de instrumento para a conscientização, palavras que cativam, inspiram, emocionam.

Conhecendo-te bem como conheço, sei da força de tuas palavras. Amo-te, meu irmãozinho. Falas a mesma língua que eu, vives no mesmo universo que eu, respira o mesmo ar que eu. Somos um só.

E como você, também me incomoda tantas coisas neste mundo. “No meu peito, fisga a dor da indiferença, pois percebo que a saúde não se importa com a doença”. Nunca fui indiferente a tantas mazelas que nos cercam. Não vivo em uma redoma, sei das coisas que me cercam. Vive bem aquele que se encontra enclausurado num condomínio de luxo? Certamente vive com medo. Medo de que alguém invada seu mundo e leve aqueles bens que afagam a alma do pobre milionário.

Caríssimo, escrevo estas palavras com lágrimas nos olhos. Como é bonito saber que ainda existe gente como você, como nós. Gente que não se conforma com tudo isso que acontece diante de nossos olhos. Será que um dia “os palácios vão desabar sob a força de um temporal, tudo vai voltar ao seu lugar, afinal”? Meu irmão, que bom saber que tem gente que pensa alto. Nunca deixe de sonhar, porque o sonho é o caminho para nossa libertação.

Tanta coisa invade minha cabeça, sinto que cuspo palavras como uma metralhadora automática. Mas esta não mata, cativa. Se ferir, fere o peito de pessoas hipócritas, falsas, mentirosas. Quando teremos mais compaixão, solidariedade e amor? O mundo precisa disso, mas todos só conseguem enxergar cifrões. “Sentimentos em meu peito eu tenho demais”, mas quem se importa? Não tenho cascalho, nem carro do ano. Aos olhos de um cidadão comum, sou apenas mais um latino-americano subdesenvolvido com uma cultura enlatada na cabeça... Quem me conhece sabe do amor que tenho no peito. “Eu lhe tenho muita amizade, amor no meu peito é mato” É mato, irmão.

“Por isso não adianta estar no mais alto degrau da fama, com a moral toda enterrada na lama”. De que adianta estar lá em cima? Pra fazer merda, se vender. “Não me vendo pra viver. Se tiver que viver assim, morro de fome. Não precisa ter dó de mim, honre meu nome”. Tenho tanta pena deles...

O antídoto para tanta podridão é um sorriso de criança. Isso sim é valoroso. Isto sim funciona como um tapa na cara da bossalidade. Há tantos singelos momentos em nossa vida que valem a pena... Devemos aproveitá-los e relembrá-los com carinho por toda a eternidade.

Sinto que fazemos parte de uma resistência. Sem armas, sem violência. Apenas com amor, solidariedade, humildade, compaixão, e, claro, um sorriso estampado no rosto.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Chega mais, Antonico

Nasceu ontem (dia 13) o Antonio, filho do Té e da Mari. Bem-vindo moleque!!! É mais um que chega pra irradiar de felicidade nossas vidas. Vida longa ao Antonico!!!

terça-feira, janeiro 08, 2008

A paixão é afiada como uma navalha

Tudo aquilo que há de mais belo neste mundo
Só é o mais belo porque vem carregado de emoção
E sendo assim, é capaz de despertar uma chama em um coração
E irradiar por todos os cantos um sentimento profundo

A felicidade bate sem avisar
E entra no peito sem perguntar
As lágrimas começam a rolar
E um suspiro fica pairando no ar

Algumas palavras sussurradas ao pé do ouvido
Deixam o ambiente um pouco mais colorido
Vem, então, cortando como uma navalha, um arrepio
Que quando chega estraçalha e preenche aquele doloroso vazio

É a paixão que começa a se mostrar
Insinuante, provocante, amante
Doce como um favo de mel
Ela cumpre majestosamente o seu papel

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Um desabafo de quem vive apenas para se emocionar e nada mais

Qual o sentido disto tudo? Vivemos numa sociedade hipócrita, cujos valores morais e éticos são pautados pelo dinheiro, pelo poder, pela ganância, pela sem-vergonhice. Os valores morais e éticos de nossa sociedade são imorais e anti-éticos!

Nosso professor, Paulo da Portela já dizia: "Este mundo é uma roleta e nós somos jogadores". Pois bem. E qual é o jogo em questão? O jogo do Paulo era algo mais romântico, que tratava de coisas da vida como o amor, a amizade, etc. O jogo dos bacanas, dos poderosos, é outro. É acumular dinheiro, não importa sob qual pretexto. Passando por cima de tudo e de todos, a única coisa que interessa a eles é enriquecer. Pra quê? Pra se depois se esconderem atrás de
muros e fortalezas, com medo de um marginal que só marginal porque estes bacanas tem dinheiro demais.

As pessoas passam a vida toda gastando saúde para acumular dinheiro e depois gastam todo este dinheiro para recuperar a saúde. Não tem sentido. Joãozinho da Pecadora, com toda sua franqueza, cantou: "O negócio é amor e o resto é conversa fiada. Por que amanhã a gente morre e da terra não se leva nada!". Não leva nada!! O dinheiro acumulado serve para que? Para comprar um caixão bacana?

Vivem infelizes, estressadas, preocupadas, assustadas, com medo. Então pra que viver? Pra que?

Pra acumular mais, pra passar a perna nos outros. São prostitutas legítimas. Muito mais perniciosas do que as legítimas putas, tão inofensivas. Este jogo é desleal. Você deve ser o melhor, não importa os meios. O fim (riqueza acumulada) justifica os meios (trapaça, corrupção, etc).

A sociedade é individualista. Cada um por si e Deus por todos. Isso quando não passam por cima de Deus. Isso quando não colocam Deus no meio da jogada (Universal e Bola de Neve são a mesma coisa: uma bandalheira).

A Esquerda fracassa sistematicamente. E o que falar da Direita?

Revolução é um artigo em liquidação. Vista uma camiseta do Che e pronto, você já é revolucionário. Daqui a pouco vão mudar a frase. "Hasta la victoria, siempre" irá se transformar em "Hasta la Victoria Secret". Lamentável.

O que fazer?

Quem sou eu para dizer? Quem sou eu? Não sou ninguém. Mas acredito nas revoluções pessoais. É nisso que você acredita? Então agarre aos seus ideias. Sonhe, idealize, projete, batalhe, busque, não desista.

Dinheiro? Dinheiro é papel. Apenas papel. E nada mais.

Viva com emoção. Deixe as lágrimas correrem, elas representam o que há de mais puro em nós mesmos.

terça-feira, dezembro 18, 2007

Faça sua revolução!!

Se você não fizer, quem irá fazer?
Pense nisso...

segunda-feira, novembro 26, 2007

O Sol


O Sol que irradia claridade e enche de vida e alegria nossos corações é o mesmo Sol que se esconde atrás de nuvens negras. Sua presença, alegria. Sua ausência, melancolia.

O Sol que brilha para uns, não brilha para outros. Há dias em que procuramos o Sol, há dias que nos escondemos dele. Entretanto, para todos, ele se mostra e se oferece.

Sempre.

Busque o Sol.

segunda-feira, novembro 19, 2007

Do coração

Eis a mais nova parceira Piruca/Bigode... Um sambinha sincopado que eu gostei bastante.

Do coração


Quando eu faço um samba
Vem do coração
Nas asas da poesia
Belas melodias
Feitas com alegria e inspiração
De tamanha emoção
Transbordo prazer
A felicidade invadiu o meu viver

quinta-feira, outubro 25, 2007

Anteontem e depois de amanhã

Pra que deixar de esquecer o passado
Se nem o presente existe?
Pra que fazer planos para o futuro
Se nem o presente está planejado?
Pra que pensar no amanhã
Sem antes ter pensado no hoje
E refletido sobre ontem?
A vida é mais do que hoje, ontem e amanhã
Você já parou pra pensar no anteontem?
Ou no depois de amanhã?

terça-feira, outubro 09, 2007

Homenagem à Velha Guarda da Portela


Eu não direi o que se passou entre nós
Porque este desengano dói
E quanto mais eu ando penando
Mais a tristeza me persegue

Eu fui condenado a viver desprezado
E por isso, os meus olhos vertem lágrimas
Pensar em ti pra que?
Chega de padecer!
Eu, se quisesse penar
Não esperava você me falar em amar
O sofrer é da vida eu aceito
E é por isso que eu vou navegar para nunca mais voltar
E beber para esquecer o nome daquela ingrata que me fez sofrer

Mas repare bem, não é assim
Esse mundo é uma roleta e nós somos jogadores
Eu já lhe disse que não quero mais seu amor
E que você não é não, a dona do meu coração
Você foi uma nuvem que passou e que não volta mais
Vai pecadora arrependida, vai tratar da sua vida
Por favor me deixa em paz

Agora estou resolvido a não amar a mais ninguém
Quero viver como um passarinho
E se queres ser minha, Iaiá, tens que abandonar a orgia
Só assim, alegria tu terás

quinta-feira, outubro 04, 2007

Vida de escritor

Vida de escritor não é fácil, não. Até pode ser, se você escrever esporadicamente. Mas a partir do momento que você têm uma meia dúzia de leitores, tá na lama. Você se cobra porque precisa escrever e seus leitores te cobram porque querem ler seus novos textos: “André, faz tempo que você não escreve nada lá no Idéias de Improviso, né?”. “É, faz tempo...”.

Para escrever é necessária uma idéia boa, que tenha fluência, que tenha vida. Quantas vezes eu sentei na frente do computador ou peguei um lápis querendo escrever algo e nada saiu? Muitas... Outras tantas vezes, tive idéias maravilhosas, mirabolantes, mas nada escrevi porque não era possível naquele momento. Semana passada, estava tomando uma cerveja com os amigos e veio uma idéia sensacional em minha mente. Na hora eu pensei: “Taí, amanhã vou postar isso no Idéias.” Porém, quando acordei... Não lembrava de absolutamente nada (e até hoje não lembro)...

Teve uma época que eu anotava as idéias num papelzinho para desenvolvê-las depois. Mas não é a mesma coisa. A inspiração vem de sopetão. O negócio é aproveitá-la na hora porque depois não é a mesma coisa. O texto pode até sair, mas não tem aquela vivacidade que teria se fosse feito na hora do estalo.

Essa necessidade de escrever fez com que várias vezes eu escrevesse sobre as palavras, sobre a arte de escrever. Outro dia, pensei em postar um texto que eu escrevi no papel, falando sobre como é bom escrever a mão, com lápis ou caneta. Gostei do texto, mas não teria sentido nenhum passar para o computador já que ele só tem sentido se lido no papel.

Pode crer que se você ler algum texto meu falando sobre essas divagações, é porque eu estava sem idéia (como é o caso agora. Não tinha nada pra escrever, mas precisava escrever)...
E veja só como são as coisas... Eu não tinha nada pra dizer, mas já estou no sexto parágrafo e você continua lendo essas mal-traçadas linhas...

A falta de idéias sobre o que escrever fez com que eu escrevesse justamente sobre isso. É papo de louco, mas tem um monte de louco que lê isso aqui e entende essa abrobinha toda... Às vezes, até se identificam...

Vida de escritor é assim.

segunda-feira, agosto 06, 2007

A incrível saga de um jovem farrista

Toda vez que Cláudio saía para a balada, era aquele alvoroço. Seus pais já estavam cansados de tanta farra. Domingo, segunda, terça, quarta... Todo dia era dia para pra Cláudio ir para a gandaia. Mas aquela quinta-feira reservaria algo diferente para este jovem farrista.

Ao sair de casa, passou no cafofo de Juca, e foram ambos tomar uma gelada na birosca do Mathias. Juca estava um tanto ansioso com o encontro que teria com Mariana naquela mesma noite. Cláudio estava tranqüilo. Iria tentar se engraçar com alguma moça que lhe desse mole. No último mês ele, um sujeito um tanto bem-apessoado, tinha ficado com quatro garotas diferentes. Não lembrava o nome de nenhuma delas.

Juca também já teve sua fase galinha. Até que um dia ele conheceu Mariana, uma morena de olhos verdes e cabelos encaracolados. Uma mulher irresistível. Ao conhecê-la, Juca ficou bobo. Faltou-lhe o ar, o coração disparou e suas mãos começaram a suar. Paixão à primeira vista é assim mesmo. Paixão de mão-única, porque Mariana não deu a menor bola para aquele rapaz que tinha fama de cafajeste.

Quem também reparou em Mariana (e quem não reparava?) foi Carlinhos, antigo amigo de Juca. Carlinhos flertou, flertou, flertou, mas nada conseguiu. Na verdade, ninguém conseguira nada com ela. Era uma mulher difícil, orgulhosa... Não era de ficar de rolinhos. Com ela, o negócio era sério. Um beijo não era só um beijo. Nesse ponto, Mariana era uma mulher tradicional.

Como não consegui sequer um olhar de Mariana, Carlinhos desistiu. E abriu caminho para Juca. Ele insistiu tanto que, certo sábado de sol, conseguiu roubar um beijo da linda dama. A partir daí, o romance foi se firmando... Até virar namoro e agora todos invejam a sorte de Juca.

Todos menos Carlinhos, seu fiel companheiro. Este aí já teve em suas mãos mulheres mais atraentes que Mariana. Mas seus encontros nunca passavam da primeira noite. Era uma lei para ele: começava um romance a se firmar, ele pulava fora. Isso até a quinta-feira fatídica.

Na birosca do Mathias, a cerveja rolava solta. O samba esquentava o ambiente e Juca só pensava em Mariana, aquela tetéia. Cláudio não pensava em nada, apenas sorvia aquela cervejinha gelada e deixava-se balançar ao som da gostosa batucada que dominava o ambiente.

Cláudio era um sujeito alto, forte, bom papo e um tremendo pé-de-valsa. Naquela quinta-feira, já tinha traçado suas estratégias para a noite: iria tomar mais algumas cervejas e partiria, juntamente com Juca e Mariana para a festa de aniversário do Batata. Seria mais uma noite comum. Seria...

Estratégia traçada, foram os três para a festa do Batata. Além de seu aniversário, também seria comemorado o retorno ao Brasil de Júlia, após dois anos na Espanha. Para esta turma, qualquer coisa era motivo de festa.

Júlia não tinha a beleza de Mariana. Mas compensava com todo o seu charme e sensualidade. Era daquelas mulheres que transbordavam elegância. Depois de passar uma temporada na Europa, então... Voltou com tudo. Foi o destaque da festa.

Quando os olhos de Cláudio fitaram os olhos de Júlia, algo de diferente aconteceu. Pela primeira vez, em muitos anos, Cláudio não sentiu apenas atração por uma mulher. Agora ele sentia um calor invadir seu peito. Segurou a emoção e fingiu naturalidade. Ele tinha que manter a pose.

Durante algumas horas ele, de fato, manteve a pose. Mas era impossível resistir àquela dama. Ele notou, então, que aquela atração era forte demais. A paixão estava no ar, apesar dele relutar em admitir isso.

E tinha algo que o incomodava. Ele conhecia aquela garota de outros tempos. Mas não tinha idéia de onde. Em sua louca juventude, Cláudio já sofrera diversas vezes de “amnésia alcoólica”, principalmente quando a bebida em questão era a vodka. Assim sendo, muitas mulheres que passaram pela vida dele foram sumariamente apagadas de sua memória.

Ele não sabia, claro, mas Júlia era uma delas. Certa vez, durante uma viagem à Bahia, ele teve um fugaz romance com ela (por fugaz romance leia-se uma noite, ou algumas horas, de intenso amor). Porém, devido ao seu alto grau etílico, ele esquecera completamente dela. Mas ela não esquecera dele...

Júlia não se esquece dos homens que passam em sua vida. Não importa a duração do romance. E Cláudio ficou gravado em sua mente. Naquela viagem à Bahia, ele foi quem mais a encantou. Voltou para São Paulo apaixonada por ele. Paixão esta que logo se dissipou quando ela o viu de mãos dadas com uma jovem colegial na sorveteria (Cláudio era assim: levava as meninas para a sorveteria e as mulheres para o bar).

Ela não se conformara em ser trocada por uma “criança”. Ela ficou, de fato, muito irritada. Com o orgulho ferido, prometeu para si mesma que iria desprezar categoricamente Cláudio.

E foi o que ela fez na festa. Ignorou completamente o rapaz. Ele, completamente fora do ar, não entendeu nada. Ficou tentando chamar a atenção dela a noite toda. Mas não conseguiu nenhum sorriso. E mais, só para provocar Cláudio, Júlia ficou de conversa fiada umas boas horas com diversos rapazes.

Pronto, isto foi o que bastou para Cláudio cair do seu altarzinho imaginário. Ele estava na crista da onda, mas caiu. Era o rei da cocada preta, mas foi desprezado.

No dia seguinte, passou o dia todo em casa. Deixou até de ir beber com os amigos, que acharam tudo isso muito estranho. Juca, que tivera uma noite maravilhosa com Mariana, foi visitar o amigo. Estava preocupado. “Que acontece com você? Nunca te vi assim...” perguntou Juca. “Putz, Juca.... Que foda!! Fiquei caidinho por uma mina ontem na balada. Mas ela me ignorou totalmente. Não sei o que acontece. É a menina que voltou da Espanha... Júlia... Que gatinha!! Tenho a impressão que eu conheço ela de algum lugar, mas não sei onde... Nossa, fiquei apaixonado...”

Juca apenas riu quando ele citou o nome de Júlia. Que tonto! Como alguém podia se esquecer de uma mulher como Júlia? Juca se lembrava muito bem do fugaz encontro que Cláudio tivera com Júlia na Bahia. Mas Cláudio estava inconsolável. Não lembrara de nada e estava apaixonado por aquela dama que o desprezara na véspera.

A verdade, então, começou a vir à tona. “Seu mané! Como você não se lembra dela? Você ficou com ela na Bahia!! Naquela festa que teve na praia! Como você não se lembra?” perguntou Juca. Cláudio se levantou da cama e começou a andar de um lado para o outro. “Como assim? Eu fiquei com ela na Bahia? Não lembro!! Que fase, meu Deus!” disse o desesperado Cláudio.

De fato, ele estava em uma sinuca de bico. Não queria mais saber de gandaia. Queria Júlia! Mas ela era orgulhosa e não tinha a menor intenção de se envolver novamente com aquele canalha.

Durante quase um mês, Cláudio não saiu pra a balada. Seus pais comemoravam. Enfim, o filho deles tinha tomado jeito. Mal sabiam que era apenas uma sofreguidão de amor que o enclausurava em casa. Juca e Mariana estavam preocupados. Hélio, seu primo mais novo (tinha apenas 16 anos) e mascote da turma, também visitava quase todo dia o familiar sofredor. Sabia que o primo sofria por causa de mulher, mas não sabia quem era a culpada e muito menos a razão de Cláudio sofrer tanto. Hélio mal sabia, mas elel mesmo seria um instrumento de vingança nas mãos de Júlia.

Hélio era o contrário de Cláudio: um sujeito pacato, caseiro e decente com as mulheres. Também era boa-pinta. Mas era tímido e isso fazia com que não tivesse muita sorte com as mulheres. Isso até ele entrar no joguinho de Júlia.

Ela estava vibrando em saber que Cláudio sofria por ela. Todos já sabiam a causa da angústia dele. Mas ela ainda não havia terminado sua vingança. Ela queria ficar com um “pivete” na frente dele. Este “pivete” já estava escolhido por ela: era Hélio.

Júlia era meticulosa. Ela esperou baixar a poeira, voltou a conversar com Cláudio e deu bola para ele só para ele pensar que iria conseguir algo. Durante dois meses, Cláudio ficou “pedalando” pra cima de Júlia. Ela sempre esquivava, mas deixava uma esperança no ar. Isto era parte do plano. Esperou a data certa para finalizar com Cláudio.

O dia escolhido foi o Reveillon. Todos muito felizes e cheios de boas-intenções. Hélio era tão devagar que nem percebeu que Júlia o fitava sem parar. Cláudio, claro, percebeu que sua amada dava bola pra seu primo. Mas nem botou fé. Afinal, aquele mulherão era areia demais para o caminhãozinho de Hélio.

Hélio, então, depois de muito tempo, reparou na investida de Júlia. A princípio, não acreditou. O que aquela linda mulher de 25 anos iria querer com um adolescente?

Depois de algumas horas, Júlia foi até Hélio e puxou conversa. Estava linda, com belíssimo vestido florido e uma sandália de dedo. Estava esplendorosa, totalmente irresistível. Se aquela conversa durasse mais 20 minutos ele sucumbiria à tentação. Mas bastaram sete minutos para Júlia tascar um beijão em sua boca, para tremenda decepção de Cláudio.

Dizem que homem não chora, mas Cláudio teve que sair de fininho para não fazer feio na frente de todo mundo. Andou até a praia e chorou. Ficou com raiva de Júlia e com ódio de Hélio. Queria matar seu primo, aquele pivete! Depois de verter muitas lágrimas, ele se endereçou para o primeiro bar. Por coincidência, era a birosca do Hélio.

Lá ele tomou duas batidas de limão, comeu uma porção de torresmo e chorou. Como chorou naquela noite! Nunca mais seria o mesmo farrista. Nunca mais machucaria um coração de uma mulher. Nunca mais seria um canalha. Sua vida amorosa mudaria da água para o vinho. Trataria tão bem as mulheres que elas abusariam dele. A partir dali, não seria mais o Cláudio, “o pegador”. Dali pra frente, sua alcunha seria outra: Claudinho Antena, o maior corno da região.

terça-feira, julho 24, 2007

Linda flor


És muito mais do que uma mulher
És um sonho do qual ainda não despertei
És um sonho que há tempos desejava sonhar
E só agora sonhei

És muito mais do que uma linda dama
És uma chama que aquece o peito de quem ama
És o fogo que faltava em meu coração
És uma doce, terna e gostosa paixão

És muito mais do que um sorriso
És o motivo de todo o meu riso
És mais formosa que a mais linda flor primaveril
Que reluz sob um sol de um céu anil

És tudo isso e muito mais
Uma beleza pura
O remédio para a cura dos meus ais

Batente indecente

Sai dessa onda de só trabalhar
A vida também foi feita para se amar
Vamos lá, não demora
Pare de fazer hora
Não me enrola
Não sou relógio para ficar em compasso de espera
Acelera o processo
Se não, nosso enlace será um insucesso
Pare de trabalhar
Vem comigo logo ficar
Sou muito mais quente
Que o batente indecente
Que vive a reclamar

Um mundo de fantasia

Os olhos que me fitam
São negros
A mão que me toca
É macia
Os lábios que beijo
Têm encanto
O coração que palpita
É quente
Os braços que me envolvem
Me dominam
A dama que cortejo
Faço com poesia
Estar só eu e você
Num mundo de fantasia
Que alegria!

Lindo sorriso

Lindo sorriso
Que encanta por onde passa
Lindos olhos que fascinam
Quem a eles olhar
Lindo cabelo
Cacheado e louro
Que o vento leva no seu balançar
Linda pele, alva e macia
Basta um leve tocar
Para o coração começar a palpitar
Como é doce e formosa
A mulher que agora admiro
E com seu olhar,
Doce poesia soprada no ar,
Cheio de magia,
Faz-me, embriagadamente, inspirar

sexta-feira, junho 22, 2007

O mais certinho babava e corria atrás de um avião

Todos estavam empolgados com a grande festa que se aproximava. O Operário estava bêbado e o Cozinheiro, seu irmão, já lançava olhares reprovadores sobre ele. Juntos, se dirigiram para a casa do Kolynos, uma pasta de dente pra lá de animada. Chegando lá encontraram o Palhaço Tits, o Palhaço Cabeção, o Vampiro, o Presidiário, o Padre e a Ninfeta. Com exceção do casal imoral (onde já se viu um padre casar com uma ninfeta?), todos saborearam um doce antes de partirem.

A Colegial se juntou com a trupe e todos partiram felizes para a festa. Lá, encontraram a Pedrita e a Cátia Flávia, que estava um espetáculo. Papo vai, papo vem, e de repente o povo começou a ficar louco. Cerveja era consumida a rodo e a mente da galera já estava a mil. O doce saboreado antes da festa era muito gostoso. Ninguém conseguia se esquecer dele...

Outras figuras ajudavam a deixar o ambiente mais festivo. O Homem-Narguilê distribuía sua fumaça por onde passava. Era uma farra só... Quando começou a rolar um som dançante, o Operário logo mostrou para que veio. Seus passos contagiavam a pista. Ele era uma atração à parte. Pena que pouco tempo depois ele não já não conseguia mais se comunicar com ninguém.

O Cozinheiro estava impossível. Não podia ver um rabo de saia que já ia atrás. Mas seu estado também já não era bom. Deu pra perceber que, conforme avançava a madrugada, o pessoal começava a se transformar em bicho. O Palhaço Cabeção era um exemplo claro disso: ficava tirando sarro de todo mundo e seu rosto já começava a derreter.

De repente, e justamente quando o Kolynos e o Palhaço Tits estavam no palco, surgiu um boato que mudaria o rumo da festa: “o Vampiro arrumou briga”. Todos saíram atrás dele... Mas quem foi encontrado ferido e com a roupa rasgada não foi ele e sim o Cozinheiro. Depois de muita discussão ficou a dúvida: Quem brigou? O Vampiro ou o Cozinheiro? Esta pergunta não quer calar...

Neste momento, o Palhaço Tits se transfigurou. Como uma bola de boliche ele saiu derrubando todo mundo até achar o Vampiro. Mas o Vampiro estava dançando feliz e não sabia o que tinha ocorrido. Palhaço Tits ficou muito puto. “Tira seu irmão daqui”, dizia ele para o Operário. “Ele atrai confusão”. Mas olhando para a cara do Cozinheiro, não tinha como não rir. Aliás, nessa hora, todos riam.

Era um pior que o outro. A pista fervia e o calor fazia com que o povo bebesse mais e mais cerveja. Tamanha era a vontade de beber dos meninos que eles dominaram o bar. Era uma cerveja para as meninas e um beijinho...

Como num passe de mágica, acabou a noite e a luz do dia começou a penetrar o ambiente. A porta da balada virou um portal mágico e quem saia entrava em outro mundo. O aspecto geral dos festeiros era de derrota. Todos muito cansados, cheio de aditivos na mente. O presidente Lula, por exemplo, se arrastava pela pista, já querendo ir embora.

Nesse momento, o Presidiário andava de um lado para o outro. Passava, olhava as meninas, conversava com elas e suava... Como suava. Kolynos também estava ruim. Durante uma hora ficou seguindo o Palhaço Tits. Depois, ficou xavecando a mesma menina por horas. Tomou quinze botas, mas nem percebeu. Finalmente, começou a encanar com o Irlandês.

Kolynos, pasta de dente mais maluca do Brasil, não gostou do estilo do Irlandês. Começou a comentar com o Vampiro que estava incomodado com o sujeito. E lá foi ele falar merda pro cidadão. Durante uns quinze minutos ele ficou xingando o Irlandês. Este, depois de não mais agüentar, decidiu ir embora. Mas Kolynos estava louco e gritava: “Irlandês Maldito!!!”. Neste instante, apareceu o Operário, que começou a gritar junto: “É, você é um maldito, atrapalhou a maratona do cara”, numa clara referência ao padre irlandês (maldito).

O ambiente ficou vazio. Só os mais resistentes continuavam. Cátia Flávia estava na pilha e de tempos em tempos levava uma água para o Operário, que já não conseguia se comunicar.

A hora avançava e quando a festa acabou, o Operário e o Kolynos foram deixados para trás. Aí começaram a ligar sem parar para o Presidiário voltar para a festa. E depois de longa espera ele voltou. Foi uma alegria só. Na volta, no carro, o Vampiro e o Presidiário estavam baleados. Em compensação, o Operário e o Kolynos estavam irradiantes. E gritavam “Irlandês Maldito!” para todos que passavam na rua.

Finalmente, todos voltaram para casa descansar. O domingo seria um dia morto para todos. Mas a semana ainda renderia muita história para contar.

terça-feira, junho 12, 2007

Quem gosta de problema é matemático

“Se você fosse dinheiro, eu andaria duro...”. Atualmente, estou numa fase que eu estou correndo de problemas. Mulher chata, problemática, ciumenta, depressiva... Estou correndo disso. Já dizia o grande poeta anônimo, seguidor da sabedoria Missiê Sade Lorran: “Quem gosta de problema é matemático...”.

“Se você fosse alimento, eu passaria fome...” Pra que viver cheio de cobranças e amarras? A juventude está ficando louca com esse negócio de namoro amarrado. Parece casamento... O moleque vive na casa da menina, cria fortes vínculos com a família dela, namora cinco anos e... Deixa de sair com os amigos, jogar bola, assistir o time do coração na TV...

“Se você fosse tecido, eu seria um segundo Adão...”. Não, não pode ser assim. Porque depois casa de verdade e pronto. Não pode mais fazer nada... Não pode ir pro pagode, não pode sair com os amigos... Por mais decente que for o cidadão, a mulher sempre vai pensar que ele vai colocar uns cornos nela.

“Se você fosse calmante, meu bem, arrebentaria o meu coração”. E quando começa errado um relacionamento, não há meio de se consertar. Já dizia o velho ditado: “Pau que nasce torto nunca se endireita”. Começou errado, termina logo... O negócio é liberdade.

“Se você fosse abrigo, eu dormiria ao relento...”. Porque não ser feliz? O homem e a mulher? Pra que ciúme? Se você namora, você respeita... Não pode esculachar... Se você tem uma patroa, valorize né?

“Se você fosse condução, eu viajaria a pé... Da Penha até a Praça da Sé.”. Valorize e nunca deixe descambar. Se desandar o molho, azedar o boi, termine sem dó... Estes são os meus sinceros conselhos neste Dia dos Namorados.

sábado, maio 05, 2007