terça-feira, junho 12, 2007

Quem gosta de problema é matemático

“Se você fosse dinheiro, eu andaria duro...”. Atualmente, estou numa fase que eu estou correndo de problemas. Mulher chata, problemática, ciumenta, depressiva... Estou correndo disso. Já dizia o grande poeta anônimo, seguidor da sabedoria Missiê Sade Lorran: “Quem gosta de problema é matemático...”.

“Se você fosse alimento, eu passaria fome...” Pra que viver cheio de cobranças e amarras? A juventude está ficando louca com esse negócio de namoro amarrado. Parece casamento... O moleque vive na casa da menina, cria fortes vínculos com a família dela, namora cinco anos e... Deixa de sair com os amigos, jogar bola, assistir o time do coração na TV...

“Se você fosse tecido, eu seria um segundo Adão...”. Não, não pode ser assim. Porque depois casa de verdade e pronto. Não pode mais fazer nada... Não pode ir pro pagode, não pode sair com os amigos... Por mais decente que for o cidadão, a mulher sempre vai pensar que ele vai colocar uns cornos nela.

“Se você fosse calmante, meu bem, arrebentaria o meu coração”. E quando começa errado um relacionamento, não há meio de se consertar. Já dizia o velho ditado: “Pau que nasce torto nunca se endireita”. Começou errado, termina logo... O negócio é liberdade.

“Se você fosse abrigo, eu dormiria ao relento...”. Porque não ser feliz? O homem e a mulher? Pra que ciúme? Se você namora, você respeita... Não pode esculachar... Se você tem uma patroa, valorize né?

“Se você fosse condução, eu viajaria a pé... Da Penha até a Praça da Sé.”. Valorize e nunca deixe descambar. Se desandar o molho, azedar o boi, termine sem dó... Estes são os meus sinceros conselhos neste Dia dos Namorados.

sábado, maio 05, 2007

sábado, abril 14, 2007

Bem-vinda, Tainá

Que desde já você seja abençoada com todo amor do mundo. Vida longa a você, minha queridinha.

quinta-feira, março 01, 2007

Hipocrisia

É impressionante como a hipocrisia é algo que permeia nossa sociedade em várias instâncias.

Os políticos fazem votos de honestidade e depois metem a mão no dinheiro.

As agências de modelos fazem coro anti-aneroxia e depois põe modelos esqueléticas para desfilar.

Os jogadores de futebol juram amor a um clube, mas só se preocupam com o dinheiro.

Os policiais dizem que protegem, mas estão loucos para enquadrar um maconheirozinho qualquer.

Normalmente é assim que funcionam as coisas em nossa sociedade: te oferecem flores mas te apunhalam pelas costas.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Vida

O sol resplandece no céu. As árvores, poucas, mas lindas, balançam suas folhas com a doce brisa que sopra no ar. Recostados numa mureta, dois amantes se beijam. É um beijo sincero, apaixonado.

As andorinhas voam em bando. Sinal de chuva. Que cai, apesar do sol presente. Um arco-íris invade a paisagem.

O pai chega em casa depois de um árduo, mas prazeroso, dia de trabalho. Sua filha pula em seus braços e o beija por um longo minuto. Depois, eles brincam muito. A mãe, feliz, só os observa.

Do outro lado da rua, quatro amigos tomam uma cervejinha. Discutem futebol, contam piadas, falam de mulher. Um deles está apaixonado pela garota que conhecera na véspera. Todos brincam com a paixão do amigo. O bom-humor impera.

A criança chuta a bola. É gol. “Manhê, fiz sete gols hoje!!”. A outra criança bate bafo com seus primos. Ele é o melhor e “rapela” todo mundo. Que alegria!

Ao cair a noite, os boêmios saem à rua. Muitos trabalham de dia. Dormem pouco, mas aproveitam a noite. Outros, nem isso, vivem à noite (e, em alguns casos, da noite). Um chega com o cavaco, o outro com o pandeiro. Logo, estão cantando, felizes da vida. “Garçom, desce mais uma!”.

O carnaval está aí. Gente que sofre o ano todo será rei por três dias. Na quarta-feira, tudo acaba. Mas a lembrança segue por todo o ano.

Um sorriso. É o suficiente para alegrar quem, por algum momento, esteve triste.

Risos, sempre sinceros, nunca sarcásticos, irônicos. Choros, sempre de emoção e alegria, nunca de dor. Solidariedade sempre na boa intenção, nunca por interesse. Amor, em todas as instâncias da vida.

Não sobreviva, viva...

Sobrevida

A cratera do metrô engole a lotação, a chuva ácida alagou a cidade, o prefeito xingou o cidadão de vagabundo, os jogos de futebol continuam a começar às 10 da noite, o céu da cidade é cinza e seus prédios também, de tanta sujeira.

O calor sufoca e nem temos praia para nos refrescarmos, a bateria de escola de samba não toca mais samba, o pedestre não atravessa a rua sem ser quase atropelado, as modelos anoréxicas morrem por culpa do padrão de beleza magérrimo que é imposto à elas. Imposto, aliás, que não pára de subir.

A juventude volta à idade das pedras nos primeiros dias de aula nas faculdades. Trote: um bando de babacas com problemas de auto-afirmação pegando pesado com um bando de trouxas que se submetem à humilhação. Nada muda nos quatro anos seguintes: o aluno sai especializado em bebedeiras, festas e futilidades.

Bolivianos já assaltam os paulistanos. Até mulher grávida é alvo. Daqui a pouco, vão entrar para o PCC. A polícia é do mesmo nível: malvada, suja, inescrupulosa. Vivemos no meio de gente mal-intencionada. Confie em seus amigos e em mais ninguém. Ninguém vale o prato que come neste mundo cão.

Os carros poluem. Nossos rios estão sujos e nossos riachos, encanados. Encanado também está o trabalhador, que só se fode na mão do patrão. O empregado mal consegue pagar suas contas. O patrão não esquenta a cabeça. Está passando férias na Costa Brava, Espanha, mesmo lugar onde Cicarelli fez suas travessuras.

Um motoboy tira uma fina de uma senhora, que xinga. Ao seu lado, uma mulher com uma criança no colo quase cai para trás, de susto. Na esquina adiante, cai uma viga, de um prédio em construção, na cabeça de uma criança. Morte, fatalidade. Para o governo é bom, um a menos para alimentar, para dar educação, saúde... Na verdade, se a criança não morresse, iria dar no mesmo: ficaria sem as condições básicas de sobrevivência do mesmo jeito.

Quem não busca a vida, quem não busca viver a vida, de fato, apenas sobreviverá. Neste cenário caótico aqui ilustrado. Agora, se você quiser viver...

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Quantos anos de análise?

Parodiando Adão Iturrasgarai:
Puxar um samba e não saber cantá-lo inteiro - 5 anos de análise
Errar um verso de partido alto na roda de samba - 10 anos de análise
Passar uma tarde inteira escutando sambas do Cacique de Ramos - 100000000000000 anos de análise

terça-feira, janeiro 16, 2007

sábado, janeiro 13, 2007

A inspiração

Meu caro amigo
Vou lhe dizer algo do coração
Leve sempre contigo,
E não perca jamais, a inspiração

Porque ela é o nosso sentimento
Em arte transformada
É emoção
Em poesia transfigurada

Ela é para poucos
Deve ser aproveitada
Vem em pequenas doses
Que jamais devem ser desperdiçadas

Inspiração é emoção
Paixão, dor, amor
Derrete o gelo
Queima nosso peito com ardor

Por isso, meu caro amigo,
Aproveite estes momentos
Porque só assim,
Você pode transcrever seus belos sentimentos

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Nova geração do samba de São Paulo



Meus amigos na roda de samba. Eu sinto que eu tenho uma sorte danada de conviver com essa turma. É muita categoria. Com certeza, essa galera ainda vai dar muito o que falar na música popular brasileira. São eles: Edu Batata, Cacá Sorriso, Cebola, Alessandro Penezzi, Alê do Clarinete, Paula Sanches, Paulinho Timor, Dil Bandeco e Marcelo.
Aqui ainda temos a participação especial de Oswaldinho da Cuíca.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

A menina levada e a censura


“Pô, eu uso Youtube para ver gols e lances polêmicos de futebol. Sou jornalista. Por causa de uma trepada de uma sem-vergonha, eu vou ficar privado de usar um site que me auxilia no meu trabalho?”. Como tantos, um amigo meu jornalista também se indignou ao ver o Youtube, site de compartilhamento de vídeos, fora do ar por causa de uma ação movida pelo namorado de Daniela Cicarelli.

Tudo começou quando, Daniela, muito fanfarrona, transou com seu namorado em uma praia da Espanha. Estando em um lugar público e sendo uma personalidade famosa (ela é ex-mulher de um dos maiores ídolos de lá, o nosso Ronaldo Fenômeno), ela estava sujeita às ações de um paparazzi qualquer. E foi o que aconteceu. Um cinegrafista captou as imagens e logo o mundo inteiro via as imagens na Internet.

O namorado da moça, Tato Malzoni, tratou de entrar na Justiça para retirar os vídeos de rede. Algo impossível já que em poucas horas o vídeo já se difundira como um vírus por todo mundo. No começo do ano, o juiz Lincon Antônio Andrade Moura, determinou que todos os sites que abrigassem o vídeo o tirassem do ar. Como no Youtube, isto é impossível, ele determinou que tirassem o Youtube do ar. Ou seja, censurou. Pela primeira vez em nossa história, a Internet foi censurada. Tudo por causa de uma farra de dois jovens inconseqüentes.

A Brasil Telecom e a Telefonica tiraram o Youtube do ar, privando muitas pessoas de trabalharem, como os jornalistas que dependem do Youtube para verem gols... A situação logo voltou ao normal, com o Youtube voltando a funcionar. Mas a polêmica ficou: este ato de censura abrirá novos precedentes?

Para quem não conhece (algo raro nos tempos de hoje), o Youtube é um site onde você pesquisa vídeos. Lá tem vídeo de programa de televisão antigo, trechos de filmes, vídeos amadores, vídeos de situações como a que viveu a apresentadora da MTV... Tem também, muitos e muitos vídeos de futebol. Para quem é boleiro é o paraíso. Você revê aqueles lances históricos do seu time... Vê gols de importantes finais... Vê tudo o que você imagina e tudo o que você nem imagina que vai ver. Outro dia, vi gols de todas as finais da Champions Legue desde 1981.

O Youtube é o site mais acessado do mundo. Tanto é que foi vendido para o Google pela bagatela de 1 bilhão e 650 milhões de dólares. Incomoda muita gente com seus vídeos, principalmente a indústria fonográfica e os estúdios de cinema, que não gostam de ver seus produtos disponíveis gratuitamente. Apesar disso, nenhum outro juiz do mundo mandou censurar o site. E olha que tem coisa bem pior do que o vídeo da Cicarelli por lá. Por exemplo, as imagens da execução de Saddam. Mas nós, brasileiros, por pouco não ficamos privados de ver o site. Tudo por causa de uma menina mimada que não que ninguém veja suas travessuras na praia.

domingo, dezembro 31, 2006

Ano Velho que vai, Ano Novo que vem


Ano velho que vai
Ano novo que vem
Hora de renovar as esperanças
E guardar na mente, só as belas lembranças
Esqueça os dissabores
Porque este ano, irão surgir novos amores
Deixe para trás os preconceitos, os rancores, as inimizades
Pois é tempo de alegria, de amor, felicidade
Que no Ano Novo não repita os erros do Ano Velho
Que os aprendizados do Ano Velho se consolidem no Ano Novo
Que tenhamos uma vida melhor
E um pouco mais de dignidade para o nosso povo.

sábado, novembro 11, 2006

Buraco Quente

Buraco Quente para mim era uma localização do Morro da Mangueira. Ali mesmo, onde começou o bate fundo, o baticundum. Ali onde Carlos Cachaça ensinou para o futuro mestre, então menino, Cartola, o que era o samba.

Mas não, olha que descoberta da vida! Descobri que "buraco quente" também é o nome de um lanchinho, estes sandubinhas de festa que o pão francês é um mini-pão francês. No pãozinho você faz um buraco e enche de carne moída bem temperatinha, com aquele molho esperto. Taí. Um Buraco Quente.

segunda-feira, outubro 16, 2006

É melhor viver do que apenas sobreviver

É bem melhor sorrir do que chorar
E cantar a ficar calado
Muito melhor é brincar do que brigar
E se divertir a se emburrar
Não é preferível ser feliz do que ser triste?
Verdadeiro a mentiroso?
Sincero a enganador?
É muito melhor escutar uma boa música
A um barulho qualquer
É também melhor estar entre gente querida
Do que estar entre inimigos

É melhor se emocionar vivendo
Do que viver apenas para ter
É melhor ter uma vida simples e sorrir
Do que estar no ouro e chorar de tristeza
É melhor viver os dias
A se rastejar atrás do dinheiro dia-a-dia
É melhor viver do que apenas sobreviver

segunda-feira, outubro 09, 2006

Na vitrola do Piruca - Henricão

NA VITROLA DO PIRUCA

Henricão - Recomeço

Não vou começar a escrever sobre este disco sem antes contar como esta obra-prima foi parar em minhas mãos.

Eu já havia escutado alguns sambas ótimos dele nas rodas de samba e aí descolei o CD dele do Ensaio da Cultura. No encarte, li a respeito um disco solo que ele havia lançado. Na hora, lembrei que este disco havia passado pelas minhas mãos num sebo. No mesmo dia, fui ao tal sebo. Cheguei na hora de fechar a casa e tive procurar correndo a preciosidade. Achei. 8 contos.

Chegando em casa, escutei a relíquia. Aí minha felicidade foi completa. Arranjos primorosos, privilegiando a harmonia dos violões e do cavaquinho. O ritmo bem cadenciado com o surdo entrando sempre na hora certa.

As músicas são obras-primas. “Está chegando a hora” é um hino dos estádios de futebol de hoje. Era uma música mexicana (“Cielito Lindo”) que Henricão, sabiamente, adaptou em forma de samba. “Carmelito” é um antigo tango (“Camiñito”) que também virou samba. Estas duas faixas contam com a participação de Carmem Costa, que dividia os microfones com o sambista paulista nas rádios paulistanas nos anos 40.

O samba “Não faça hora”, feito em parceria Caco Velho, eu conheci nas rodas. É um samba paulistaníssimo, que faz referência ao famoso relógio da praça da Sé.

As parcerias mais constantes (inclusive as duas adaptações já citadas) são com Rubens Campos. Mas também assinam parceria com Henricão, os sambistas Raul Márquez e Bucy Moreira, além de José Alcides, Dêdê, Vitor Gonçalves e Caco Velho.

Os sambas são sempre muito cadenciados e diferente dos sambas cariocas. Têm uma característica bem própria as composições dele, inclusive as parcerias com os malandros Bucy e Raul Márquez.

Há no disco, ainda, uma marcha-rancho (“Andorinha”), uma batucada (“Saravá Umbanda”). Porém, o mais surpreendente mesmo, para mim, foi a letra que Henricão colocou, no maravilhoso choro “Sons de Carrilhões” de João Pernambuco. Vale a pena transcrever:


Sons de Carrilhões (João Pernambuco/ Henricão)

“Meu grande amor, eu vou partir
Sei que saudade irá sentir
Pois eu fiz tudo para lhe agradar
Me faz sofrer, me faz penar
Quando distante, eu estiver
Pode pensar o que quiser
Pode dizer que eu fui louco em deixar
Este meu divino lar

Mas pra que viver com quem não quer viver
Eu sempre fui sacrificado em pró do seu pudor
Pelo amor do nosso amor
Mas você sempre fingiu não compreender
O que passou na minha vida
Foi um sonho meu desiludido
O meu amor ardeu”


É isso aí. Paulista também faz samba de primeira.

domingo, outubro 01, 2006

Eleições 2006


Daqui a pouco vou lá na PUC votar
Em quem será que eu voto? No sujo, no mal-lavado ou na arrumadinha?
E para deputado? No Partido da Trapaça, no Partido do Trambique ou no Partido da Tramóia?
E olha que quatro anos atrás estávamos eufóricos com o mal-lavado na Presidência.
Agora é só lamentar pois ninguém presta.

quarta-feira, setembro 06, 2006

A gana pela grana

Com esta gana
Você até pode chegar à fama
Vai ter muita grana
Mas seus pés vão ficar atolados na lama

No calor, até com notas de cem, você se abana
E depois as esconde debaixo da cama
É bom ter muita grana
Só tome cuidado com a lama

Seu banco, dinheiro dos outros afana
O poder é tudo que você mais ama
Está atolado em tanta grana
Mas, mais atolado ainda, está na lama

Comprar mansões é como comprar banana
Também compra a mais bela dama
Porém, graças a este amontoado de grana
Não consegue tirar os pés da lama

É corrupto, mas nunca vai em cana
Nem pensa nisto, pois só pensar já é um drama
Você vive iludido com esta grana
E nunca mais vai sair deste mar de lama

quinta-feira, agosto 10, 2006

Eterno



As palavras vêm para o papel da mesma maneira que uma emoção brota do peito.
Quando um sentimento invade o peito nosso, não há razão que se possa segurar.
Surgem palavras, surgem melodias, trabalhadas com muita inspiração
Para que a eternidade deste sublime momento torne-se perene.
E isso não há quem apague.

Morre o dia, vira a lua, muda-se de estação e esta emoção representada em formas triunfais fica.
E permanecendo em seu estado puro, esta emoção também emociona.
Vivemos para isso.
Poesia, música, arte, emoção.
Isto fica.

Nada é mais recompensador do que cantar um samba feito nas asas da poesia e da linda melodia.
Quando a cuíca chora e a batida do surdo pulsa como um coração, o violão faz o bordão, esperando o floreado do cavaquinho.
Fecho os olhos, canto um samba meu.
Posso morrer no momento seguinte.
A realização é plena e nada é mais gostoso na vida do que isso.
Salve.



foto:
http://www.vivabrasil.it/quincas/foto/Pandeiro.JPG

segunda-feira, julho 24, 2006

Chega de brincadeira

A medida que o tempo passa, as coisas vão ficando mais sérias. Acabou o tempo de brincadeiras sem fim. A cada dia, a cada semana, a cada lua, mais você progride ou mais você fica estancado no mesmo lugar.

Viva progressivamente. Aprenda, ensine, compartilhe, viva.

Ficar parado assim, não dá. Reflita e aja. Basta uma atitude. Força. Não se cansa de ver os dias passarem e você ficar aí, no mesmo lugar?

Ah, esqueci. O problema não é apenas se desenvolver. O problema é o dinheiro. Ele faz você se rastejar e se limitar, né? Você deixa de se realizar porque precisa sobreviver de outra maneira.

Pois é. Sem brincadeiras. Vai ganhar dinheiro com o que você gosta. Deve ser bom gostar de ser político corrupto. Ganha dinheiro fácil fazendo o que se gosta.

Talvez seja típico da idade. Juventude. Tempos de felicidade incondicional.

Vai fazer o teu papel neste mundão. Qual é?

Busca a cultura.

Busca o verdadeiro Brasil.

Acho que é mais ou menos isso.

quinta-feira, julho 20, 2006

Marcola, Geraldo e outros bandidos

Vivemos num período pós-Copa e pré-eleições.
Neste meio tempo, temos a guerrilha urbana.
O careca fala que é culpa dos vermelhos.
Os vermelhos (um tanto desbotados, quase cor-de-rosa) culpam os verdadeiros culpados.
Culpados estes que governam o estado há tanto tempo.

E essa fase de terror te assusta?
Te deixa amedrontado em casa?
Faz você repensar suas atitudes?
Eu não.

Para mim existem vários tipos de criminosos.
Os do Primeiro Comando da Capital são os mais inofensivos.
Fazem alarde, mas são anjos pertos dos bandidos do Comando da Capital do Brasil.

Fogo no ônibus não é pior do que descaso com educação
Banco metralhado não é pior do que fome generalizada.

O Marcola não é pior do que nossos "honestos" políticos.

Burgusia fétida, tremei de medo.
Vocês vivem enjaulados
Vivem numa ilusão
Vivem de olhos fechados.

Abram logo
Pode ser tarde demais.

sexta-feira, abril 07, 2006

Jair e as flores

“Quando eu passo perto das flores
Quase eles dizem assim
Vai que amanhã enfeitaremos o seu fim”

É, seu Jair, esse samba seu e do Nelson é antigo. Seu parceiro se foi e teve as flores em vida. Agora você também foi. As flores que enfeitam seu fim alegraram sua vida.

Que honra tive eu de poder te conhecer, Jair. Nunca me esqueço daquele dia em que você me falou sobre a Portela antiga. Pois é, você era o sócio número 1, o mais velho da Velha Guarda, contemporâneo do Mestre Paulo. E ainda assim, atravessou o século, chegando até este fatídico 6 de abril de 2006, o dia em que finalmente as flores enfeitaram seu fim.

Escutei muito você nestes últimos dias. Você já estava internado, mas eu não sabia... Nestes dias escutei muito “Os Cinco Crioulos”. Neste instante mesmo escuto você cantando o samba “Vaidosa” do Herivelto Martins. Estou triste pela sua ida, Jair. Gosto muito dos seus sambas, da sua palhetada (a mais veloz do samba, segundo Jacob do Bandolim), da sua voz...

Você se foi. Mas foi um vencedor. Um negro pobre e suburbano normalmente não consegue se consagrar. Apenas os boleiros e os grandes sanbistas como vocês, da gloriosa Velha Guarda da Portela, que agora está de luto. Você venceu já nos anos 60, quando integrou o “Rosas de Ouro”, o “Voz do Morro” e o “Cinco Crioulos”. Estes conjuntos resgataram o samba e você fez parte dessa época histórica.

Já velhinho, gravou o seu único disco solo. Você e seu cumpádi Argemiro. Ambos esperaram a consagração final antes de darem seus suspiros finais.

Mas tudo bem. Tem muita gente bamba aí com você, aí em cima. Você vai rever o Paulo, o Alvaiade, o João da Gente e toda a turma da Portela, o Nelson, o Cartola, o Mauro, o João Nogueira, o Silas, o Mano Décio... O pagode deve estar caprichado. Vai lá. Pega seu cavaquinho, chega na roda de mansinho, com seu miudinho, e capricha na palhetada. Aqui, as flores enfeitam seu fim e a saudade já é enorme.

quarta-feira, março 29, 2006

O tudo, o nada e o algo

Quando o nada torna-se algo
Este algo torna-se tudo
E tudo para uns
Pode ser nada para outros

Mas nada já é algo
Ao ser alguma coisa
Porque a ausência já não é nada
E sim algo
Algo não muito palpável
Algo não muito sensível
Mas algo

E algo me diz
Que este nada primordial em minha mente
Já virou palavras e mais palavras

Nada me faz parar
Tudo me faz continuar
Até que algo possa me mostrar
Que o tudo e o nada
São a mesma coisa
Nada mais do que
Duas faces da mesma moeda

sexta-feira, março 24, 2006

Um gringo no Maracanã

John Man chegou ao Rio de Janeiro cheio de expectativas. Iria conhecer o Maracanã, a imensa torcida do Flamengo e o futebol pentacampeão. Era domingo. Pegaria um solzinho pela manhã e a tarde iria para o jogo. Tudo certo.

Conforme a tarde avançava, ele começou a estranhar a falta de movimento na região do estádio. Esta hora, as ruas deveriam estar cheias, o transito deveria estar caótica. A cidade deveria estar parada, mas não estava. O que estava acontecendo?

Sem entender nada, Mr. Man pegou um táxi em direção ao estádio. Ao chegar, viu um punhado de torcedores de verde e outro punhado vestido de amarelo, vermelho e azul. Comprou o ingresso e entrou. O estádio estava quase vazio. O gringo então perguntou para a velhinha vestida de verde:

— Where’s Flamengo? Where’s Fluminense? Fla-Flu? Where?

A mulher fitou o gringo e rebateu:

— Olha, meu senhor eu não sei do que você está falando mas o negócio de time grande aqui acabou. Tão tudo no buraco. Hoje a semifinal da Taça Rio é Cabofriense e Madureira.

O gringo estava mais perdido que agulha no palheiro. Madureira e Cabofriense não eram palavras comuns para ele.

— Madureira? Where is Flamengo?

Nisso, um torcedor sentado atrás colocou a mão no ombro de Mr. Man e setenciou:

— Flamengo is over, man. Go tell it on the island.

E lá foi o gringo para Londres contar que no Rio o futebol acabou. E que hoje o Maracanã é um campo de várzea, mesmo quando é palco de final de Carioca.

Brasileiros e Franceses

Enquanto os estudantes franceses ocupam a Sorbonne, os estudantes brasileiros tomam cerveja, Jurupinga, Coca-Cola com pinga, fumam maconha e cheiram B-25.

Na França, há livrarias perto das universidades, no Brasil há bares.

Em Paris, os estudantes são cultos. Em São Paulo, são alienados.

Brasileiro não se preocupa com o futuro, só bebe. E assim, nosso futuro será bebido em doses de Jurupinga pela fútil juventude.

terça-feira, março 21, 2006

Geraldo Presidente?

Finalmente o PSDB definiu seu candidato à presidência da República. Depois de um embate ferrenho, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, venceu a disputa com o prefeito de São Paulo, José Serra. Se o candidato fosse o Serra, a prefeitura da cidade ficaria nas mãos de Gilberto Kassab, do PFL. Deus nos livre!! Agora, Serra tem poucos dias para decidir se fica com a prefeitura ou se concorre à governador do Estado (é favorito nas pesquisas).

Geraldo Alckmim enfrentará Lula e seu fracassado governo. Toda a esperança de mudança com Lula já era. Agora, os dois candidatos terão de enfrentar a desconfiança geral dos eleitores. Ninguém mais agüenta estes governantes que são farinhas do mesmo saco.

Mas no segundo turno teremos Lula x Geraldo. E aí?

Lula fez um governo meia-boca da mesma maneira que Geraldo no Estado de São Paulo. Por mais que São Paulo tenha crescido e tenha evoluído em determinadas áreas, Geraldo não acabou com as duas maiores vergonhas do Estado: a FEBEM e as péssimas escolas estaduais. Não posso acreditar que a FEBEM continue a mesma vergonha. Não consigo votar em alguém que fez com que as escolas continuassem a ser um grande lixo.

Desculpa aí, Geraldo, mas você não é o cara pra governar meu país.

Ronaldinho Gaúcho, o mago da bola


O que ele faz com a bola é o que Mozart fazia com as notas musicais. O que ele faz, a partir de sua chuteira dourada, é o que Picasso fazia a partir de seu pincel. O que Ronaldinho faz dentro de quatro linhas é o que um equilibrista faz sobre uma corda bamba: dá show.

É impressionante como é técnico e habilidoso o nosso craque. Os mais velhos já o colocam acima de Zico e no mesmo patamar de Maradona e Garrincha, abaixo apenas de Pelé. Eu digo que ele fica abaixo apenas do Rei e do Mané.

Os argentinos que me desculpem, mas o “pibe de oro” nunca encantou tão intensamente quanto o Gaúcho. Maradona, inclusive, jogou, mais ou menos com a mesma idade, no Barca. Não brilhou nem perto do que o brasileiro brilhou. Maradona batia com um pé, Ronaldinho bate com os dois. Maradona fracassou em três Copas, Ronaldinho jogou uma e ganhou uma. Maradona é argentino, Ronaldinho é brasileiro.

Ronaldinho já ganhou uma Copa e deve arrebentar nesta. A facilidade que ele tem para controlar a bola é incrível. Consegue dominá-la num pequeno espaço e cercado por cinco adversários. Dá toques de calcanhar como se tivesse um olho na nuca. Sua chapelaria também funciona muito bem. Seu chute tem o veneno que apenas craques da linhagem de Didi têm.

Esta é sua Copa. Ronaldo jogará muito (principalmente contra a Espanha e a França, calando Madri e Platini) e seu nome ficará (mais) imortalizado. Kaká vai fazer juz ao título de “Bambino D’oro” (principalmente contra a Itália). Adriano, Robinho e cia também irão explodir. Mesmo assim, o mundo só terá olhos para Ronaldinho Gaúcho. E ele não nos decepcionará.

A língua portuguesa agora tem museu

Museu da Língua Brasileira

Ao contrário do que a maioria dos brasileiros pensa, foram os negros, e não os portugueses, que difundiram a língua portuguesa em solo brasileiro. Os primeiros colonizadores que aqui chegaram logo aprendiam a falar o tupi para se comunicar com os índios. E por muitos anos a língua falada no Brasil era predominantemente tupi.

A partir do momento em que foi introduzida a mão de obra escrava aqui, a língua portuguesa começou a se difundir. Por quê? Simples, como os escravos vinham de diferentes partes da África e cada um falava um dialeto, eles aprenderam o português para se comunicarem. E assim o português se alastrou país afora até substituir de vez o tupi.

No Brasil, a língua portuguesa se desenvolveu de uma maneira própria. Por ser um país de extensões continentais, surgiram diversas maneiras de se falar o português “brasileiro”. No Rio Grande do Sul, em São Paulo, no Rio, no Nordeste, cada um à sua maneira.

E foi justamente no Brasil que surgiu o primeiro Museu da Língua Portuguesa. Situado na luxuosa Estação da Luz, já é tido como uma referencia mundial. Tanto é que o prefeito de Lisboa já manifestou a idéia de fazer um museu lá em Portugal.

O interessante é notar que este museu é inaugurado em um momento em que a língua portuguesa é fortemente maltratada pelos jovens. O brasileiro, que já falava mal, começou a utilizar vícios de linguagens terríveis como o gerundismo (“Eu vou estar fazendo algo...”) e a falta de pural (“Os cara não sabe o que faz...”).

O pior ainda é o internetês. “Vc jah viu q o pessoal escreve de que maneira?” É cada vez mais usual. A desculpa é que assim economizam na escrita. Vá, vá... Me recuso a escrever “vc”. Mesmo que o “v” esteja ao lado do “c”. Os mais jovens que cresceram com Internet, MSN e, mais recentemente, Okut, escrevem terrivelmente mal. E até nas redações escolares isto já se reflete.

Falta livros para esse Brasilzão. Porque desta maneira a língua portuguesa bem escrita só se verá no museu.

Mudanças

Como recebi algumas críticas porque eu só estava falando de samba, resolvi me pautar. Assim, diariamente escreverei sobre política, esportes, cultura, cidades, sociedade e etc... Leiam e comentem (se quiserem, podem descer a lenha). Abraços e beijos.

sexta-feira, março 17, 2006

Carta de boas vindas

Bem-vindo ao mundo, Pedro. Que você siga o caminho de paz, amor, sabedoria de seus pais. Que sua vida seja repleta de graça. Sua luz está acesa e há muito o que se queimar pela frente.

Você já nasce bamba, meu querido. A semente germinou em um ambiente muito fértil. Um ambiente com muita alegria, paz, amor, cultura. E muita música... Bamba no samba e na vida, Pedrão.

Fortes e emocionadas congratulações do Tio André

quinta-feira, março 09, 2006

Matutando

Sentar pra escrever é como deitar na cama para dormir. A diferença é que na cama as palavras vêm mais fácil. Brotam na mente e se espalham. Às vezes, estas palavras causam bastante inquietação. Trazem sentimentos e emoções que não deixa dormir. Para escrever ao léu, você tem de ficar olhando para esta folha branca.

Gosto de ficar matutando. Pensando horas e horas naquela moça ou na vitória do meu time sobre o rival. Ficar deitado na cama de olho fechado escutando um chorinho ou um jazz. Os pensamentos voam. E com eles voam muitas lembranças gostosas dessa doce vida.

sexta-feira, março 03, 2006

Minha História Oral de Nosso Tempo. Cap. II

24/02/2006

—Eu não sou stalinista, eu sou seguidor dos ensinamentos de Rosa de Luxemburgo
— Já eu sou leninista, estou na luta há anos.
— Ah, eu sou marxista, puramente.

CONTEXTO:

Estávamos eu e o Iuri num boteco na Bela Vista na sexta-feira de Carnaval (coisa da Globo, que tem de passar o desfile de São Paulo), depois decompormos um belo samba sincopado quando eu escutei esta conversa. Só pude rir.

MINHA INTERPRETAÇÃO:

A “luta” virou papo de boteco. Não há espaço para se fazer revolução nesta sociedade tão amarrada em valores capitalistas. Os personagens da discussão se empolgavam nas discussões, se empolgavam ao falar das diferentes linhagens do marxismo.

Marx viveu numa época totalmente diferente da nossa. Aqueles jovens de outrora eram muito diferentes dos de hoje em dia. Atualmente, os jovens só querem saber de se embriagar. A “luta” apenas mais um papo de boteco, como é o futebol, a política tucano-lulista e outras banalidades. Eu já superei esta fase. Ao invés de ficar sonhando, canto meu partido alto. Aliás, há tempos que eu acredito que o caminho para um mundo melhor se dará através da cultura e não da política.

É claro que eu continuo a ter valores socialistas. Afinal todos com um mínimo de decência gostariam de ver um mundo mais justo. Mas ficar discutindo Rosa de Luxemburgo no boteco é pura punhetagem ideológica. E pior, punhetagem ideológica para nada, sem poder criar alicerces para que uma nova sociedade floresça. Um povo mal-educado e aculturado nunca fará nenhuma revolução.

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Na vitrola do Piruca:

Samba de Montão

Paguei cincão nesta bolacha que não existe em CD. A capa é um negão com um pandeiro e duas criolas ao lado. Na contra-capa aparece o Mussum com aquele baita sorriso e um reco-reco na mão.

O que me chamou atenção no disco foram os ótimos compositores que cantam nesta gravação ao vivo numa quadra de escola de samba: Roque do Plá, Luiz Grande, Wilson Moreira, Walter Rosa, Jurandir da Mangueira, Mano Décio da Viola, Jacyr da Portela, Ary do Cavaco entre outras feras.

A faixa 1 do lado B é um samba clássico, até João Nogueira regravou.

Corcoviei (Luiz Grande)

Corcoviei
Saltei de banda e fiquei miudinho
Me escorreguei e saí de fininho
Eu esqueci que na cana tem nó
Fui convidado por Dona Didi
Pra curtir um barato na sua caxanga na Boca do Mato
Mas quase fecharam o meu paletó

Estava na minha tomando uma cerva
E comendo ciscante
Chegou um negão todo ignorante
Ela toda sem graça: “Esse é meu marido”
A salvação é que eu não sou bobo
E aprendi na Bahia
Jogar capoeira com estratégia
Se não meu cumpádi, estava perdido

Cabe lembrar que o produtor do disco foi Edson Menezes, que produziu vários discos da TAPECAR. Sempre discos ótimos de partido alto ou sambão nervoso.

A melhor faixa é a que cabe ao gênio (não reconhecido por esta sociedade que cultua o lixo) Wilson Moreira. Samba de primeira categoria.

No talho da Madeira (Wilson Moreira)

Madeira de lei
Madeira dá leite

Ô madeireiro acostumado no lenhado
Bom no cabo do machado a chorar no mato
Uma madeira que no talho dava leite
Se você não sabe, pergunte ao madeireiro
Se quiser saber, pergunte ao lenheiro
Se você não sabe, pergunte ao madeireiro
Se quiser saber, pergunte ao lenheiro

Madeira de lei
Madeira dá leite

Eu conheci um madeireiro voluntário
Que na hora do trabalho só levava a sério
Essa historia de madeira que dá leite
Se você não sabe, pergunte ao madeireiro
Se quiser saber, pergunte ao lenheiro
Se você não sabe, pergunte ao madeireiro
Se quiser saber, pergunte ao lenheiro

Madeira de lei
Madeira dá leite

O madeireiro dá no talho da madeira
E no toque do machado só se espalha leite
Não há motivos pra ficar admirado
Se você não sabe, pergunte ao madeireiro
Se quiser saber, pergunte ao lenheiro
Se você não sabe, pergunte ao madeireiro
Se quiser saber, pergunte ao lenheiro

Ô discão bão!!!!

Palavras errantes

Mais uma vez faltam-me palavras
Mais uma vez escrevo ao léu
Como uma nuvem no céu
Como um barco navegante
Ou um andarilho errante
Que segue sem destino
Sem ficar pensando no amanhã
Apenas vive intensamente
Renascendo a cada manhã

E pra que fazer diferente?
As palavras já estão sendo escritas
Já se perdeu de vista o barco
Que navega sem rumo

Como um pássaro a voar
Escrevo estas linhas
Sempre a sorrir
Como uma onda no mar
Palavras, melodias e emoções
Começam a me invadir

Mas uma vez as palavras vieram
Trazendo inspiração
E assim vou versando
Rimando e cantando
Os mais preciosos momentos
Guardados no tempo
Sempre escutando o coração
Cantar, resgatar, valorizar
Esta é a minha missão

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Na vitrola do Piruca:

Paulinho da Viola – Memórias Chorando


Um disco de choro maravilhoso onde Paulinho mostra todo o seu virtuosismo de solista. Tanto no cavaco como no violão, ele faz bonito. Os acompanhantes não deixam por menos: Copinha, César Faria, Cristóvão Bastos. Elton Medeiros, Chiquinho (seu irmão mais novo, bandolinista) e outros.

Este pessoal é mesmo que tocou no Memórias Cantando. De primeiro escalão.

Destaque para as composições de Paulinho da Viola. Pra quem pensava que ele era bom de samba, vai ver que ele é um gênio do choro, tanto na composição quanto na interpretação. Há choros exclusivos para violão. Um deles (Rosinha, essa menina) é no melhor estilo do Canhoto da Paraíba, um choro ao modo nordestino.

Um disco indispensável para quem é amante do choro

domingo, fevereiro 26, 2006

No Carnaval 2

Volto a escrever sobre o carnaval com samba de verdade na TV Cultura. Foi só falar que eu ia escutar um CD da Cristina que ela surgiu. E surgiu no coro da Teresa Cristina. E fez um dueto com ela no samba da Velha Guarda da Portela, Se tu fores na Portela. O arranjo musical do show da Teresa é perfeito: uma roda de samba. Eu não consigo entender de onde vem a idéia de colocar baixo e bateria no samba.

Mas o melhor veio depois. Uma roda de samba típica, com cerveja gelada e tudo, com Zézinho do Morro, Talismã, Zeca da Casa Verde, Geraldo Filme e Silvio Modesto.Só os sambistas dantiga de São Paulo. Linda poesia, linda melodia, energia do samba total. Não se deve levar em consideração a afirmação de Vinicius de Morais de que São Paulo é o tumulo do samba. Ele não sabe muito a respeito de samba. Falou até que o samba era baiano e não carioca. Devia estar um tanto bebo de uísque.

São Paulo tem sambistas de primeira. Como Germano Mathias e Oswaldinho da Cuíca que tocaram depois. Mas logo vieram os malas do Quinteto em Preto e Branco. Se acham muito para o que eles chão. Deviam ficar em seus lugares ao invés de ficar pedindo palmas e coros. Nota-se que suas composições são fortemente influenciadas pelo pessoal do “pagode” do Cacique. Lamentável. Os irmãos brancos, de Santo Amaro, deveriam freqüentar o Morro das Pedras. Preferem ficar nesta de tocar “pagodinho”.

Felizmente a noite de samba seguiu com mais samba de primeira: Dona Ivone Lara e Bezerra em shows recentes do Bem Brasil. Não preciso discorrer sobre estes dois sambistas. São lendas. E com samba se fez mais um sábado de Carnaval.

No Carnaval

“No Carnaval, não vou mais sair sorrindo...” dizia Elton Medeiros. Com razão. Ainda mais agora que os desfiles das escolas de samba viraram, assim como o futebol, mais um produto da Globo.

O carnaval do luxo e do espetáculo não se faz mais com samba. Existe tudo nos desfiles da Globo, menos samba.

E eu em casa num sábado triste de carnaval encontrei uma programação de samba (o verdadeiro!) na Cultura. Logo de cara, um show da rainha Quelé, nossa grande Clementina de Jesus. Quanta diferença entre um samba da antiga com a esculhambação rítmica que se tornou uma escola de samba. No desfile de São Paulo tinha um puxador que falava “Tira o pé do chão!”. Cartola deve ter remexido no túmulo. Para ele um desfile de escola de verdade era aquele que se escutava o arrastar da sandália na avenida.

“Arrasta a sandália aí, morena”
“Arrasta a sandália aí, morena”

E não “Tira o pé do chão”

Os sambas-enredo foram tomando uma forma absurda. Ele tem de ser bem fácil (pobre) para colar na cabeça. E tem de falar de alguma coisa financiável. A Mangueira ganhou quinhentos mil reais do Governo do Ceará para falar sobre o Rio São Francisco. O problema é que o carnaval local é pobre e quase não teve investimento público.

Isso quando os enredos não chegam ao absurdo de homenagear o Beto Carrero, a Xuxa... A Velha Guarda da Portela deve sentir falta do tempo em que se desfilavam com sambas de improviso na avenida. Uma época em que a festa era pobre, mas era brasileira, espontânea. Hoje é apenas mais um produto na estante da Globo. Um produto para ser passado depois da novela (ou do Big Brother), assim como o Campeonato Brasileiro de futebol e o show dos Rolling Stones.

E ao passo que mais um capítulo da degeneração cultural brasileira se escreve neste carnaval de 2006, vejo na televisão a grande Clementina cantando partido alto. Logo depois veio o Black-Out e o Zé Kéti, a voz do morro, emérito compositor portelense.

Black-Out, ou simplesmente Blecaute, é uma figura que se perdeu nos dias de hoje: o cantador de marchinhas. Hoje em dia os nomes do carnaval são outros. Nada de Ary Barroso, Lamartine Babo, Carmem Miranda, Blecaute... Hoje os nomes são Ivete Sangalo, Daniela Mercury e Chiclete com Banana.

Fizeram até um concurso de marchinhas, mas não adianta. Tem coisa que não se muda de um dia para o outro. Os neo-foliões não querem saber de musica boa. Querem pular. “Tira o pé do chão!”. Não brincam mais no carnaval.

E o samba esquecido então, hein? Gente que é lenda do carnaval está esquecida. Nossas velhas guardas esquecidas e o Bono Vox ovacionado na Bahia. O Paulo da Portela no esquecimento e DJs tocando suas pick-ups em pleno Carnaval de Salvador. Até funk vai tocar no Carnaval... E o samba? Só na TV.

Próximo bloco: Zeca Pagodinho e sua turma do Cacique. Escuto bateria e baixo. Poderia ter passado sem essa, Zeca. Gosto mais quando você faz versos de improviso com Paulinho da Viola.

E por falar no Paulinho, acho que ele só sai amanhã, num especial sobre samba de terreiro que a Cultura vai passar as 20 horas. Já vi este programa e vou ver de novo. Chama-se “Enredos”. Muito bom.
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Agoniza mas não morre. E assim vai sobrevivendo nosso samba, filho do maxixe e do batuque, neto da polca, da habanera e do lundu, primo do jongo e do samba de roda. Nossa maior expressão cultural na área musical encontra-se por baixo. A moda é o funk, o axé, a música eletrônica, o forró universitário e até o reggae...

A indústria cultural chegou tarde para o samba. Encontrou seu filho bastardo, o “pagode” (não confundir com a expressão original, que significa festa de samba), e popularizou o gênero errado.

Infelizmente a moçada conhece o grupo Revelação e não sabe nem quem foi o mestre Candeia. Tampouco sabem que existe um gênio, uma lenda viva da música popular brasileira, chamado Wilson Moreira Serra.

Vou encerrar este lamento e ficar apenas curtindo o meu samba. Esse “pagodinho”do Zeca já está me irritando. Vou escutar um CD da Cristina Buarque até que um samba de verdade voltar a invadir a telinha.

Samba Sincopado

Viva o samba sincopado. Senão fosse a sincopa, a melodia deste samba estaria comprometida. Arrisco dizer que sem ela, este samba não existiria. Salve Geraldo Pereira!!!

Esta letra foi escrita há algum tempo por mim. Encontrei na minha gaveta e levei na casa do Iuri para fazermos a melodia. Saiu.

Vaguei (André/Iuri)

De tanto esperar, cansei
O que desejava, não alcancei
Agora já não sei
O que quero para mim
Pela estrada do amor, vaguei
Mas no caminho da desilusão, entrei
Tentei voltar, mas tudo que achei
Foi uma tristeza sem fim

Mas com simplicidade
E muita naturalidade
A esperada felicidade, vem
E aquela saudade
Que meu peito invade
Vai embora deixando liberdade
Que muito me faz bem

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Rio














Numa cidade linda eu fui parar certo dia. Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Que cenário encantador, que maravilha!

Certa vez me disseram que o Rio de Janeiro continuava lindo e que lá as pessoas respiravam alegria e vida. Mas também me disseram que lá existia uma guerra civil. E aqui em São Paulo não? Nós, cidadãos do Terceiro Mundo vivemos no inferno. Que diferença faz um viver em um inferno feio e um inferno bonito. Eu prefiro viver num lugar perigoso bonito do que num lugar perigoso feio.

Viver em São Paulo tem suas muitas vantagens. Uma delas é estar no umbigo da América Latina. Mas viver em uma selva de pedras é terrível. Eu quero é ir pra praia tomar uma brisa, subir o morro pra entrar numa floresta e meditar...

São Paulo, minha querida cidade, o que fizeram com você? De uma cidadela agradável, virou uma monstruosidade feita de concreto e aço. Depois que eu terminar minha missão aqui, eu vou te deixar. Minha missão é resgatar a história dos velhos sambistas da Paulicéia. Depois eu quero viver um pouco no berço do samba.

Isso me fez lembra de um partido alto que fiz com o Iuri, meu parceiro no samba e na vida, em algum bar das redondezas da faculdade. Era assim: “Se hoje faz frio lá no Sul/ na Bahia, o calor te deixa a toa/ tem o samba da cidade maravilhosa/ mas eu nasci aqui na terra da garoa”.

Rio de Janeiro é onde a cultura floresceu no Brasil. Onde a musica popular se fez. Lá no Rio está nossas raízes bantas. E na Bahia nossas raízes iorubás. Do negro banto se fez a macumba que se dessacralizou-se e deu no samba. Na Bahia, os iorubás fizeram o candomblé, uma religião muito forte assim permanece até hoje.

O Brasil está lá e é por isso que, depois de cumprida minha missão, eu vou partir para lá.


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Na vitrola do Piruca:

Paulinho da Viola / Memórias Cantando

Primeira parte de seu álbum de memórias (o segundo é o Memórias Chorando, só com choros) de 1976. Este disco eu comprei num sebo por dois contos e ficou muito tempo encostado porque eu tinha muitos discos e CDs para escutar. Até que um dia eu coloquei pra ouvir e simplesmente não parei mais de ouvir. Quem me conhece sabe que quando eu bitolo em um disco eu fico meses a fio sem tirar da vitrola.

Neste álbum, Paulinho canta músicas que tem um significado especial para ele. Três sambas não são dele. São sambas que ele ouvia quando era criança nas rodas de samba promovidas por seu pai. Sambas lindos com poesias divinas: Pra que mentir (Noel Rosa e Vadico), Nova Ilusão (Claudionor Cruz e Pedro Caetano) e Mente ao meu coração (F. Maltafiano).

Destes três, um é especialmente espetacular.

Nova Ilusão (F. Maltafiano)

É de teus olhos a luz
Que ilumina e conduz
Minha nova ilusão
É nos teus olhos que eu vejo
O amor, o desejo
Do meu coração
És um poema na terra
Uma estrela no céu
Um tesouro no mar
És tanta felicidade
Que nem a metade
Consigo exaltar
Se um beija-flor descobrisse
A doçura e a meiguisse
Que os teus lábios têm
Jamais roçaria as asas breijeiras
Por entre roseiras
Em jardins de ninguém
Ó dona dos sonhos
Ilusão concebida
Surpresa que é vida
Me fez das mulheres
Há no meu coração
Uma flor em botão
Que abrirá se quiseres

Poesia espetacular, não?

As músicas do Paulinho são lindas como todas as outras deste gênio da musica popular brasileira. E não só do samba. Aliás, eu não sei como o Paulinho não tem o mesmo reconhecimento dos grandes da MPB. Mas isto é assunto pra outro momento.

Vou deixar a letra de uma pérola sua deste disco.

Cantando (Paulinho da Viola)

Lembra daquele tempo
Quando não existia maldade entre nós
Risos, assuntos de vento
Pequenos poemas que foram perdidos momentos depois
Hoje sabemos dos sofrimentos
Tendo no rosto, no peito e nas mãos
Uma dor conhecida
Vivemos, estamos vivendo
Lutando pra justificar as nossas vidas
Cantando um novo sentido, uma nova alegria
Se foi desespero, hoje é sabedoria
Se foi fingimento, hoje é sinceridade
Lutando, ‘que não há sentido de outra maneira
Uma vida não é brincadeira
E só deste jeito é a felicidade

Há um partido alto (Perdoa) versado com seu grande e genial parceiro Elton Medeiros que tambem assina a parceira do samba Dívidas na faixa 4 do lado A. Destaque para a maluca parceira com Sérgio Natureza (Vela no Breu) e para a nova versão de seu samba Coisas do mundo minha nega, considerada por ele seu melhor samba.

Os músicos também são de primeira. Nos violões, César Faria, seu pai, e Cristóvão Bastas. No cavaquinho, próprio Paulinho do Cavaquinho. No baixo, Dininho, filho do mestre Dino 7 Cordas. Na bateria, Hércules. Na flauta, Copinha. No bandolim, seu irmão mais novo, Chiquinho. E no ritmo, Elton Medeiros, Rafael, Chaplin, Jorginho, Elizeu, Marçal, Dazinho. E não pense que a bateria e o baixo descaracterizaram o samba, porque o Pulinho sempre gravou com eles e sempre ficou bom. Este é um timaço.

Um disco cativante, que já está na minha vitola há dois meses.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Alegria me invade

Aí vai o primeiro sambinha de 2006.

Toda vez que eu canto um samba
Alegria me invade
Que felicidade
Improvisar com os meus cumpádis
A mocidade feliz
E a batucada caprichada, anima a rapaziada
Põe todo mundo a cantar

Antigamente não era diferente
O samba é uma corrente
Que nunca vai se quebrar


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Poucas coisas são tão emocionantes como estar em uma roda de samba. Cantar com gosto, soltar a voz, batucar e sambar. Improvisar nos versos, fazer aquele coro bonito... Como é bonito o violão fazendo o bordão e o cavaquinho segurando a cozinha... As baixarias do violão e o floreado do cavaco, isto é o fino da música popular universal.

A cozinha é a alma. Tamborim e agogô. Pandeiros. O surdo, o coração do samba. A cuíca, o diferencial. O atabaque, que nos traz às raízes do batuque, às raízes africanas. O ritmo brasileiro é mágico, tem feitiço.

É por isso que eu vivo no samba.

E relembrando Paulinho, “Eu canto samba porque só assim eu me sinto contente, eu vou ao samba porque longe dele eu não posso viver...”


Ilustração: Denise Carlos Pereira de Carvalho

Um pequeno texto revoltado de um louco habitante deste mundáo maluco

A embriaguez alivia, faz esquecer e tornam as dificuldades simples bobagens. O estado torpe é ideal para uma fuga. É muito fácil e gostoso ficar louco e deixar tudo para trás... Não é o que a sociedade prega, mas será que valeria a pena viver sem as alterações de consciência?

O mundo já não é rude demais? Não devemos fugir, mas também não devemos viver com seriedade demais. Pra quê? Para se estressar? No fim todos se igualam debaixo da terra?

Não devemos entrar no jogo do politicamente correto. Isso é para medrosos que vivem como a regra do jogo manda. E são tão infelizes... Têm tanto medo!

De que adianta entrar no jogo, ganhar milhões e ter medo? Com medo de viver, medo de sair de casa, medo do próximo... Foda-se o dinheiro, as tradições familiares, o direito a propriedade, a moral católica, a direita reacionária, a esquerda vendida e todo o status quo vigente. Pro inferno todos as instituições que amarram a sociedade neste sistema sujo.

Viva as coisas simples da vida, o amor, a paz, a amizade e a felicidade. Isso vale a pena. Isso deve ser levado em conta nesta fugaz vida.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Minha História Oral de Nosso Tempo - Cap. I

Em 2005, li o livro “O Mistério de Joe Gould” de Joseph Mitchell. Fiquei fascinado com a idéia de um livro que contasse a história da humanidade através das conversas cotidianas de anônimos. Já que o mendigo Joe Gould não escreveu, resolvi eu mesmo fazer a minha História Oral de Nosso Tempo particular. Obrigado pela idéia, Joe.

Minha História Oral de Nosso Tempo. Capítulo 1

19/01/2006

— As mulheres têm regalias que não devem ser desperdiçadas.

CONTEXTO:

Era noite, e saí da casa de minha mãe puto da vida porque o Santos tinha perdido. Parei num bar ali perto e pedi uma cerveja. Era um bar freqüentado pelo pessoal da Escola de Sociologia e Política. O pessoal que estava na mesa da frente não me era estranho, deviam ser conhecidos da Stela, amiga minha que estuda lá.

O papo da mesa deles tava altamente filosófico, típica conversa de botequim. Falaram de amor, sociedade, política... Era um cara e duas minas. Até que ele me soltou esta frase e justificou falando que uma mulher bonita e gostosa consegue tudo. Coitadas das meninas da mesa que não eram nem uma coisa nem outra...

MINHA INTERPRETAÇÃO

Uma mulher bonita e gostosa consegue tudo. Um marido rico, um bom emprego, muitas vantagens. Basta ela soltar aquele sorriso encantador e cruzar as pernas de uma maneira bem elegante que está tudo acertado. Uma mulher assim tem as chaves para as portas do sucesso. Estas são as regalias que estas mulheres têm. Foi isso que eu entendi.

Mas nem tudo é tão belo assim. Uma mulher escultural não deve ter sossego algum na rua, no ônibus, na praia e na balada... Ela escolhe quem e o que ela quiser mas ela não terá sossego. Será fortemente assediada. Isto deve ser um saco.

E nosso amigo disse que as regalias não devem ser desperdiçadas. Um convite indecente não deve ser recusado. Presentes e dinheiro sujo de pessoas repugnantes também não devem ser recusados? Talvez as regalias que estas mulheres maravilhosas deveriam aproveitar seriam as festas estonteantes que somente os VIPS podem ir.

Mas eu acho que conseguir as coisas somente por causa da aparência é uma tremenda putaria. No sentido literal da palavra.

Em nossa sociedade, imagem é tudo. Como já dizia o poeta, “as feias que me perdoem mas beleza é fundamental."

terça-feira, novembro 22, 2005

Sobrevivência












Uma selva de pedra me cerca
Não posso ver o horizonte
Não vejo o sol
E nem a serra
O céu é cinza
E o ar e impuro
Carros passam em minha frente
Sem parar
A calçada é nossa areia
E a rua é o mar
Árvores cansadas da poluição
Envelheceram e desapareceram
E poucas vão para seu lugar
O sol bate no asfalto
E esquenta o dia
Mais do que poderia esquentar
Não sinto a terra sob meus pés
A areia entre meus dedos
Não sinto o cheiro da natureza
Flores em vasos
Pássaros em gaiolas
Pessoas com a mente enjaulada
Lutando por miséria
Apenas para sobreviver
Escravos do sistema
A felicidade existe
Mas é restrita
Talvez se vendendo
Você possa fazer parte do clubinho.

O poder das palavras


A tela está em branco. O papel ainda não foi escrito. As palavras vão construindo a realidade. Vão inventando uma nova dimensão. Você já pensou em ser Deus? Construir o mundo do jeito que você quer? Pois saiba que você pode brincar disso.

As palavras têm o poder de criar, modificar, modular, transformar, ajeitar... Sejam palavras proferidas ou palavras escritas como esta que vos escrevo. Todos que criaram algo, por algum momento, brincaram, de Deus. Bom, primeiramente, eu preciso dizer que este Deus que eu estou falando é o Deus folclórico, de barba branca. Que criou o mundo em sete dias e tudo mais. Porque, para mim, o verdadeiro Deus existe dentro de nós. Mas esta é outra história...

Eu dizia a respeito da criação do mundo através das palavras. Pois bem, vejam como é incrível o poder das palavras. Quando eu escrevi as primeiras (“A tela está em branco”), nem imaginava sobre o que escreveria no resto do texto. Agora já estou discorrendo a respeito de um assunto todo complexo.

Quantos lindos versos já não foram escritos em momentos de pura inspiração? É o poder da criação que transforma emoções que nos invadem em obras-primas. Sem emoção, as palavras são comuns, sem feitiço. Certa vez, um sambista foi desafiado a fazer um samba sobre uma garrafa. Ele respondeu que era impossível pois ele não sentia nada pela garrafa.

As palavras podem ser tiros disparados por uma metralhadora ou flores ofertadas. Podem causar riso, provocar paixão e podem machucar, magoar e dilacerar corações. Portanto, cuidado com o que você fala.

Alegria

Alegria contagiante
Aquece nossos corações
Tira nossas desilusões
E encontra novas soluções
Sem saber que o bem está fazendo
O sorriso cativa, resplandecendo
Refletindo o brilho no olhar feliz
Que lágrimas vertem
E se perdem
No meio da felicidade inebriante
E como é tão bom sentir este momento
Em que um simples cantar da passarada
Faz com que do peito
Brote este nobre sentimento


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A alegria está em todos os cantos
Busque e aproveite
Ou então fique lamentando o sistema
Afinal como dizia o poeta
Num verso muito prático
Quem gosta de problema
É matemático

segunda-feira, outubro 17, 2005

Bala Perdida


Uma bala perdida
Cumpriu sua missão
Não acertou a cabeça de um
Mas em outro, acertou o coração

Bala perdida é aquela
Atirada na largada
No tronco da árvore
Ou no nada

A bala não foi perdida
Quando acertou alguém
Uma bala nunca sai das mãos
De uma pessoa de bem

Uma bala é sempre certeira
Porque destrói sonhos
Nunca faz ninguém feliz
Apenas tristonho

Mama Africa


Itália, 1990. A seleção de Camarões bate a Argentina de Maradona no primeiro jogo do Mundial. Depois de mostrar um futebol ousado, comandado pelo veterano Roger Milla, a seleção africana é eliminada, na prorrogação, pela Inglaterra.

EUA, 1994. Novamente Camarões vai para a Copa. Desta vez vai mal, e cai na primeira fase. Já outro país africano, a Nigéria, cai somente na prorrogação das oitavas de final, contra a Itália. Por questão de um minuto, a Itália não foi para a casa mais cedo.

França, 1998. A Espanha cai na primeira fase da competição. O carrasco: o técnico esquadrão nigeriano, que terminou em primeiro do grupo. Nas oitavas de final, entretanto, a Dinamarca arrasou os africanos. Camarões estava em sua terceira Copa seguida, mas novamente não foi bem.

Japão/Coréia do Sul, 2002. Nigéria em sua terceira e Camarões em sua quarta copa seguida não foram bem. Já a estreante seleção de Senegal bateu a França na estréia e, praticando um belíssimo e envolvente futebol, por pouco não alcançou uma inédita semifinal. O gol de ouro turco nas quartas de final acabou com o sonho.

Alemanha, 2006. A Tunísia bate Marrocos pelas Eliminatórias e fica com uma vaga africana. Habitualmente, uma seleção africana árabe sempre garante uma vaga. Ou vai Marrocos, ou vai Tunísia ou vai Egito. Desta vez deu Tunísia. Já as tradicionais seleções de Camarões e Nigéria, ficaram de fora. A sensação da última Copa, Senegal, também não vai. Togo, Costa do Marfim, Gana e Angola estarão lá.

Gana é uma seleção que tem tradição nas categorias de base e no continente africano. Esta classificação já era aguardada há tempos. Costa do Marfim se amparou no talento do atacante Drogba, que atua no Chelsea e impediu a quinta Copa seguida de Camarões, que também tem um astro internacional, o atacante do Barcelona, Samuel Etoo.

Togo foi uma grande surpresa. É um país pequeno, pobre e inexpressivo mas a seleção local fez bonito, deixou o bom time do Senegal para trás e fez a alegria de sua população.

Mas bonito mesmo é ver Angola na Copa. Um país que sofreu com a colonização portuguesa e com uma sangrenta guerra civil que devastou o país. Após poucos anos de relativa paz, a alegria maior: a classificação para a Copa, que, pela primeira vez a Copa terá três países lusófonos.

Brasil, Portugal e Angola se encontrarão na Alemanha em 2006. O Brasil vai atrás do hexacampeonato, Portugal, de um lugar ao sol. Angola, assim como todos os africanos estreantes, já está no céu.

Fique de olho no apito

“Fique de olho no apito/Que o jogo é na raça e uma luta se ganha no grito/ E se o juiz apelar, não deixe barato,/ Ele é igual a você e não pode roubar”. Esta música de Carlinhos Vergueiro já nos alertava para ficarmos de olho no juiz. E nós já ficávamos. Desde que o futebol existe, existe a odiada figura do árbitro (que deveria apenas arbitrar, não julgar). Nas arquibancadas, o único momento em que as duas torcidas gritam juntas é no momento em que o “homem de preto” (hoje em dias colorido) entra no gramado. O coro é um só: “filho da p...”.

Hoje em dia, quando um juiz comete um erro (será mesmo apenas um erro?) a torcida grita: “Edílson, Edílson”. Serão todos os juízes como Edílson Pereira de Carvalho? Desde quando existe esta robalheira no futebol? Não dá pra saber, mas levando em consideração que antigamente o futebol era muito mais amador, acredito que a roubalheira deslavada vem de muito tempo atrás.

Edílson Pereira de Carvalho era um árbitro da FIFA. Ganhava 2500 reais cada jogo apitado. Entrou em um negócio de apostas para ganhar mais dinheiro ainda. Ele fabricava os resultados, ganhava uma comissão e apostadores ganhavam uma bolada. E assim estava ele agindo no Brasileirão. Tinha apitado 11 partidas e feito o resultado em algumas delas. Outras ele não conseguiu. Santos e Corinthians, o último clássico disputado por Robinho era um desses jogos que o juiz não conseguiu roubar. Ele mesmo assumiu.

Eis que surge a nefasta figura de Luis Zveiter, presidente do Supremo Tribunal de Justiça Desportiva e resolve, por conta própria, anular todos os 11 jogos. Um absurdo. Times que tiveram que se desdobrar para ganhar de 12 jogadores (o time adversário mais o juiz), saíram prejudicados.

A arbitragem seguiu errando (ou fazendo placares?) e a cada erro surgia a dúvida: Será que meu time está sendo roubado? Isto sempre existiu, mas existia uma lenda em torno do juiz ladrão, pois nunca se provara nada. Mas agora a história é diferente. Todos os juízes estão sob pressão. Não podem mais errar, o que é humano. Apitam pressionados. Tudo por causa de um (será só ele?) nome: Edílson Pereira de Carvalho.

Onze jogos. Alguns comprovadamente fraudados, outros comprovadamente limpos. Não houve distinção: todos foram anulados por Luiz Zveiter, que como antigamente se fazia na França, reina absoluto e decide, sozinho, o futuro do campeonato.

O campeonato acabou. Tinha tudo para ser ótimo. Casa cheia em muitos jogos, alta média de gols, vários times brigando pelo título... Tudo isso não vale mais. O Corinthians, provavelmente, iria ser campeão. Agora vai ser campeão conquistando pontos que não deveriam ser disputados de novo.

A bola não pára. O campeonato vai acabar, e daqui a 20 anos o nome do campeão estará na história. Mas a história não ira esquecer da vergonha que foi este Brasileirão-2005.

quarta-feira, setembro 21, 2005

Campanha de Desarmamento Mata Pobre Brasil


Estava participando de uma discussão sobre o desarmamento e um amigo meu mandou uma sugestão. Já que brasileiro gosta tanto de arma... Reproduzo aqui, sua proposta:


ESTOU APROVEITANDO O MOMENTO PARA DIVULGAR A NOVA CAMPANHA CONTRA O DESARMAMENTO...

MATA LADRÃO BRASIL !!!!! (ou seria melhor MATA POBRE BRASIL!!!!)

MINHA PROPOSTA DE LEI É A SEGUINTE...

ARTIGO 1 - NUNCA TIRAREMOS POLÍTICOS COORUPTOS DO PODER (tirando-os estariamos desarmando a população brasileira de sua mais poderosa ARMA contra o pobre).

ARTIGO 2 - SÓ É PERMITIDO O USO DE ARMAS DE FOGO CONTRA OS QUE GANHAM MENOS DE 2 SALÁRIOS MÍNIMOS.

ARTIGO 3 - AO CONTRÁRIO DAS CRIANÇAS CARENTES, AS ARMAS DE FOGO BRASILEIRAS DEVEM ESTAR SEMPRE BEM ALIMENTADAS. E COM BALAS DE PRIMEIRA QUALIDADE.

ARTIGO 4 - É PROIBIDA A MATANÇA DESENFREADA SEM SILENCIADOR APÓS AS 22:00 HORAS.

ARTIGO 5 - DEVIDO A REGRAS INTERNACIONAIS DA ONU, FICAM DESDE JÁ OS MORROS E FAVELAS COMO ÁREA DE PROTEÇÃO DA FAUNA NEGRA DO BRASIL. É PORTANTO PROIBIDO O USO DE ARMAS DE FOGO NESSES LOCAIS. DEVE-SE ESPERAR QUE O POBRE VENHA À CIDADE PARA QUE O EXTERMÍNIO SE LEGITIME E O BURGUÊS TENHA DIREITO AO CHBSB (Comprovante de Homicídio Benéfico à Sociedade Burguesa)

ARTIGO 6 - CADA CHBSB RECEBIDO PELO CIDADÃO BRSASILEIRO DÁ DIREITO A ESTE A ABATER 2% DE SEU IMPOSTO DE RENDA (Já que cada um dos assasinatos reduz o gasto do governo com o povo)

ARTIGO 7 - FICA TERMINANTEMENTE PROIBIDO, DEVIDO À SUA INOFENSIVIDADE, O USO DE BALAS DE FESTIM NAS ARMAS DE FOGO BRASILEIRAS. BALAS DE BORRACHA SÃO PERMITIDAS SE UTILIZADAS CONTRA ESTUDANTES DO ENSINO PÚBLICO. ARMAS DE BOLINHA PODEM SER UTILIZADAS CONTRA POMBOS, GATOS E RATOS, AMEAÇAS CONSTANTES À INTEGRIDADE DA BURGUESIA NACIONAL.

ARTIGO 8 - PARA SE MANTER DEVIDAMENTE CADASTRADA, TODA ARMA DEVE TER ANUALMENTE RENOVADO SEU CHBSB COM AO MENOS UM HOMICÍDIO DOLOSO.

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quarta-feira, setembro 07, 2005

O país do mensalão - II

Um mar de lama envolve Brasília
Sujando cada vez mais a todos
Somos todos uns coitados
Na mão desses deputados
Que vivem às custas do mensalão

E enquanto tanta gente padece
Esta corja enriquece
Sofremos tantas dores
Na mão desses senadores
Que vivem às custas do mensalão

E os empresários, doleiros e agiotas
Fazem de todos idiotas
E os especuladores, fazendeiros e donos de empresas
Colocam caviar em suas mesas
Às custa do mensalão

E foi um tristeza ver toda uma esperança
Que até emociona na lembrança
Se transformar nesta decepção
Nesta facada no coração
Que é o mensalão

É triste escrever estas palavras. O presidente da República não é o salvador da pátria. Este operário que chegou no poder não é o líder sindicalista de outrora. É apenas mais um que fez de tudo para chegar ao poder e, ao chegar lá, se perdeu.

Eu não gostei quando ele se aliou a gente podre. Vimos que assim não vai. É nojento ver pessoas do PT que eram de combate à ditadura, guerrilheiros, nesta situação.

O PT morreu. A esquerda foi golpeada e eu não quero nem imaginar o que vai ser do Brasil nos próximos anos

O país do mensalão - I

Vivemos no país do "mensalão". A palavra e a crise são recentes, mas o hábito é antigo. Quando os portugueses aqui chegaram, os índios foram comprados pelo "escambão". Espelhos e outras bugigangas foram os primeiros instrumentos corrompedores na Terra Brasilis.

Com o passar dos anos, foi se formando esta raça brasileira, esperta, malandra. O nosso jeitinho é uma marca nacional. Quem é honesto fica para trás e quem é corrupto anda pra frente.

É propina pra todo lado. Engana-se quem acha que a corrupção está restrita à política. Outro dia presenciei um exemplo banal de corrupção: um garçom de um bar pediu dez reais por fora para abastecer a mesa de cerveja. É só um exemplo entre tantos.

O mensalão nada mais é do que um filho bastardo do capitalismo selvagem. A elite que se escandaliza com isso não vê problemas em lucrar milhões às custas da miséria alheia. Escandaliza-se com as malas de dinheiro, mas compra bolsas caríssimas na Daslu. Os banqueiros que lucram com a política econômica do governo Lula devem estar apavorados. Já pensou se a crise vira econômica e eles perdem a boquinha?

Esta busca insana pelo dinheiro acaba produzindo esta sociedade corrupta. Para que ser honesto e passar dificuldades se você pode tirar um dinheirinho por fora? O jeitinho brasileiro é a nossa eterna desculpa... Brasileiro é assim mesmo... É assim e sempre será. E voltaremos a acompanhar a TV Senado como uma novela das 8.

A opção é de cada um. Se vender ou não. Eu já fiz a minha opção:

"Não me vendo pra viver.
Se tiver que viver assim,
Morro de fome.
Não precisa ter dó de mim,
Honre meu nome."

terça-feira, setembro 06, 2005

O samba de terreiro

A primeira escola de samba surgiu no Estácio de Sá em 1929. Foi A Deixa Falar, fundada por Ismael Silva, Alcebídes Barcellos entre outros. Nesta época, já existiam outros agrupamentos, mas estes não eram organizados. O nome “escola de samba” surgiu no Estácio porque este pessoal (que fez do samba sincopado e deu a ele as características que conhecemos hoje) eram os professores do samba, os mestres, assim como na Escola Normal do Rio de Janeiro (também situada no Estácio) saíam professores. Eram eles os professores, a turma que foi precursora do samba.

Existe até um samba (A primeira escola) de Pereira Matos e Joel de Almeida que comprova isso: “A primeira escola de samba surgiu no Estácio da Sá/ Eu digo isso e afirmo, e posso provar/ Porque existiam naquele tempo, os professores do lugar...” O próprio Cartola de Mangueira tirava o chapéu para os professores.

Nos anos 30, as escolas desfilavam cantando sambas quaisquer (só a primeira parte) e os melhores versadores improvisavam na segunda parte. Estes sambas saíam do terreiro das escolas (hoje, quadra). O samba de terreiro era, portanto, o que dava sustentação a escola de samba. Era praticado durante todo o ano e em fevereiro saía para a Praça 11 (local dos desfiles).

Este samba escolhido não tinha nada a ver com o enredo. Por exemplo: o desfile a Mangueira tinha um tema, todos iam fantasiados neste mote mas o samba era um samba de amor. Paulo da Portela, fundador da famosa agremiação de Oswaldo Cruz, foi o primeiro a cantar um samba que tinha relação com o enredo. Pelos idos de 30, ele cantou um samba assim: “Vou começar a aula perante a comissão, muita atenção que eu quero ver se diplomá-los posso/ Salve o ‘fessor’, dá nota a eles senhor/ Quatorze com dois doze, noves fora tudo é nosso”. Na pista, os portelenses iam vestidos de aluno...

Este formato de samba enredo (usando os sambas de terreiro no desfile) acabou quando Getúlio Vargas baixou uma norma obrigando os sambas enredo a terem uma temática histórica. Aí o samba de terreiro ficou restrito ao próprio terreiro e deixou de ser cantado em fevereiro. Nesta mesma época, Vargas passou a censurar os sambas com a temática da malandragem. Surgiu, então, o ‘malandro regenerado’.

Com o passar dos anos, os sambas de terreiro começaram a tocar nas rádios e serem gravados. Aí surgiu uma contradição: ao mesmo tempo que profissionalizava compositores, a ida destes sambistas para o rádio e para o disco desvirtuava o ritual das escolas. Já nos anos 30, Zé com Fome (depois Zé da Zilda), sambista de Mangueira, foi proibido de cantar um samba seu porque estava tocando nas rádios.

Porém, enquanto as escolas preservaram suas características, o samba de terreiro foi preservado (mesmo tendo virado samba de quadra). A partir do momento, entretanto, em que as escolas viraram “Super Escolas S.A.” e os sambistas perderam seus espaços dentro de casa, o samba de terreiro desapareceu. Aluízio Machado e Beto sem Braço cantaram em 1982: “Super escolas de samba S.A./ Super alegorias/ Escondendo gente bamba/ Que covardia”.

Seu Jair do Cavaquinho, 85 anos, fundador e sócio número 1 da Portela: “O samba de terreiro não existe mais. Os jovens da escola não tem mais o espírito que nós tínhamos. Eles só querem saber de fazer um samba para gravar e ganhar dinheiro”.

Cartola e Carlos Cachaça, dois dos maiores nomes do samba e que fizeram muitos sambas para a Mangueira desfilar, viram com muita tristeza a deturpação do samba (tanto na quadra como na avenida). Um samba enredo derrotado deles, “Tempos Idos”, já falava: “... e muito bem representado com inspiração de geniais artistas, o nosso samba, humilde samba, foi de conquistas em conquistas/... já não pertence mais à Praça, já não é samba de terreiro, vitorioso ele partiu para o estrangeiro...”

Hoje em dia, o samba de terreiro sobrevive nas rodas de samba. Em algumas quadras de escola, em bares, em quintais...

Homenagem aos Bambas - I




















Cantando e tocando um samba
Comecei a relembrar tanta gente bamba
A começar pelo mestre Cartola
Que tanta fez escola
E Carlos Cachaça
Duvido que samba como ele alguém faça
E na Estação Primeira de Mangueira
Partideiro não toma rasteira
Bate pandeiro e toca cavaco
Fazendo no terreiro o maior balacobaco
E ainda tem Cícero, Helio e Padeirinho
Preto Rico, José Ramos e Nelson Cavaquinho
Indo pra Oswaldo Cruz
Onde o samba tanto seduz,
Chegamos a Portela
Que coisa mais bela!
A escola de Paulo e Claudionor
Este é o meu amor!
E se o meu coração não me engana
Lágrimas derramarei ao ouvir Chico Santana
Principalmente se no samba for parceiro
Argemiro do Pandeiro
Sei que no pagode da Vicentina e da Surica
A mulata sassarica
E dançando o miudinho
Vai o Seu Jair do Cavaquinho
E o Monarco vai versando com o Wilson Moreira
Parceiro de Nei Lopes em sambas de primeira
E se Paulo é o professor
Sabemos que o Paulinho é o sucessor

quarta-feira, julho 13, 2005

Você se vende...


Você vive rastejando atrás do dinheiro
Se vendendo para conseguir ter mais e mais
E quando consegue, seus olhos brilham de alegria
Comprar te proporciona um sentimento tão bom, não?
Como é gratificante ter a carteira forrada de dinheiro para poder gastar a vontade...
Pode desfilar com um carrão e dar festas maravilhosas em sua mansão
Pena que tem tanto medo da sociedade que te cerca
Muros altos com cerca eletrificada te protegem de invasores
Vidros blindados servem para que trombadinhas não se aproximem de você
Afinal, você quer distância desta gentinha, não é mesmo?
Essa gente não faz parte do seu universo
A não ser quando são seus empregados, submetidos a você
No fundo, você tem uma terrível decepção por não ter nascido na época da escravidão
Ah, que bom seria poder ordenar a vontade
Mas hoje você tem medo dos marginais, herdeiros do peso da escravidão
Gente que não tem nada a ganhar e nada a perder
Gente que não ganha em um ano o que você gasta naquele relógio
E você acha bonito viver neste luxo, nesta ostentação
Conseguiu chegar ao alto da fama
Se vendeu só um pouquinho? Quanto?
O suficiente para se enterrar na lama
No fundo você não passa de uma prostituta
Daqueles que se vendem sem o menor pudor
Afinal, o dinheiro que entra apaga qualquer dilema moral, não?
Apaga tudo
E é muito fácil apagar
Basta comprar, comprar e comprar
Com este dinheiro sujo você compra roupas, flores e perfume para sua mulher interesseira
Compra terno, caviar, uísque 18 anos, skank, cocaína pura, direto da Bolívia
Pra que se importar com a pobreza, com a fome?
Elas estão longe, do outro lado do muro
Como é nojento ver pessoas como você
Cheio de cifrão nos olhos, consegue enxergar dinheiro em tudo
Por causa de suas mordomias, muitos padecem
Derrube os muros, abra os vidros de seu carro
Dê a cara para bater, pare de roubar milhões por baixo do pano
Encare frente a frente a sociedade seu porco capitalista
E aí eu quero ver se vai continuar com este sorriso sujo no rosto
Ou então continue assim
Fugindo, com medo, fingindo que é feliz

segunda-feira, julho 04, 2005

E o torcedor sofre...


Mesmo sendo santista, domingo eu estive no Morumbi comprando um ingresso para final da Libertadores. Era um favor (e que favor!!) que eu estava fazendo para um amigo meu. Chegando lá, às 11 da manhã, encontrei uma fila imensa que não andava e um tumulto generalizado nos guichês.

Os malandros e os cambistas furavam fila sob a vista grossa da polícia. Quem estava na fila tinha que ficar penando horas e horas sob o sol escaldante. E quando a fila andava, era uns três passos. Um tormento.

Quem chegava cedo e pegava fila se dava mal. Quem chegava tarde e furava fila se dava bem. E a polícia não fazia nada. Viam os cambistas agirem e nada... Viam gente furando fila e nada... Não sei nem para que eles estavam lá.

Depois de oito horas na fila, já de noite, cheguei ao guichê. Nesta hora, os policias agiam com firmeza para
organizar a fila. Não sei porque não fizeram antes. Tinha 25 contos para comprar uma meia entrada. Não tinha mais ingresso. Fiquei lá mais uma hora até surgir, do nada, novas meias-entradas. Peguei uma e fui embora.

Os cambistas faziam a festa. Antes mesmo dos ingressos começarem a ser vendidos, eles já tinham muitos na mão. A diretoria do São Paulo (timinho safado) também é muito espertona. Põe um ingresso a preços abusivos. Preços absurdos. Um trabalhador que ganha um salário de trezentos reais vai pagar cinquentão por um ingresso?

É sempre assim: todos se dão bem e o torcedor paga o pato.

sábado, julho 02, 2005

Saia deste pedestal

Quanta pobreza
Uma vida de incerteza
Sem nenhuma dignidade
Já a nobreza
Do alto de sua realeza
Nem sabe o que é humildade

Você que anda esbanjando
Olhando para todos com desdém
Desprezando e humilhando
Aquele que não tem nem um vintém
Saia deste pedestal
Não vê que assim só causa o mal?
Enquanto banquetes você come
Tem alguém morrendo de fome.

Se você tem pedras preciosas
Os miseráveis têm pedras de crack
Que são consumidas desesperadamente
Você fuma skank e bebe uísque escocês
Enquanto a criança na rua cheira cola
Pois não tem família e nem escola



Este poema não teria sido escrito nunca se eu não tivesse ouvido os sambas de protesto de Elton Medeiros e Mauro Duarte. Sou obrigado a reproduzir aqui a letra destes dois sambas.



Maioria sem nenhum

Uns com tanto
Outros tantos com algum
Mais a maioria sem nenhum

Esta história de falar em só fazer o bem
Não convence quando o efeito não vem
Porque somente as palavras não dão solução
Aos problemas de quem vive em tamanha aflição

Uns com tanto
Outros tantos com algum
Mais a maioria sem nenhum

Há muita gente neste mundo estendendo a mão
Implorando uma migalha de pão
Eis um conselho pra quem vive por aí a esbanjar:
Dividir para todo mundo melhorar



Lama

Pelo curto tempo que você sumiu
Nota-se aparentemente que você subiu
Mas o que eu soube a seu respeito
Me entristeceu, ouvi dizer
Que pra subir você desceu
Você desceu

Todo mundo quer subir
A concepção da vida admite
Ainda mais quando a subida
Tem o céu como limite

Por isso não adianta estar
No mais alto degrau da fama
Com a moral toda enterrada na lama

sexta-feira, julho 01, 2005

O nascimento de um samba


Um samba nascido assim
Sem começo nem fim
Na mesa de um bar
Sossegado, de papo pro ar
Você fala que vai para orgia
E que vai gozar da alegria
E que neste gostoso dia-dia
De viver na boemia,
É muito feliz
E que é a vida que sempre quis
Mas sente falta de um amor
Que acabe com esta dor
De um poeta sofredor
E escreve e canta
E com um samba encanta
Toda uma energia que emana
Toda uma vibração levanta
E a felicidade de sambar
E de na cadência levar uma doce melodia
Isto não é besteira
Este samba de primeira
Nascido nas asas da imaginação
Fluindo com muita rima
Vira uma obra-prima
Para nunca mais esquecer
Para sempre cantar e batucar
E sambar e vibrar com este momento
Em que um belo sentimento
Emanado por mim
Transformou esta inspiração
Em mais uma linda canção

Senhor, isto não é permitido!

Banco de praça sempre sugere uma descansada. Sentar debaixo de uma árvore, ler um livro, observar a paisagem e, eventualmente, dar uma deitadinha. Na pracinha do campus do Mackenzie, entretanto, isto não é muito possível.

Constantemente vigiado por bedéis que zelam pela segurança e pelos bons modos, é impossível deitar nos bancos do Mackenzie por cinco minutos sem ser abordado por um bedel. Namorar em paz, então, impossível. Uma perna de uma garota sobre o colo de um rapaz já é caracterizado como sexo explícito. E assim vão se passando os dias na pacata Universidade Mackenzie, um lugar imaculado de bondade e livre do mal.

Certa vez, estava eu sentado num banco, em frente a faculdade de Arquitetura, descansando da cansativa e estressante semana que havia passado. Aos poucos fui me esparramando no banco. Quando me deparei, estava totalmente deitado, admirando uma linda copa de jacarandá. Fechei os olhos e comecei a meditar na vida. Como ter uma semana mais tranqüila? Como relaxar para enfrentar as provações do cotidiano? Estava quase adormecendo quando alguém me cutucou: "Senhor, você não pode ficar deitado aí!".

Nesta hora, todas minhas boas energias que estavam sendo criadas em minha mente foram pelo ralo. Pensei em argumentar com a senhora bedel, mas desisti. Sabia que ela apenas cumpria ordens. Voltei a ficar sentado e ela voltou ao seu lugar de vigilante.

Quase caindo de cansaço, passei a observar as pessoas na praça. Reparei que o rapaz do banco ao lado estava tentando ficar com uma garota. "Faz tempo que quero sair com você..." E ficou xavecando uns quinze minutos. Quando finalmente conseguiu beijar a moça (por sinal, uma bela moça), seus corpos se envolveram numa só emoção.

Era um beijo de cinema, a paixão exalava no ar. E então... Eis que surge nossa simpática bedel. Ela cutuca o casal apaixonado e diz: "Senhores, não é permitido isso aqui no Mackenzie". O rapaz, abismado, responde: "Tudo bem, nós já estamos indo para o bar". E lá foram eles. Para um lugar não tão impregnado de bondade, onde os pecaminosos beijos são permitidos.